Ambientes onde as pessoas se sentem seguras para falar, discordar e admitir erros inovam mais, aprendem mais e erram menos. Quando uma equipe fica silenciosa demais, isso raramente é harmonia, é medo. Essa é a linha defendida por Edson De Paula no vídeo “Comunicação: como falar com confiança” e confirmada por décadas de pesquisa sobre o tema, a começar por Amy Edmondson, que definiu o conceito de segurança psicológica em equipes em 1999 (estudo clássico).
Por que “silêncio” é um alerta vermelho no clima organizacional
Segurança psicológica é a crença compartilhada de que o time é seguro para correr riscos interpessoais — fazer perguntas, admitir falhas, propor ideias sem medo de punição.
Conceito introduzido por Amy Edmondson (1999) e amplamente difundido pela HBR (o que é segurança psicológica), ele se conecta diretamente a aprendizagem e desempenho da equipe.
O Google confirmou a importância do tema no Project Aristotle: entre os cinco fatores que explicam times eficazes, segurança psicológica foi o principal (guia re:Work).
No polo oposto está o silêncio organizacional — quando colaboradores deixam de falar sobre problemas por medo de retaliação ou por acharem inútil. O fenômeno foi detalhado por Morrison e Milliken (2000) e mapeado como risco em áreas críticas como saúde, em Henriksen e Dayton (2006).
A metáfora dos “murmúrios e gritos” (atribuição popular)
“Ouça os murmúrios para não ter de ouvir os gritos.” A frase circula como “provérbio Cherokee” ou “provérbio chinês” em repositórios populares (exemplo rotulado como chinês), mas a origem é incerta. O valor didático, porém, é claro: sinais sutis de incômodo, quando ignorados, viram crises. Se não há murmúrios, talvez haja repressão.
Aplicação rápida: crie rotinas para “murmúrios” — check-ins de 10 minutos, retrospectivas sem caça a culpados, canais anônimos com resposta do gestor. Se nada aparece por semanas, investigue medo ou cinismo.
O que diz Edson De Paula
No vídeo “Comunicação: como falar com confiança”, Edson destaca que a segurança psicológica depende de confiança no líder e em si mesmo para opinar sobre erros e acertos.
O alerta é direto: silêncio é sinal vermelho. O líder precisa estimular uma liderança inspiradora e engajadora, onde até ideias imperfeitas mantêm o time aprendendo.
Conheça sua atuação e temas de palestras corporativas no site oficial (Edson De Paula — palestras) e em artigo do blog (Como falar com empatia — Palestras de Sucesso).
O que líderes podem fazer para criar cultura de confiança
1) Reenquadrar o trabalho como problema de aprendizagem. Diga explicitamente que o time testa hipóteses.
2) Admitir a própria falibilidade. “Posso estar errado, me ajudem a ver pontos cegos.”
3) Modelar curiosidade. Faça perguntas e recompense boas perguntas.
Essas práticas aparecem nos materiais do re:Work/Google e na literatura da HBR sobre o tema.
4) Ritualizar a escuta ativa nas empresas.
– Reuniões com “roda de voz” (todos falam).
– Retrospectivas focadas no processo, não em culpados.
– Canais anônimos que geram resposta concreta do gestor.
– “Pré-mortem” antes de projetos críticos.
5) Medir segurança psicológica. Use questionários baseados em Edmondson e trate os resultados como base de conversa, não ranking punitivo.
Sinais de risco no clima organizacional
– Reuniões dominadas por poucas vozes, poucas perguntas.
– Quase nenhuma discordância explícita.
– Pesquisas internas com muitos “neutros”.
– Pessoas evitam discordar do gestor em público.
– “Surpresas” operacionais que poderiam ter sido previstas se alguém tivesse falado.
A segurança psicológica no trabalho não é apenas uma “boa prática”, mas um pilar estratégico para equipes que querem inovar, aprender e manter alta performance de forma sustentável.
Empresas que confundem silêncio com paz correm o risco de sufocar ideias, perder talentos e criar um clima organizacional baseado no medo, não na confiança.
O líder que aprende a “ouvir os murmúrios antes dos gritos” constrói uma cultura onde todos se sentem parte, contribuem de verdade e ajudam a empresa a crescer.
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