Por que eu acredito que todo brasileiro deveria empreender? – por Fernão Loureiro

Empreender amadurece, traz consciência e pacifica o espírito de qualquer pessoa egocêntrica. Exercita a paciência, o bom humor, a resiliência, a capacidade de argumentar, de tentar novamente (como diria o genial Raul Seixas). A meu ver, empreender não é somente abrir um CNPJ. Você pode ser um empreendedor de ideias, em uma ONG, em seu Centro Acadêmico, Empresa Junior, na sua casa!

Diversos números comprovam que, com a derrocada econômica dos anos 2014-2018, o brasileiro foi obrigado a ir à luta para sobreviver – e tenho certeza que isto trouxe amadurecimento não apenas pessoal, mas também financeiro. As pessoas aprenderam a valorizar mais suas receitas, passaram a investir parte de seus ganhos e a reclamar menos de empresas e empresários – simplesmente porque elas se tornaram uma empresa (MEI) e viram o quão difícil é admitir um colaborador em uma folha de pagamento brasileira e mantê-lo motivado, feliz e produtivo (aliás, está bem difícil com tanta gente sem frequentar a terapia, se autoconhecer, etc!).

Interessante notar também que, como o brasileiro passou a experimentar serviços diferentes, agora trabalha em fontes alternativas de renda para não perder o acesso que obteve a duras penas a itens como melhor alimentação, Netflix, plano melhor de celular, viagens curtas de fim-de-semana, cervejas artesanais, vinho importado. E para isso teve que fazer o que? Empreender! Sim, começar do zero com uma ideia, criar artes digitais, investir em mídias, tomar cafés e almoçar com antigos conhecidos, reativar redes de contatos, assistir cursos na web, voltar para a faculdade ou simplesmente sair para a rua “caçando”.

Dos 100% de clientes abordados, 80% não lhe atenderam, ou não retornaram, ou simplesmente falaram que não tinham interesse (apenas uns 2% são diretos e corajosos o suficiente para falar isto, o restante evita dizer “NÃO” – algo muito peculiar da cultura brasileira de aparências). Mas tudo isso consumiu seu tempo e sua energia. Dos outros 20%, uns 5% devem ter comprado de imediato e os outros 15% tomaram ainda mais tempo e energia que os demais. E assim ele aprendeu que, como eu digo, em Vendas e Empreendedorismo “a gente planta todo dia, mas só colhe de vez em quando” – como bons agricultores que somos.

Até o momento falei apenas de negócios, mas e quanto a estes heróis do dia-a-dia que empreendem salvando vidas, animais, a natureza? Que têm verdadeiros abrigos em casa para animais abandonados, que levam remédio, comida, itens de higiene, cobertores a quem quer que seja, onde quer que seja, porque assumiram este compromisso e propósito? (mas herói mesmo é o que vai toda semana, não uma vez por ano para postar foto no Instagram)

Estes também são empreendedores, também sofrem com falta de apoio, desbravando matagais de dificuldades à sua frente (chuva, distância, descaso, falta de dinheiro). E sim, para mim eles são heróis, e não os jogadores de futebol milionários (me desculpem, estou aprendendo a não julgar quem é o herói de cada um – tem gente que idolatra nazista, político preso, torturador – ainda não cheguei neste estágio elevado de compreensão destas pessoas).

Recentemente li e postei uma matéria da Veja que trouxe em sua capa 20 jovens que completam 20 anos em 2020 (bastante simbólico) e a quem devemos estar atentos para os próximos anos. Inclusive, 11 são mulheres, outro ponto interessante da matéria. Quase todos começaram com 10 ou 11 anos em suas áreas de destaque, alguns com meses de vida (os artistas) e o que mais gostei foi a ausência de vitimismo e “sofrência” nas histórias, coisa que a maioria adora contar (inclusive alguns influencers famosos).

Jovens que foram e continuam na luta sem acharem que são melhores por isso, e que desenvolvem desde sempre seus espíritos empreendedores. Seguramente receberam educação e foram trabalhados em suas casas, mas possuem mentes fortalecidas, egos administrados e muita determinação em vencer e melhorar a vida dos outros. 

Não estou dizendo aqui (LONGE DISSO) que quem tem carteira assinada, quem trabalha regularmente na mesma empresa é um acomodado e não empreende. Pelo contrário, muitos assalariados travam verdadeiras batalhas internas pela melhoria de processos, quebra de paradigmas, culturas arcaicas de gestão …. são empreendedores dentro de uma estrutura já existente, mas são. Criam programas de voluntariado interno, organizam o futebol pós-expediente para integrar melhor a equipe e seus familiares. Paremos com esta mania de achar que empreendedor é só quem abre CNPJ!

Precisamos ir sempre além, absolutamente todos nós deveríamos criar e testar algo novo (E DO BEM) na sociedade – inclusive e especialmente nossas crianças em suas escolas, que poderiam ajudar com projetos em suas comunidades, na conservação do patrimônio público onde estudam ou inscrever projetos de ciências e matemáticas em campeonatos nacionais e mundiais. Tem algo mais gostoso que ver que seu projeto ou ideia dando certo, depois de tanto perrengue enfrentado? 

Concluindo, a meu ver empreender (em qualquer seara) tem que responder primeiramente: o que você vai deixar de melhor quando parar? Qual vai ser seu legado? O dinheiro e sucesso realmente são consequências – muito bem-vindas, desejáveis e ótimas de usufruir, mas é a diferença que você fez e fará na vida dos outros que determinará sua continuidade como empreendedor e a capacidade de deixar um mundo melhor para as futuras gerações.

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