Palestras de Sucesso Entrevista Ana Lúcia Rafael

1-Palestrante de Sucesso, querida Ana Lúcia Rafael, é um prazer imenso recebê-la aqui. Muito obrigado de antemão, por se disponibilizar em compartilhar seus conhecimentos.

Para começar, quais estratégias e ferramentas podem ajudar no processo de autoliderança? Quais as vantagens para a vida do profissional em adotar tal postura, e consequentemente para a empresa em que ele atua?

Vivemos em uma cultura judaico-cristã que favorece o vitimismo, ou seja, nem sempre aquele que lidera a vida e vai atrás dos seus sonhos é bem visto e admirado, somente isso já pode inibir uma pessoa de liderar a própria vida.

Antigamente havia nas empresas e instituições a expectativa que o colaborador tivesse a meta de permanecer no emprego até a aposentadoria e isso era  o esperado e admirado. Era comum as empresas terem desafios enormes para aposentar alguns colaboradores que se dedicavam somente para o trabalho e dentro da família na função de provedor. Alguns chegavam a se suicidar quando se aposentavam, enfim, o ser humano se desenvolvia em menos áreas de sua vida.

Hoje, tudo mudou, e as empresas esperam e necessitam de gestores e colaboradores com maior proatividade, criatividade e ambição devido uma concorrência muito maior em todas as áreas, e até mesmo inovações que acontecem diariamente e delas dependem a sobrevivência das empresas.

O colaborador precisa ter a capacidade técnica (hard skills) e também as habilidades socioemocionais (soft skills) desenvolvidas devido a complexidade do mundo atual. A autoliderança é uma característica esperada uma vez que combina com autonomia, inteligência emocional, responsabilidade e comprometimento na vida como um todo.

Na minha opinião tem passos no desenvolvimento da autoliderança:

1 – Sinceridade com o propósito – Escolher sair do papel de vítima que tem todo apoio social o qual citei anteriormente. Refletir como nos convida Mario Sergio Cortela: Quer? Deve? Pode?

Escolher significa deixar de culpar as outras pessoas, o próprio passado e até mesmo a sociedade como um todo.

2– Reflexão – Que habilidades deverá desenvolver? O autoconhecimento é fundamental nesse processo. Ele liberta as pessoas de crenças, pensamentos e atitudes limitantes.

3 – Execução: Tomar atitudes, estabelecer metas e desenvolver ou pedir ajuda para o que for necessário de modo que honre a escolha de liderar a própria vida.

Somos obrigados a fazer escolhas o tempo todo, tem pessoas que vivem em ambientes que favorecem a oportunidade de experimentar e até mesmo errar e isso propicia maior liberdade e possibilidades no uso da criatividade e inovação, habilidade importantes nesse processo.

A consciência que é impossível separar o que você é na vida profissional, bem como na vida pessoal é de suma importância. O autodesenvolvimento, autoconsciência e autoconhecimento quando alcançado beneficia todas as áreas da vida de uma pessoa.. Quem lidera a vida convive com os desafios como oportunidades e não como fardos, entende que o medo caminha com a coragem o tempo todo.

2-Como um gestor ou líder pode ajudar os colaboradores, no sentido deles buscarem mudanças de atitudes em busca de uma vida mais plena e feliz?

Nas reuniões de equipe e principalmente as conversas individuais(one-on-one) o líder/gestor pode entusiasmar a todos a respeito da importância do autoconhecimento e autodesenvolvimento, como instrumentos para mudar o que for possível na conduta relacional consigo próprio e com todos a sua volta.

A felicidade, é uma escolha, a menos que a pessoa tenha algum transtorno mental ou  depressão. Toda escolha exige esforço, afinal você perde algo sempre que escolhe um lado, uma coisa, um caminho.

Sugiro conversas, palestras, workshop e grupos reflexivos dentro das empresas. Afinal, colaboradores com a vida mais plena e feliz são mais produtivos.

3-Os conflitos no trabalho em equipe são vistos de forma até produtiva algumas vezes, e um tanto quanto nociva em outras. No fundo, todos que atuam na empresa necessitam de um ambiente mais harmônico, não é verdade? Em um ambiente de trabalho ruim, pesado, onde a equipe não consegue falar a mesma língua, de que maneira a gestão pode reverter este quadro, otimizando o relacionamento, a produtividade e os resultados?

Opiniões diferentes são importantes, os conflitos fazem parte e podem colaborar com um processo que precisa ser disparado dentro da equipe. É fundamental uma valorização para relacionamentos melhores, mais saudáveis, menos competitivos, mais colaborativos e gentis. A convivência de boa qualidade, o cultivo do sentimento de equipe, de pertencer a algo maior é fundamental para se alcançar metas mais ousadas e criativas.

Atualmente o RH de algumas empresas proporcionam meditação, conversas, workshops, palestras e até mesmo acompanhamento psicológico. Profissionais externos são muitas vezes requisitados para auxiliar nesse processo. Gosto de pensar a importância da conversa franca, honesta, gentil e  vejo o desenvolvimento de habilidades socioemocionais como fundamentais para boa convivência consigo próprio, bem como, em todos os ambientes da vida de uma pessoa.

4- Certamente, a tecnologia chegou para nos ajudar. No entanto, é comum que em nossa sociedade tenhamos um certo descontrole do uso dessa tecnologia. Boa parte das pessoas, seja na escola, no trabalho, na vida social em geral, muitas vezes se veem presas na tecnologia (o excessivo uso do smartphone, por exemplo), deixando de lado coisas extremamente importantes, como o diálogo, a convivência e a colaboração. Como você enxerga este cenário acima descrito e quais soluções você sugere, para um maior equilíbrio?

Concordo com você, a tecnologia veio para facilitar a nossa vida com ideia de economizarmos tempo para uma vida melhor. Grupos que antes jamais se conheceriam hoje fazem parceria e conexões fantásticas acontecem diariamente, ou seja, quero enfatizar o quanto a tecnologia veio para ajudar, em todos os setores e aspectos da vida. A própria ciência evoluiu muito rapidamente com o avanço tecnológico. Contudo, passamos a nos ocupar mais e mais, a divisão do tempo entre lazer, trabalho e descanso está se tornando caótica.

Penso ser fundamental um ajuste em relação a tantas mudanças no que se refere ao uso da tecnologia que foi intensificado com a pandemia. A comunicação entre as pessoas cresceu muito, porém é importante lembrar que a base de um bom diálogo e boa comunicação inclui a comunicação verbal e não verbal. Cada vez mais a comunicação é truncada por somente troca de mensagens e num simples toque uma amizade é desfeita, sem uma conversa olho no olho, coração com coração e isso é muito negativo.

Vivemos, em tempos líquidos, nada foi feito para durar, segundo o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman. Será que as pessoas estão mais felizes?? A resposta é não. O índice de suicídio tem aumentado muito e a depressão também. O ser humano necessita de relacionamentos seguros para uma melhor qualidade de vida.

Onde temos que investir?  Nos relacionamentos é obvio, não é? Primeiro da pessoa com ela mesma, ser uma boa companhia para você mesmo é fundamental, porém temos conhecimento que o ser humano é sociável e é preciso refletir que é antinatural o que está acontecendo. O uso excessivo da tecnologia tem sido desrespeitoso no trabalho, escola e família.

Elaborei algumas perguntas para te ajudar a refletir se está investindo no seu relacionamento intrapessoal e interpessoal ou somente nos relacionamentos virtuais?

1 – Observe quanto tempo tem usado a tecnologia quando está sozinho? Realmente é necessário? Tem feito isso para não ouvir seus pensamentos e /ou aflições?

2 – Tem relacionamentos íntimos com as pessoas, fala sobre sua vida? Conversa com as pessoas? Faz ligações por vídeo? Quem seria seu melhor amigo(a)?

3 – Experimente ficar uma hora longe do celular/ipad e veja como se sente. Consegue?

4 – As pessoas costumam comentar ou reclamar que está sempre ocupado com a tecnologia?

5 – Se sente à vontade perto das pessoas ou prefere se comunicar via tecnologia?

Todo relacionamento precisa de um tempo de qualidade para se manter saudável, é preciso ouvir e ser ouvido, se sentir importante, incluído na vida do outro. A tecnologia pode até ajudar em muitos casos, porém é como a diferença entre o veneno e o antídoto: o que muda é a dose. Já pensou nisso?

5- Muitas organizações já entendem a importância de se prezar pela saúde mental dos colaboradores, haja vista que o indivíduo saudável mentalmente, tem a tendência de trabalhar melhor e se relacionar com mais facilidade e prazer. Neste sentido, quais os maiores desafios que você tem percebido nas empresas, para manter a saúde mental de seus funcionários em dia? Quais ações utilizar para contribuir com a equipe?

O desafio é que para ser gentil, colaborar para uma melhor convivência e pela saúde mental da equipe e consigo próprio é preciso de fato ter um tempo para isso, levar a sério essa necessidade principalmente no pós-pandemia.

Outro desafio é que a maioria das pessoas são principiantes na arte do bom diálogo e boa conversa. Muitos cresceram em famílias com método educativo mais autoritário ou até mesmo permissivo demais e de fato é necessário o desenvolvimento das chamadas soft skills por parte dos líderes e gestores principalmente.

Exemplo de algumas ações para melhor saúde mental de todos:

-Reuniões com temas a respeito da saúde mental com o intuito de desmitificar a necessidade de apoio emocional e trazer exemplos práticos para lidar com a ansiedade, desafios, novas oportunidades, depressão, dentre outros temas.

-Espaço de partilha de cursos (qualquer natureza) feitos pelo time. Isso engaja e cria sensação de pertencimento e importância, além de favorecer maior cultura de aprendizagem.

– Espaço para meditação no ambiente de trabalho.

-Estímulo para exercício físico.

-Leituras compartilhadas.

-Acompanhamento psicológico quando necessário.

-Workshop para desenvolvimentos de habilidades socioemocionais.

6- Vamos falar de motivação. Exatamente a falta dela é uma das grandes dores no cenário corporativo. Um profissional que já não tem o mesmo ânimo para executar o seu papel na empresa, pode recorrer a quais instrumentos para retomar as rédeas de sua vida bem como seu propósito de vida?

O autoconhecimento é chave central de todo processo de autoliderança. É comum ouvirmos muita reclamação e pouca ação/atitude para resolução e quando você pergunta é comum ouvir simplesmente que a pessoa não sabe o que está acontecendo e o que a levou a tamanha desmotivação.

Quero dizer que a pessoa pode ter um trabalho e se manter motivado mesmo sabendo que não é nesse lugar que realiza o seu propósito de vida. Fazer o trabalho bem feito pode e deve ser valorizado na vida de uma pessoa. O importante é acreditar, ir atrás dos sonhos e projetos de vida e nunca desistir de si próprio. É preciso se autoconhecer e realmente saber o que quer, o que brilha o olho, faz o coração pulsar, que pode chamar de sua missão ou propósito de vida.

Historicamente o trabalho seria suprir as necessidades básicas supridas e conforto. Hoje a maioria das pessoas tem a expectativa do trabalho como o lugar para desenvolver seu propósito de vida e nem sempre isso é possível.

Desenvolver a automotivação é um processo que pode ser desencadeado na empresa por meio de palestras e workshops ou até mesmo rodas de conversas. Trago a ideia do líder/gestor como responsável pelo emocional do time, capaz de reengajar os colaboradores e ao mesmo tempo os ajudar a retomar a rédea da própria vida e formar um time de pessoas criativas e inovadoras para dar o seu melhor no local que estão hoje.

7-O empoderamento feminino é uma realidade, em um mundo que hoje clama por maior espaço de representatividade das mulheres, nos mais diversificados cenários. Como você observa este movimento?

Gosto da ideia do empoderamento feminino como movimento social para uma sociedade mais igualitária, respeitosa e gentil. A ideia básica da democracia é o respeito e hoje mais do que nunca ouvimos a respeito da importância do respeito à diversidade humana.

As mulheres ainda sofrem com salários mais baixos, abuso sexual, feminicídio em alto grau e infelizmente muitas pessoas e até mesmo mulheres normalizam esses fatos e até culpabilizam a si próprias.

É um assunto importante de ser debatido em todos os setores da sociedade porque ele é real e está enraizado na nossa sociedade.

O empoderamento feminino, a meu ver, surge como um incentivo para que a mulher se valorize e possa se ver e se sentir com os mesmos direitos e deveres. Parece algo óbvio, mas ainda não o é.

A exigência em relação à mulher é altíssima dentro da família, escola e empresa e ao mesmo tempo nem sempre é lhe dado o devido valor. É comum observar mulheres se esquivando de cargos de poder com receio da sobrecarga e por medo de uma retaliação familiar.

A própria mulher precisa ter noção do quanto esse processo social interfere na sua vida e escolhas para que possa compreender o quanto suas próprias crenças limitam seus sonhos e metas. Muitos de seus desejos, vontades e necessidades são tratados como “frescura ou  mimimi”. O desenvolvimento de uma mulher que tem noção do que acontece com ela socialmente e dentro da família costuma ser incrível!!!

8- Quais são os grandes desafios da empatia e como o desenvolvimento dessa habilidade pode mudar não apenas a realidade nas escolas e empresas, como no mundo?

Quem nunca sofreu por falta de empatia, quem nunca se sentiu julgado ou criticado, quantos relacionamentos foram finalizados pela dificuldade de se colocar no lugar do outro, dentro do seu contexto, de sua vida. As pesquisas indicam que o Brasil é um pais muito simpático, alegre e gentil, contudo nem sempre empático.

Adoro a definição de empatia segundo o psicólogo austríaco Adolf Adler:

“Olhar com os olhos do outro,

Ouvir com ouvido o outro.

Sentir com o coração do outro.”

Existem diversas barreiras para a empatia: o preconceito, comodismo, negação, entre outras. É um exercício se imaginar vivendo a vida do outro, no lugar do outro. Claro que quando há exagero na empatia pode ser prejudicial, uma vez que a pessoa pode vir a  ter dificuldade em usufruir das coisas boas de sua vida preocupando-se em demasia com os outros.

É uma habilidade que deveria ser desenvolvida desde a mais tenra idade e muitos países e organizações já propõem isso. Pense na importância de aprender nomear emoções, se colocar no lugar do outro, saídas criativas para desafios diversos e inclusive a autoempatia colabora para maior aceitação diante de falhas e desejos diversos.

Acredito genuinamente que é uma habilidade que pode mudar o mundo!!  É possível discordar e até mesmo evitar a convivência, porém a empatia convida para maior compreensão, colaboração, diálogo, menos critica e julgamento.

9- Quais os principais passos para o desenvolvimento da inteligência emocional, apontada por uma série de pesquisas como a soft skill mais importante na atualidade, especialmente para profissionais que atuam em posições de liderança?

Saber o que sente e o motivo colabora para que compreenda a si próprio e as pessoas a sua volta, afinal cada um tem sua história e motivo para ser como é. Costumo falar que o autoconhecimento liberta e quem o domina e pratica no seu dia a dia  naturalmente maneja suas emoções de forma mais assertiva e isso impacta positivamente todos os seus relacionamentos, e isso é fantástico!!

Antigamente em uma empresa/escola as capacidades técnicas, hard skills, definiam quem iria subir de cargo e ter sucesso. Hoje temos muitas pessoas bem formadas e nem todas com inteligência emocional satisfatória e essa habilidade possibilita o desenvolvimento de praticamente todas as outras soft skills.

Sugiro alguns passos para o desenvolvimento da inteligência emocional:

– O primeiro passo para a inteligência emocional é querer se superar como pessoa.

Buscar dentro de si a automotivação para viver o processo de autoconhecimento  é fundamental para desenvolvimento dessa habilidade.

Segundo o psicólogo Daniel Goleman que difundiu a ideia da inteligência emocional, o cérebro é neuroplástico e a maioria das habilidades podem ser desenvolvidas a partir justamente do autoconhecimento, do querer mudar, evoluir. O autor desmistifica a ideia que nascemos com determinados “talentos”e ponto final.

– O segundo passo é refletir a respeito de si próprio(a) e suas emoções.

Pergunte a si próprio(a) e as pessoas a sua volta sobre as características que enxergam em você e analise, inclusive, suas reações diante das diversas emoções que a vida pessoal, profissional, familiar lhe oferece.

 Nesse momento terá que lidar com o sentir-se vulnerável, enxergar como um ato de coragem e não como vergonha suas falhas, sua história, seu comportamento, seus desafios. Gosto muito da autora Brené Brown que trata desse tema com maestria.

Reconhecer suas emoções e saber o motivo de ser como é colaborar para a compreensão, entendimento e autoempatia.

– O terceiro passo é a hora da colheita.

Nesse momento, analise como convive com cada estado emocional, como responde a cada um deles. Quais quer manter, quais precisa ressignificar, fazer diferente? Anote.

– O quarto passo é o da execução.

 Vai conseguir colocar em prática o que percebeu que precisa se aprimorar? É possível manter esse processo de desenvolvimento da Inteligência Emocional sozinho(a) ou vai precisar de ajuda? Que tipo de ajuda?

– Apoio do RH

– Palestra

– Workshop

– Psicoterapia

– Coach

– Imersão de final de semana

A escolha é pessoal, depende da necessidade e do momento.

Como terapeuta há muitos anos convido você a pensar que o processo de autoconhecimento e desenvolvimento da inteligência emocional é permanente. Muitas vezes nos deparamos com situações na vida que faz com que tenhamos que nos desenvolver mais e mais. A esse processo de superação podemos nomear como resiliência humana.

10- Falando agora sobre vendas. Qual o poder de atuar em equipe e como cada membro do time pode semear a alegria e a esperança no relacionamento com os colegas e com os clientes?

Quando penso em equipe penso na lenda Africana Ubuntu: Crianças são convidadas a correr e quem alcançar primeiro a cesta de doces ganha ela inteira. As crianças deram as mãos e chegaram juntas. Quando questionadas elas responderam: que graça teria comer todos os doces sozinhas?

O desafio da liderança na atualidade é transformar seus colaboradores em equipe. Viemos de uma educação competitiva em demasia e hoje vivemos a era das parcerias e inclusão. A formação de uma equipe tem passos a serem considerados, normalmente demora um tempo para que isso aconteça; é preciso trazer a reflexão que inclui o desenvolvimento das soft skills dentro da empresa.

Se quer uma equipe que semeie a alegria e a esperança é preciso que o líder primeiro tenha isso dentro de si, ou seja, escolha isso para ele todos os dias ao acordar. Já há algum tempo brinco com a ideia que toda manhã podemos escolher entre agarrar a alegria ou a tristeza. Penso que todas as pessoas têm história de superação e de derrota para contar, se orgulhar e crescer.

Parafraseando o querido educador Paulo Freire vejo a esperança como uma atitude: esperançar. No meio da pandemia criei o projeto esperançar e por um período pedi para as pessoas depoimentos de  como estavam conseguindo se manter o melhor possível nesse período desafiador. Foi incrível observar o processo de ajuda mútua que surgiu.

Na minha opinião, por mais que o papel do líder seja inspirar e até mesmo puxar o grupo em alguns momentos, ele deve e precisa ouvir o que as pessoas têm a dizer, colocar na mesa a necessidade de integração, ânimo e coragem. Nesse pós-pandemia precisamos ouvir mais e aprender junto, criar junto. Fica pesado o líder achar que só ele tem as respostas e isso é uma inverdade. O grupo tem poder!!!

Claro que uma equipe bem trabalhada e motivada transfere esse conhecimento e estratégia para seus clientes, é um processo natural.

11-Há uma frase do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, que ilustra bem a época em que estamos inseridos. A frase diz: “São tempos difíceis para os sonhadores”. Diante de uma das grandes crises da história, onde concomitantemente, uma pandemia e uma guerra fez estragos em esfera mundial, onde naturalmente nossos olhares se voltam ao caos, como ter uma visão além, descongelar nossos sonhos e ainda por cima identificar oportunidades?

A vida nos obriga a congelar nossos sonhos, inclusive em muitos momentos bons. Quando nasce um filho, que é para a maioria das pessoas um dos momentos mais felizes da vida, sonhos são congelados imediatamente e depois de um tempo podem ser esquecidos. Realmente é desafiador lembrar e honrar os sonhos e até mesmo manter o propósito de vida.

Pesquisas da Universidade de Scraton, na Pensilvânia/Usa, indicam que apenas oito por cento das pessoas realizam seus sonhos de começo de ano. Podemos compreender que a maioria pensa, porém não anota, nem leva a sério seus desejos, sonhos e metas.

Ao introjetar que todo desafio pode se tornar uma oportunidade, você realmente vivencia isso. A pandemia foi um exemplo onde alguns se desenvolveram e ampliaram seus conhecimentos, seu trabalho e outros não. É óbvio que tiveram pessoas, principalmente em vulnerabilidade social, que tiveram menos chances e lutaram basicamente pela própria sobrevivência e   usaram de muita criatividade e esforço para manter a família alimentada e com vida.

Outras pessoas demonstraram a capacidade/habilidade humana de adaptação, resiliência, renovação de forma surpreendente, descongelaram sonhos que o trabalho  de período integral impossibilitava, outras mudaram de emprego, outras tiveram filhos, casaram, separaram, enfim, a todo momento desde que tenha condição de vida mínima garantida é possível sonhar, criar e viver mais plenamente.

Amélie, no filme citado, é um belo exemplo de alguém fadado a ser infeliz devido a infância e adolescência vivida pela personagem, e seria compreensível e até mesmo esperado que isso acontecesse. A trajetória dela foi muito interessante, a curiosidade pelo outro, a empatia, a determinação em mudar as pessoas e suas vidas de uma forma bastante peculiar, manteve a chama da esperança por uma vida melhor acesa. Apesar de todas as inseguranças, manteve e realizou o sonho humano que é de ter alguém para amar e ser amada.

12-Falando sobre soft skills: quais você considera as mais significativas para que uma pessoa evolua na carreira e consiga se tornar um profissional de sucesso?

01 – Inteligência emocional:  saber reconhecer e gerenciar as emoções é fundamental para se posicionar e conviver nas diversas situações desafiadoras que naturalmente existem em um ambiente de trabalho.  Essa habilidade colabora inclusive para saber o que quer e o que precisa desenvolver para alcançar.

02 – Ética: saber distinguir através dos valores traz para maior solidez na carreira e nas decisões.

03 – Empatia: convida para a boa convivência, trabalho em equipe, estimula a criatividade e um ambiente mais gentil e seguro.

04 – Capacidade de aprendizagem:  estamos em frequente mudança de formas e lugares para desenvolver o trabalho e essa capacidade é fundamental nos dias de hoje. Ela caminha junto com a criatividade e determinação.

05 – Organização do tempo:  na atualidade com tantos distratores e ao mesmo tempo muitas metas a cumprir saber organizar o tempo é fundamental. O tempo ajuda inclusive o colaborador a desenvolver o autocuidado quando ele coloca isso em sua agenda.

13- É comum a ideia de que o autoconhecimento se refere a um processo altamente potencial, no sentido de alavancar a vida pessoal e profissional. Em contrapartida, é notório que ele também pode ser um processo bem doloroso. O que você pode nos falar a respeito e de que maneira as pessoas podem buscar o autoconhecimento e assim, usufruir de seus benefícios?

Antigamente, é verdade, se associava a psicoterapia a processos longos, difíceis e demorados. Hoje é bem diferente, as técnicas evoluíram e o que normalmente machuca é o que já está causando dor  que pode ser até de forma inconsciente, a pessoa ignora  o motivo de suas ações e sentimentos.

A vida sem autoconhecimento é mais dolorosa uma vez que dependendo das crenças e valores limitantes o desenvolvimento e o alcance das metas se tornam inalcançáveis. Por exemplo:   uma família que tem a crença limitante de que uma mulher bem sucedida jamais será uma boa mãe poderá contribuir para que as mulheres da família boicotem o sucesso em suas vidas ou até mesmo a maternidade.

Claro que nem sempre é fácil, porém o autoconhecimento é libertador, a pessoa se torna mais apta a fazer escolhas assertivas e que irão de encontro a alcançar suas metas e sonhos.

O processo de autoconhecimento pode se iniciar através da auto-observação e observando outras pessoas ou até mesmo lendo livros e vendo filmes e séries que tragam reflexões a respeito do ser humano.

A Psicologia oferece inúmeras possibilidades e abordagens psicoterapêuticas, vivências profundas em workshops e grupos reflexivos.

Ao se interessar pelas profundezas da alma humana é possível manter essa busca de formas diversas no decorrer da vida. Não somos videogame, porém, também mudamos de fase e é comum abrir uma caixinha nova que muitas vezes nem imaginávamos que existia. Vejo que o processo de autoconhecimento propicia uma autoempatia importante e saudável.

14- Se comunicar de maneira assertiva é peça-chave para qualquer esfera de nossas vidas, concorda? Partindo, no entanto, para a área dos negócios, vendas e empreendedorismo, você que é uma exímia comunicadora, compartilhe com nossos leitores quais as suas técnicas preferidas de comunicação e que geram maior conexão com o cliente?

Temos quatro tipos de comunicação: Verbal, não verbal, escrita e visual. É preciso cuidar de todas para que tenha uma congruência entre o que a pessoa fala, escreve e o que o outro observa.

Na vida precisamos ter coerência em como nos comunicamos e o que queremos comunicar. Quando o vendedor acredita e sabe muito sobre o produto que vende ele consegue passar credibilidade, o poder de persuasão pode colaborar, mas a ética é fundamental para uma boa conexão entre as pessoas.

É comum pensarem que a maior qualidade do vendedor seja falar, eu penso que é ouvir. A partir das dúvidas e o que o cliente fala é possível criar estratégias para a venda.

Desenvolver habilidades para a venda do produto é fundamental, treinar a apresentação sozinho ou com amigos para depois fazer na prática, não tem como ser bom no que faz sem treinar muito.

Penso que podemos pensar em passos:

01 – Reflita:

Quais pontos fortes e fracos na arte da boa comunicação.

02 – Recursos:

Quais habilidades precisa desenvolver ou aprimorar e como pretende fazer isso. (soft skills e hard skills)

Converse com pessoas, pesquise tudo a respeito do que vai vender ou do ramo que pretende empreender.

03 – Prática:

Treine de todas as formas possíveis, visite lugares, converse com pessoas que viveram situações parecidas com a sua ou até mesmo vende o mesmo produto, seja curioso. O vendedor precisa ser um bom comunicador, treine isso o dia todo e com todas as pessoas. Peça feedbacks que podem ser valiosos para o próprio aprendizado.

15-Liderança Humanizada é o modelo de liderança do futuro? O que caracteriza um modelo de Liderança Humanizada em relação à liderança “tradicional”?

Penso que as grandes guerras e pandemias forçam a evolução da ciência e do próprio ser humano como um todo. Cada vez mais a visão sistêmica de que estamos todos interligados está presente em todos os ambientes: família, escola e trabalho.

Hoje o líder além de ter a responsabilidade técnica, ele sabe o quanto precisa estar conectado com seu time. A compreensão empática e solidária motiva a criação de um ambiente inspirador para conexões e novas ideias.

Cada vez mais o líder precisa se conectar com o humano e não só com o aspecto técnico de cada um, a necessidade da produtividade é real, porém o bem estar físico e emocional é prioridade no momento atual que vivemos.

 16- Gratidão, palestrante Ana Lúcia pela sua atenção e carinho com a equipe da Palestras de Sucesso. O espaço a seguir é seu para deixar uma mensagem para os leitores.

Todos nós estamos em constante evolução e esse caminho pode ser, e é desafiador, em vários momentos. Jamais podemos esquecer que a resiliência é desenvolvida no decorrer da vida e a tendência é cada vez que vencemos uma etapa estarmos mais preparados para a próxima. O importante é acreditar na própria capacidade de superação e gosto sempre de lembrar que pedir ajuda é fundamental para ter tranquilidade de que será capaz de lidar com qualquer desafio na vida. Em alguns momentos ajudamos e em outros pedimos ajuda, não é maravilhoso?

 

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