Palestras de Sucesso Entrevista Luiz Binato

1- Luiz Binato, antes de mais nada, gratidão por ceder um pouco do seu tempo para compartilhar seu conhecimento conosco. Para começar, uma pergunta “simples”: em poucas palavras, quem é Luiz Binato e o que ele pode fazer por uma empresa que decide contratar suas palestras?

Eu agradeço a oportunidade de fazer parte do elenco desse time sensacional de educadores e palestrantes. Uma honra.

Eu me vejo como um visionário e um buscador.

Visionário porque acredito que o futuro deve ser construído a partir de uma visão e um buscador porque vejo na ação o instrumento natural para a realização.

Desde sempre fui um construtor de futuro, realizador dos meus sonhos e um apoiador das pessoas que têm e acreditam em um sonho a se realizar.

E, quando me tornei um executivo e assumi a responsabilidade por unidades de negócios, acabei por desenvolver essa habilidade junto aos executivos com os quais trabalhei junto.

Acredito no trinômio “fé – estudo – prática”, isto é, ao acreditar (fé) eu crio a visão, me preparo, busco as informações, estudo e monto o plano (estudo) e depois entro em ação para realizar (prática) e isso me transforma em alguém diferente de quem fui antes.

Esse é o sentido de uma meta: ela deve ser atingida, batida, etc, mas para tal, a pessoa deverá desenvolver habilidades que ainda não tem, uma forma de pensar diferente e uma inteligência emocional capaz de ajuda-la a enfrentar os percalços.

No fim, uma meta pode transformar uma pessoa em alguém melhor e é isso que tenho feito nos últimos 25 anos: ajudar pessoas a se tornarem melhores eliciando suas qualidades e virtudes e conhecendo seus defeitos e vícios para poderem decidir atuar sobre isso.

Acredito que todo time deve saber do que seus jogadores são feitos, quais são suas virtudes e seus vícios para, assim, cada indivíduo se autoobservar, autocorrigir, autoaperfeiçoar e autotransformar, transformando equipes, organizações, famílias e sociedades.

O todo começa no um.

2- Como um líder pode, de fato, criar uma conexão com sua equipe e extrair o melhor de cada membro do time?

Ele deve cuidar de três itens:

  1.     LIDERANÇA – definir metas claras, bem específicas, mensuráveis, desafiadoras, porém atingíveis, relevantes, com motivos e prazos, responsabilidades, recompensas e sensibilizar as pessoas (a começar por ele, o líder, por suas metas e sua auto sensibilização);
  1.     ESTRATÉGIA – definir com o time os caminhos (estratégias) e os passos (planos de ação) para chegar na meta desejada, considerando as circunstâncias externas (fatores PESTAL: Político, Econômico, Social, Tecnológico, Ambiental/Sanitário e Legal).
  1.     GESTÃO – desenvolver a habilidade de fazer acontecer, executar as estratégias e os planos de ação, mobilizando e engajando pessoas a partir de seus modelos mentais, padrões emocionais e sistema de valores. Item mais desafiador de todos.

Os itens 1 e 2 , estabelecer as metas, sensibilizar pessoas e definir estratégias e ações são eventos e o item 3, fazer acontecer, é processo. E é nesse ponto que o desafio é maior. É onde as pessoas desistem.

Fazer a promessa é fácil (evento); O desafio está um cumpri-la (processo).

E para um líder eliciar o melhor de cada membro do time por meio desse caminho que apontei, ele deverá aprender a fazer isso com ele próprio antes.

3- Se sentir desmotivado na carreira é um sintoma relatado por muitos empresários, gestores, líderes e todos aqueles que atuam no meio corporativo em geral. Diante deste cenário, conte pra nós: Como reencontrar a motivação para prosseguir?

Primeiro, será importante fazermos uma breve análise do cenário pelo qual nós, seres humanos, temos passado nos últimos 30 mil anos. Passamos pelas seguintes eras Extrativista, Agrícola, Industrial, Conhecimento e, nesse momento, eu digo que estamos na era da Consciência.

Muitos fenômenos ocorreram ao longo desses períodos, porém o mais relevante foi a inversão da curva de oferta e demanda ao longo desse tempo, culminando, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 com uma demanda muito menor do que a oferta transformando os paradigmas da economia e, consequentemente, de outros setores da vida como a política, a sociedade, a tecnologia, etc.

Essa inversão da curda de oferta e demanda obrigou a sociedade a refazer seus acordos e rever seus valores (para o bem e para o mal), de forma que podemos estabelecer um DE / PARA. E esse DE/PARA está ainda em curso e muitas, mas muitas pessoas ainda se negam a enxergar isso.

Estamos saindo de uma visão fragmentada e precisando desenvolver uma visão mais sistêmica, enxergar o todo e agir de forma consciente;

Ainda estamos na transformação de gestão de recursos humanos para liderança de seres humanos; são jogos diferentes com habilidades e modelos mentais diversos e que muitos líderes ainda se negam a aprender;

Ainda há um enorme número de líderes mais preocupados com o esfoço e com a tarefa do que com o resultado que deve buscar alcançar, portanto mais preocupado com o COMO do que com o O QUE, o PORQUÊ e o COMO estratégico;

Ainda há pessoas que acreditam que o principal fator de produção é o capital financeiro, quando na verdade é o capital humano, composto de conhecimento e, dentro desse bloco, do autoconhecimento, habilidades de competências técnicas e sócio emocionais.

Vim por esse caminho para demonstrar uma grande transformação que faz a ponte com a sua pergunta. E essa grande transformação é que estamos saindo de uma era em que as instituições eram magnânimas e o indivíduo inócuo e entrando numa era em que o indivíduo passa a ter um papel mais crucial em sua própria vida considerando a existência das instituições.

Assim sendo, antes a empresa cuidava da carreira de um executivo, pois ela operava em um cenário de demanda muito maior do que a oferta e podia se comprometer no longo prazo com esse executivo.

Com a inversão da curva, hoje, cada executivo deve perceber ser o dono de sua carreira, cada indivíduo deve perceber ser o responsável pela sua vida e isso é uma mudança radical de modelo mental e padrão emocional e que muitas, mas muitas pessoas ainda não se deram conta.

Dei essa volta toda pra deixar claro que MOTIVAÇÃO não pode ser o centro desse debate, mas RESPONSABILIDADE.

Motivação é ter um MOTIVO PARA A AÇÃO, conceito já bem difundido. Entretanto, muitas pessoas sabem o conceito, mas não buscam dentro de si o que as motiva. E continuam a buscar fora, porque ainda não fizeram sua revolução íntima. Isso é um equívoco aprendido na era industrial que, diferentemente da era agrícola, fragmentou o que era íntegro, como mencionei antes.

Quando se tem uma meta clara (um O QUE), quando se tem um motivo para tal (um PORQUÊ), buscam-se os caminhos e os passos (os COMO’s) a partir de estratégias e planos de ação.

Uma vez sabendo os passos a serem dados, o executivo, gestor ou empresário deve FAZER ACONTECER.

Se estiver motivado, ótimo. Se não estiver motivado, que busque dentro de si o brio para cumprir a promessa que fez a si mesmo, com DISCIPLINA E CARÁTER, dois elementos cruciais da liderança.

Na falta da motivação, lance mão da disciplina e faça o que precisa ser feito.

Sentir-se desmotivado é um direito de todos e isso acontece com todos também. O risco é quando isso fica maior do que seu projeto de vida e a pessoa passa a não mais agir por isso.

Isso irá custar um preço caro. Esse preço pode ser um burnout ou um boreout ou coisa pior.

Por isso eu digo: construa o seu projeto de vida, o seu maior projeto. Seja o líder de sua vida e inspire-se em outros líderes numa relação de interdependência.

Motivação é direito; disciplina é dever.

 4 – O planejamento estratégico é uma boa ferramenta para os profissionais que buscam se reinventar e partir para um novo começo?

Eu diria que PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO é um instrumento (mais que ferramenta) essencial, tanto o Planejamento Estratégico visando o resultado, quanto o Planejamento Estratégico da Performance Humana, a preparação do indivíduo/time para chegar no resultado almejado.

E por que considero o Planejamento Estratégico (tanto o de Resultados quanto o da Performance Humana) um instrumento?

Um bisturi é uma ferramenta. Mas se está na mão de alguém com habilidade se torna um INSTRUMENTO, pois se sabe o resultado que busca ao usá-lo.

Já um bisturi, se está na minha mão, por exemplo, poderá ser um desastre, pois não sei manejá-lo para obter um resultado esperado.

Ferramenta + Habilidade = Instrumento

Líderes devem buscar aprender e desenvolver suas abordagens de Planejamento Estratégico com vistas e realizar as obras que estão em sua visão.

Um dos papéis do líder é criar a obra a partir das ideias, da imaginação, da visão, sendo uma verdadeira ponte (um pontífice) entre o mundo das ideias (sugerido por Platão) e o mundo das obras (sugerido por Aristóteles).

E o Planejamento Estratégico (em suas diversas versões e funcionalidades) é o instrumento que viabiliza isso.

O Modelo do Pensador é o modelo de planejamento estratégico que uso para meus projetos e para os projetos que desenvolvo junto aos executivos e empresas com as quais trabalho, tanto para apoiar no Planejamento estratégico de Resultados quando, e no meu ponto de vista, mais importante, o Planejamento Estratégico da Performance Humana.

5 – Você comentou sobre suas referências, onde notamos a presença de 3 brasileiros:

Mario Sérgio Cortella, Clóvis de Barros Filho, Bernardinho. Qual a maior lição você aprendeu com cada um deles e que você poderia compartilhar conosco?

Vou começar pelo Bernardinho.

Quando ele fazia parte da seleção brasileira de vôlei que veio a ser a geração de prata, eu jogava vôlei no Flamengo (e depois na AABB).

Fui dezenas de vezes ao Maracanãzinho ver jogos do Brasil e de outras seleções.

Bernardinho era reserva de um dos maiores levantadores da história do vôlei, o William Carvalho.

E Bernardinho observava o jogo de um lugar privilegiado e, ainda que fosse um grande levantador, ele construiu sua carreira como técnico, aproveitando a oportunidade de poder observar de um lugar privilegiado, como construir um time como gerar resultados e como liderar.

Ele foi inteligente em usar dessa habilidade em sua vida, nos seus diversos papeis, não apenas na sua profissão ou carreira. Isso aumenta o seu mérito.

Um mestre na prática.

Já o Prof. Mário Cortella e o Prof, Clóvis de Barros são mestres na construção das histórias que contam e na forma como criam imagens a partir de uma enorme sabedoria.

Digo sabedoria pois ambos buscaram o conhecimento (ter), tornaram-no aprendizado aplicando na prática (fazer) até que se tornaram (ser) o que dizem e fazem.

Isso é congruência, virtude que admiro, procuro desenvolver e enxergo essa sabedoria personificada nestes três homens nos quais me inspiro e com os quais aprendo todos os dias.

6- Como podemos gerar resultados assertivos em nossa vida e carreira com o uso de Modelos Mentais e Padrões Emocionais?

Essa pergunta é sensacional e, acredite em mim, a resposta pode ser libertadora.

E antes, vamos conceituar Modelo Mental e Padrão Emocional.

Modelo Mental é o padrão de pensamento que estabelece a visão de mundo, que influencia a capacidade de sentir emoção, fazer escolhas (tomar decisões) e agir tanto para motivar quanto sabotar.

Padrão Emocional são emoções e sentimentos advindos de experiências carregadas de significados dados pelo modelo mental.

Diante desses conceitos fica mais viável pensar o seguinte: que modelo mental eu poderia desenvolver para gerar as emoções aderentes de forma que eu tenha os comportamentos que me levarão aos resultados assertivos na minha vida e carreira?

Somos seres aprendentes e aprendizes. Aprender é a habilidade essencial e aprender muda o modelo mental por meio de aspectos neurológicos como neuroplasticidade* e neurogênese**

Esse é o cerne do Modelo do Pensador, a teoria que desenvolvi, que virou um livro, onde mostro que os resultados que busco na vida acontecem pelas decisões e comportamentos que tenho e, estes, têm uma enorme influência de como penso (modelo mental), sinto (padrão emocional) e ao que dou importância e prioridade (sistema de valores).

Isso pode ser mostrado nessa expressão:

Decisões = Função (emoções x crenças x valores)

O que significa que todas as decisões que você toma e executa por meio de seus comportamentos, são influenciadas pelas suas emoções, crenças e valores. Daí, a importância do autoconhecimento. Aquele ou aquela que não conhece a si mesmo, navega nesse mundo sentindo mais dor do que deveria sentir.

*plasticidade neural é definida como a capacidade do sistema nervoso modificar sua estrutura e função em decorrência dos padrões de experiência, e a mesma, pode ser concebida e avaliada a partir de uma perspectiva estrutural (configuração sináptica) ou funcional (modificação do comportamento).

**a formação de novos neurônios. Até meados do século XX, pensava-se que os neurônios só eram formados enquanto o cérebro se desenvolvia e que quando este desenvolvimento cessava a formação dos neurônios também acabaria.

7- Muita gente simplesmente não aceita o novo e tem grandes dificuldades em lidar com as mudanças. Como trabalhar a questão Mudança x Transformação em um viés positivo?

Vamos procurar entender o seguinte:

MUDAR é deixar de ser quem você é/foi – isto é, pessoas mudam. Deixam de ser como eram, mudam as roupas, trocam de hábitos, de empregos e lugares com o passar do tempo. Isso é normal, basta apenas saber o que você não quer mais pra sua vida. Isso é até mais comum do que se transformar.

Quando alguém está insatisfeito com sua atual condição de vida, ele se pergunta: “como faço para sair disso que estou vivendo?” – A questão chave é “COMO FAÇO PARA SAIR DISSO”. Outra herança da era industrial onde o valor estava apenas no fazer. O pensar era para poucos.

TRANSFORMAR é se tornar quem você quer ser – e isto é outra liga, outro nível. Exige que você pense, faça escolhas, tome decisão, decida quem você quer ser tornar para realizar o que quer realizar.

Quando alguém está insatisfeito com sua atual condição de vida e quer transformar, a ideia é a pessoa se fazer as seguintes perguntas:

“O QUE QUERO NO LUGAR DO QUE TENHO?”

“POR QUE ISSO É IMPORTANTE?”

“COMO FAREI PARA CHEGAR LÁ?”

 Então ela construirá um pensamento estratégico de busca e de transformação (diferente de um pensamento de mudança e fuga). É nesse ponto que costumo trabalhar com as pessoas, nos conceitos de liderança, estratégia e gestão pessoal, ajudando a fazer suas escolhas e agir sobre seus modelos mentais, padrões emocionais e sistema de valores.

A maioria das pessoas sabe bem o que NÃO QUER enquanto que, para realmente construir um futuro, é preciso criá-lo, saber o QUE QUER para si, sua vida e seus comportamentos.

A partir disso, cada indivíduo deverá desenvolver o que considero a competência crucial de seres humanos adultos: tomar decisões/fazer escolhas e assumir a responsabilidade.

8- Em um de seus posts, você diz que “As pessoas tendem a buscar no outro a felicidade ou a parcela do que lhes falta (ou acha que falta)”. Na sua percepção e experiência, por qual motivo isso acontece e de que forma podemos nutrir um relacionamento mais saudável, seja nos negócios, na esfera corporativa e mesmo pessoal?

Esse pensamento permeia um modelo mental construído desde a mais tenra infância quando somos levados a sentir (até mesmo antes de pensar) algo doloroso caso não façamos o que o outro (normalmente pai, mãe, cuidadores) esperam de nós, criando uma condição para ser feliz:

“Se eu agradar a minha mãe, ela me dará algo e isso me deixará feliz”

“Quando eu tiver uma namorada, eu serei feliz”

“Serei feliz quando fizer a viagem dos sonhos”

“Quando me aposentar, será o dia mais feliz da minha vida”

De uma certa forma, fomos ensinados que a felicidade está fora e/ou no outro: a tampa da panela, a metade da laranja, o emprego dos sonhos, o carro, a casa, etc.

Outro aspecto nefasto mora na ideia que muitas pessoas fazem do tempo, fragmentado em Passado, Presente e Futuro.

Esse modelo mental pode ocasionar o seguinte:

A pessoa vive hoje, mas com a vida no passado (um passado talvez mais prazeroso que o presente) e isso a deixa deprimida;

Ou a pessoa vive hoje, mas com a vida no futuro (que ela acredita que será melhor que o presente, mas não age para que isso aconteça) e isso a deixa ansiosa.

E, na verdade, o tempo é UNO. O passado é causa do presente e o futuro e efeito do presente.

Fragmentar o tempo tem sido a causa (residente em determinados modelos mentais). Integrar o tempo e compreender que todas a épocas nos tornam quem somos seria o um novo modelo mental a ser avaliado.

Tanto a ideia de que a felicidade vem do outro ou de fora, quando a ideia do tempo ser fragmentado são reflexos de modelos mentais, são interpretações de uma visão de mundo a partir de referências de terceiros (pai, mãe, cuidadores, etc), que cria uma condição de dependência emocional, estado que percebo uma grande maioria de seres humanos adultos.

Trafegamos pela vida exercitando quatro dimensões:

Física, intelectual, emocional e espiritual.

Em todas elas devermos procurar desenvolver as etapas que configuram o ciclo da maturidade: dependência, co-dependência, independência e interdependência.

Aprender isso é a missão de vida de um líder.

Uma vez aprendido isso, a pessoa adulta se dá conta de que ela, nesse estágio da vida, não precisa do outro, mas pode e deve estar com o outro para construir algo maior, sendo o melhor indivíduo que possa vir a ser naquela coletividade, naquela sociedade, naquele time, naquela família.

Essa é a real distinção entre individualidade e individualismo.

A individualidade tem algo se preparar para doar ao outro, algo de altruísmo, de contribuição e legado.

O Individualismo tem algo voltado para um certo egocentrismo, de obtenção de benefícios para si mesmo, sem se importar com o outro.

A ideia de acreditar que a felicidade está no outro, desenvolve uma personalidade egoísta, fazendo com que o individuo (mais individualista do que preparado em sua individualidade) buscará satisfazer suas necessidades no outro/no que está fora (parceiro, emprego, carro, etc).

Para nutrir um relacionamento mais saudável, seja nos negócios, na esfera corporativa e mesmo pessoal eu convido a todos a fazerem o seguinte exercício:

Avalie o seu grau de satisfação com o item (relacionamento, negócio, esfera corporativa e pessoal) que tem no momento presente.

Escolha uma área para promover a transformação.

Defina o que quer como novo resultado no item, por que tal resultado é importante e defina os comportamentos necessários para viabilizar e construir o resultado que almeja.

Aí começa o desafio: mudar a si próprio, quando a maioria espera que o mundo mude para ser feliz, e isso é um devaneio, mais do que uma ilusão.

9- Qual o caminho para aquele que está cansado de trocar a vida por um salário e o salário por contas?

Antes de apontar o caminho, há que se decidir pelo destino.

Isso é sensacional. A pergunta reflete o impulso inicial da maioria das pessoas: “que caminho devo buscar para trocar de vida?”

Mas como definir um caminho sem antes saber o destino, sem saber que vida quero ter no lugar da vida que estou tendo?

Respondendo à pergunta de forma tão estratégica quanto didática (e foi isso que fiz em 2007, quando me dei conta que estava vivendo dessa forma – trocando a vida por um salário e o salário por contas), a reposta é a seguinte:

Se uma pessoa está cansada de trocar sua vida por um salário e este por contas, ela deverá empreender profundamente na transformação de sua vida tomando decisões para as seguintes questões:

Que vida quero no lugar dessa vida que estou vivendo?

Por que isso é importante? O que isso vai me proporcionar?

Como farei para construir essa vida que tanto almejo?

Esse é o construto de um pensamento estratégico.

O problema é que a pessoa deverá tomar uma decisão de DECISÃO é uma obra de dois atos:

Ato 1 – o momento em que declaro a decisão tomada – um evento com sensação no presente;

Ato 2 – o momento a partir do qual a pessoa deverá empreender esforços para construir a vida que visiona – um processo com realização futura.

E é aí que o desafio se instala, pois fazer promessas é fácil; cumprir a promessa é o desafio, leva tempo e é onde as pessoas desistem, principalmente se deixarem-se levar pelos discursos atuais de felicidade instantânea e não uma felicidade construída.

Isso separa as crianças dos adultos.

Pois a criança quer que o mundo seja do jeito dela e o adulto constrói a partir das decisões que toma diante das circunstâncias que o cerca. E em um dado momento ele deverá deixar o certo pelo o que acredita e, nesse aspecto, o planejamento estratégico é essencial como instrumento de redução de risco, sem qualquer pretensão de eliminá-lo.

Há que se ter coragem para ser feliz, assumir a responsabilidade, puxar pra si os deveres e merecer os direitos que conquistou.

10- “Quando sua vida, seu negócio, sua carreira, estão fundamentados sobre Princípios e Valores, mesmo que o dinheiro suma, eles se abalam, eles vergam, mas não quebram.” Frase sua, de um impacto tremendo, aliás. O que você diria para aquele empreendedor que infelizmente, não conseguiu suportar a crise recente que assolou o mundo? Aquele empresário que quebrou e não encontra mais perspectivas de continuar tocando seu negócio?

Uma das coisas mais instigantes do meu trabalho é que posso conhecer muitas pessoas! Mas muitas pessoas mesmo! Conheço pessoas todos os dias.

E pessoas com resultados diferentes. É importante entender que sucesso e fracasso são apenas resultados.

E as vejo navegando em sua jornada. São pessoas diferentes que navegam no mesmo mar, sob o mesmo vento, sob as mesmas condições externas, mas que obtém um resultado diferente: alguma obtém o sucesso; outras obtém o fracasso, dois diferentes resultados.

Vou distribuir esse grupo de pessoas em três times: os líderes, os seguidores e os observadores.

Os observadores são a maioria quantitativa. Eles são mestres em observar e sentenciar verdades. “O vento está ruim, não da pra navegar”; “o mar está revolto, não vai dar pra chegar lá”; “se não fosse o mar e o vento teríamos chegado lá”. Observadores sugam energia, inventam justificativas e criam suas próprias verdades. Que na maioria das vezes os fazem ter razão, mas os impedem de ser felizes.

O segundo grupo é o de seguidores. São menos em quantidade do que os observadores. Mas são mais qualitativos. Eles também observam, mas observam os líderes. O que aqueles que estão obtendo os melhores resultados estão fazendo, sentindo e pensando. Eles não criam sentenças, mas fazem perguntas: “o que os líderes estão fazendo?”; “Como eles pensam?”; “Quais líderes devo me espelhar?”. Os seguidores fazem as coisas acontecerem e boa parte das mudanças do mundo parte de suas mãos.

E há os líderes. Além de serem profundos buscadores, são também acreditadores. Acreditam que é possível. E fazem perguntas o tempo todo. Perguntas que nunca foram feitas antes, pois buscam uma condição, um resultado que nunca obtiveram antes: “Como seria se não fosse assim?”; “Qual a condição para que se torne como visualizo?”; “O que eu nunca fiz que, se fizesse, mudaria toda a minha vida?”. Líderes fazem perguntas que desafiam seu próprio modelo mental. Estão a todo o instante enfraquecendo o ego e fortalecendo a consciência.

O que basicamente difere o observador, o seguidor e o líder é a forma como pensam.

Uma vez que o pensamento é o nível criativo das coisas, modificar nossas mentes é o melhor jeito de nos dar poder pessoal.

O mundo é o mar, as pessoas são os barcos e as velas são os seus pensamentos e emoções.

Aceite o mar, sua vida e a circunstância na qual você se encontra. Coloque o barco no mar, posicione-se dentro dele e defina um destino, uma nova vida ou uma nova circunstância, um novo resultado.

Acerte as velas, oriente o seu pensamento para o amor, a confiança e a prosperidade.

Depois me diga se navegou como observador, seguidor ou líder. E fazer isso tendo como base os princípios e os valores torna o indivíduo mais forte.

Aqueles que tiveram um resultado ruim durante a pandemia os tiveram pelas decisões que tomaram em função do que acreditavam e, talvez, não estavam dispostos a transformar, ou seja, talvez tenham mais se preocupado com o problema e não verteram esforços com a solução, com o rearranjar as velas.

E irão precisar passar pelo que chamo de Ciclo Vencedor da Perda que passa por quatro etapas:

Revolta – a raiva advinda pela perda que viveu;

Conformismo – a condição de acomodação diante de circunstância que deixa a pessoa inerte, imóvel e paralisada nela, se colocando como vítima da situação;

Aceitação – entender a situação que vive aceitando o que não pode mudar e enfrentando o que pode iniciando sua auto transformação;

Superação – a transformação materializada em novos resultados apreendido com a situação anterior.

A humanidade está repleta de exemplos de pessoas que se superaram desafios e reveses. E esses tempos de pandemia também.

Ao superar, a pessoa irá reconstruir suas condições a partir dos aprendizados obtidos na última tempestade que enfrentou.

Muitos acreditam que o oposto de sucesso é fracasso, mas não é.

O oposto de sucesso é desistir.

O fracasso é uma etapa anterior ao sucesso para aquele que não desiste.

11- Valores, Princípios e Propósito são os 3 pilares para um negócio bem-sucedido?

São três pilares de uma pessoa bem sucedida (dentro do que ser bem sucedido significa para cada um de nós).

Pilares sobre os quais se pode construir uma existência sólida, nas diversas áreas da vida, embora não impeça os acidentes e os percalços que, quando ocorrem, podem ser reconstruídos sobre esses pilares.

Valores são o que lhe é importante e prioritário, podendo ser um valor tangível (bens) ou intangível (morais) e negociável de acordo com as circunstâncias;

Princípios são valores que não se negociam, independentemente do tempo e do espaço, não importam as circunstâncias;

E propósito e a sua razão de existir, revelada para aqueles que estão atentos, ao longo de sua existência.

E pessoas bem sucedidas, constroem uma vida e, consequentemente, negócios bem sucedidos apoiados nesses pilares, que encontram origem e destino em pessoas, não em negócios.

Negócios são feitos a partir, através e após as pessoas e ver isso de forma fragmentada é um outro equívoco da era industrial. Há que se integrar a visão.

12- Comente um pouco sobre seus projetos:

Escola de Adultos

A Escola de Adultos surgiu a partir de “lives” que comecei a fazer em 18/05/2020, como iniciativa para ajudar pessoas a enfrentarem a pandemia do novo corona vírus, algo incerto, cujo desconhecimento e notícias estavam trazendo uma enorme insegurança às pessoas.

A ideia consistia em fazer “lives” que ajudassem as pessoas a fortalecerem sua musculatura emocional a partir do exercício intelectual, físico e espiritual de conceitos que as ajudassem a praticar o que chamo de Jornada LEG, a jornada da Liderança, Estratégia e Gestão pessoal, unindo conceitos da administração à psicologia e à preparação de uma saúde emocional mais robusta, que ajudasse as pessoas a atravessarem suas tormentas mais equipadas. 

As “lives” seguiram a lógica de temporadas, com um tema como pano de fundo e hoje, a Escola de Adultos se tornou uma curadoria de conteúdo com mais de 150 aulas (frutos das lives) e com seus conteúdos transcritos em arquivo word para que você possa fazer suas próprias anotações.

Seu Maior Projeto – Grupo de Mentoria

É um processo de aceleração de desenvolvimento humano através do acompanhamento de um Mentor, profissional mais experiente na área de atuação desejada. É realizada por meio da relação mentor-mentorado, onde o Mentor é o expert em determinada área de atuação, com anos de experiência, é referência na área. E o Mentorado é um indivíduo que tem como objetivo crescer pessoal e profissionalmente para atingir seus objetivos. Para isso, conta com a ajuda de um profissional mais experiente que vai facilitar sua caminhada. A equipe de mentorados é o grupo de indivíduos que fazem parte desse processo e por estarem engajados em seus objetivos, deverão estar engajados com os demais participantes, auxiliando uns aos outros.

O SEU MAIOR PROJETO deve ser entendido com sendo a sua vida. Sua vida deve ser o SEU MAIOR PROJETO. E nesse programa, o mentorado irá priorizar o que, neste momento ele quer fazer acontecer, realizar, concretizar o projeto que ele decidir realizar. A depender a escolha que ele fizer poderá acontecer uma de duas possibilidades:

  1. ele irá concretizar o seu maior projeto dentro do prazo do programa, isto é, 12 semanas, ou
  2. caso seu projeto demande um tempo maior para sua total realização, ele sairá do programa com o cronograma completo para sua conclusão e com os recursos internos necessários para a realização no prazo que ele determinar. Nesses casos o Mentor manterá contato com você até que o SEU MAIOR PROJETO esteja concluído, não importa o tempo que for determinado.

Desafio Xerpa – Imersão para Crescimento Pessoal

Uma imersão de autoconhecimento que faz os participantes acessarem recursos internos capazes de faze-los tomar decisões, fazer as escolhas certas, entender porque tais escolhas são importantes e leva-los aos resultados que querem obter em suas vidas.

É um forte processo de auto observação, auto correção e auto transformação que coloca. O participante em um outro patamar diante dos desafios do dia-a-dia.

E eu faço o papel do Xerpa nesse desafio de cada participante conquistar o seu Everest, onde ele é guiado e terá todo o apoio necessário para atingir os resultados que tanto almeja. 

INSTIAD – PJ para projetos de Consultoria

INSTIAD Human & Business School é uma escola/consultoria de livre atuação voltada para o desenvolvimento integral de indivíduos, equipes e organizações, atuando na Liderança, Estratégia e Gestão, levando líderes para um próximo nível de resultados.

Nossa missão é levar líderes para o próximo nível através de educação livre, fundamentada em autoconhecimento e assunção de responsabilidade.

Ajudamos a formar líderes que inspiram e formam outros líderes; que entregam resultados a partir da escolha consciente de seus comportamentos, emoções e crenças, de acordo com seus valores, princípios e propósito.

Nossa filosofia, modelos teóricos e métodos de desenvolvimento integral possibilitam maior consciência, assunção de responsabilidades, melhor processo de tomada de decisão e entrega de resultados superiores, de modo consistente e sustentável.

Temos tido muito sucesso no desenvolvimento desta nova liderança, levando-a para um próximo nível.

Este trabalho fundamenta-se em duas premissas, a elevação do autoconhecimento e assunção de responsabilidade.

Acreditamos que para se tornar um líder melhor, é necessário tornar-se primeiro um ser humano melhor, alguém que conhece e vive pelo seu propósito, age de acordo com seus princípios e valores, supera travas e crenças enfraquecedoras, compreende suas emoções e as coloca a seu favor, escolhendo novos comportamentos para obter novos e melhores resultados, em todas as áreas da vida, nos múltiplos papéis que desempenha.

Acredito que fortemente que resultados são obtidos por meio da Liderança, da Estratégia e da Gestão. É isso que nos move e é nesse caminho que temos apoiado indivíduos, equipes e organizações.

E têm ainda os projetos de desenvolvimento humano que são individualizados e customizados para ajudar pessoas a buscar seus melhores resultados de forma exclusiva e intensiva num espaço de 60 a 120 dias.

13- Numa escala de zero até dez, qual a importância do autoconhecimento para aquele que busca alcançar seus resultados e objetivos?

Onze, eu diria.

Conhecer e aprender sobre si mesmo é a condição milenar e que os dias atuais estão exigindo que líderes aprendam.

Conhecer como pensa, como sente, o que lhe é importante e prioritário na existência são os pilares da auto liderança e, se estamos vivendo a era do conhecimento, eu diria que estamos por adentrar a era da consciência, onde o livro mais importante é o do autoconhecimento.

Todos somos livres dentro da prisão que escolhermos viver e a pior delas e a prisão mental, um modelo de o mundo estreito. Eu arriscaria dizer que todos os males, todas as guerras e todas as pandemias que assolaram o mundo nasceram de modelos mentais limitados.

14- Comente um pouco sobre o seu livro, “O Modelo do Pensador”.

O livro é fruto da pesquisa feita na época do doutorado e convida o leitor a fazer uma atividade tão inerente quando rara nos seres humanos: pensar.

O livro reúne conteúdo que pode mudar o olhar sobre liderança, estratégia e gestão, tornando esses elementos mais simples e, por isso, mais eficazes, a partir da compreensão do funcionamento do capital humano.

Logo após a era industrial, os líderes tiveram que estudar acerca do capital financeiro, visto que uma nova era de competição se aproximava. Agora, chegou a hora dos líderes aprenderem sobre o capital humano, mais volátil, mais desafiador e o verdadeiro promotor do capital financeiro.

Indivíduos operam de forma complexa e este livro ambiciona estratificar e simplificar os elementos que formam a performance humana para resultados a partir de comportamentos, emoções, crenças, e valores, estendendo para princípios e propósito.

Oferece, assim, uma estrutura de entendimento claro também para equipes e organizações.

O conteúdo do livro desafia o modelo mental e intenciona altera a forma como pessoas sentem e agem e, com isso, ajuda-las a obter melhores resultados em suas vidas.

15- Gestão da Inteligência Emocional: até que ponto ela influencia o sucesso de uma pessoa?

Emoção é aquilo que nos move, que nos faz sair de onde estamos ou ir para onde queremos ir.

É a origem dos comportamentos, que inicia na fuga da dor ou na busca do prazer.

Esse binômio, dor e prazer, representa, em um certo sentido, o espectro de emoções em seus dois extremos, com as variações de suas intensidades entre tais extremos e que fazem as pessoas se movimentarem na vida.

Se algo está ruim, as pessoas querem sair dali; se algo pode ficar bom, as pessoas querem se mover para lá.

Inteligência emocional significa saber lidar com as emoções à medida que elas surgem, as próprias e as do outro. Porém vale lembrar que as emoções nascem de nossas interpretações das experiências que temos ao longo da vida.

Uma vez me perguntaram como se pode ser feliz tendo o passado que a pessoa teve. Eu respondi: seu passado não te define e o que está no passado foi o evento ocorrido, mas o significado do evento você pode reformular, ressignificar, e isso é possível quando você tem um modelo mental treinado para fazer esse processo de ressignificação.

Um bom alinhamento entre a forma de pensar e a forma de sentir pode ser determinante para que uma pessoa tenha uma existência mais feliz e bem sucedida.

16- Novamente, obrigado pela atenção. O espaço é seu para deixar um recado para nossos leitores.

Eu agradeço muito pela receptividade, acolhida e pelas oportunidades que, juntos, iremos criar.

O recado que eu deixo para os leitores é que estejam atentos às suas vidas observando os pontos abaixo:

  1.     assuma integralmente a responsabilidade sobre sua vida, pois é a sua vida
  2.     reduza seu julgamento sobre as pessoas e, no lugar disso, procure aprender sobre elas, sem simpatia ou antipatia, mas com empatia
  3.     saiba que o presente que você está vivendo será a matéria prima de seu futuro, que é o lugar onde passaremos nossa vida, portanto olhe para ele, crie-o e construa seu futuro com base no seu presente e com os aprendizados do seu passado
  4.     Entre em ação, faça acontecer. Não espere mais um curso, mais um treinamento, mais uma formação, mais uma reunião: comece agora, de onde você está e com os recursos que já tem
  5.     Aprenda com tudo o que fizer. Não existe fracasso; só existe resultado. E o Sucesso é o passo logo após os fracassos construídos
  6.     Transforme-se, esteja em constante atualização de seu modelo mental e de seu padrão emocional mantendo sua base de princípios e valores

São passos simples e que convidam a dedicação e a d perseverança para que produzem resultados satisfatórios.

E como frase final lembre-se:

O oposto de sucesso não é o fracasso.

O fracasso é a etapa anterior àquele que quer ter sucesso.

O oposto de sucesso é desistir.

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