Palestras de Sucesso Entrevista Luciane Botto – Parte 1

1- Primeiramente, obrigado por aceitar este convite para a entrevista, Luciane! Sua abordagem tem ajudado a transformar gestores em líderes mais humanos. Quais técnicas ou práticas você utiliza e indica para inspirar líderes a adotar uma abordagem mais humanizada no ambiente corporativo? 

Obrigada! Estou muito feliz por compartilhar com vocês sobre esses temas que são tão reais e urgentes nas organizações! 

Antes de começar qualquer trabalho, eu procuro saber sobre a cultura da empresa, desafios que vem enfrentando… tudo isso para criar algo capaz de “despertar” a mudança de mentalidade e comportamento. Gosto de trazer conteúdos originais, até então desconhecidos pela maior parte das pessoas, como abordagens novas e ferramentas que auxiliem as pessoas a enfrentar e vencer os desafios atuais. Evito repetir técnicas ou falas que todo mundo já sabe – ou que ninguém consegue praticar. 

A questão é: cada vez mais, as pessoas querem novidades. E com o tempo cada vez mais escasso, querem aprender rápido e aplicar logo em seguida. Em palestras, team buildings e workshops, meu objetivo é gerar impacto e manter a atenção. Falo de assuntos importantes, necessários, e que muitas vezes podem ser até desconfortáveis – mas precisam ser ditos. 

Por que faço isso? Porque entendo que a mudança precisa acontecer, senão eu não estaria lá no palco. Meu papel, na maior parte das vezes, é tirar as pessoas da zona de conforto, mostrar diferentes perspectivas e inspirar. 

Como faço isso? Criando diferentes estímulos – que podem acontecer a partir de uma fala, frase, história, música, atividade, dinâmica de grupo ou qualquer outro tipo de interação. A cada atuação, crio estímulos que despertam reflexões e mudanças. Essa é a arte do encontro. 

Outro dia, ao final de um trabalho, um cliente falou que reúno conhecimento, experiência com profundidade e sensibilidade/ leveza. E é isso aí, exatamente a essência que está em cada trabalho que realizo.

Meu trabalho é despertar nos líderes a consciência de que é possível fazer diferente e que o melhor líder é o melhor ser humano.

Como você despertou para esse propósito de despertar pessoas para a evolução? O que você descobriu, com a sua jornada, sobre essa “arte de desenvolver pessoas”?

Sou uma observadora de pessoas nata. Ao longo desses 18 anos acompanhando líderes e times em todo Brasil (ministrando aulas em MBA, palestras/treinamentos/mentorias em empresas), pude desenvolver uma leitura mais acurada sobre como pessoas interagem entre si. Escutei muitas histórias, participei de vários processos de transformação. Dessas experiências, também fui buscar formações e desenvolver novas práticas. Nunca parei de estudar e sempre procurei aplicar o que aprendi. Quanto mais eu aprendia e aplicava, mais eu me mantinha atualizada e me aprimorava em termos de didática. Dessa busca, nasceu um livro (“Liderança Integral: a evolução do ser humano e das organizações” – Editora Vozes), uma abordagem transformadora (inédita) e diversas práticas.

De lá para cá, meu objetivo é criar intervenções que possam realmente despertar a mudança nas pessoas e organizações. 

Nessa jornada, um fato curioso que descobri foi que as empresas contratam “n” treinamentos por aí para temas como liderança, comunicação, inteligência emocional, feedback. Só que o problema nem sempre é a falta do conteúdo em si (porque os participantes já dominam as técnicas relacionadas a esses temas). O que acontece é que as pessoas até conhecem as técnicas, mas não praticam ou não conseguem os resultados desejados. Sabe por que? Porque não o problema não está com a ferramenta, mas com a falta de consciência. Enquanto as pessoas não despertarem verdadeiramente para a necessidade de mudar e fazer diferente, a mudança não vai acontecer. 

Você não transforma um chefe tirano num líder humano simplesmente falando para ele que precisa ser assim. É preciso compreender o contexto, o ambiente, a cultura da empresa. Se esse chefe se orgulha do que faz e sente que tem resultados com isso, vai continuar agindo assim. Para transformar, não basta ter conteúdo. “Só o conteúdo” não convence, porque ninguém vai mudar por obrigação se o tema exposto não fizer sentido. É preciso algo mais, é preciso despertar. E isso está além das técnicas, porque é uma questão de consciência, que começa a ser despertada a partir do momento que um gestor constata os impactos (positivos e negativos) que ele causa com sua gestão. 

A questão é: você pode ter a ferramenta certa, mas se tiver pessoas atuando como meros “robôs”- sem pensar nos impactos que causam aos outros, não haverá resultado sustentável. Com o tempo, as pessoas ficam distantes, pouco engajadas, e até o nível de retenção reduz. E isso é muito preocupante!

2- A capacidade de tocar o coração das pessoas é uma de suas marcas registradas. Como equilibrar a sensibilidade com a necessidade de transmitir mensagens práticas e aplicáveis para o mundo corporativo?

Nesse mundo BANI (frágil, ansioso, não-linear e incompreensível), precisamos transmitir a mensagem que precisa ser repassada com objetividade, clareza, mas ao mesmo tempo profundidade. Vivemos um tempo em que as pessoas estão cada vez mais apressadas. Querem consumir rápido o conteúdo, aprender e em seguida aplicar. E eu desenvolvo o conteúdo com base na necessidade do cliente justamente pensando nisso, mas sem que isso seja algo superficial. 

Procuro trazer ferramentas e abordagens “fora do lugar comum”. As necessidades que as pessoas e empresas têm são urgentes, então compreendê-las, traduzi-las e customizá-las sob a forma de Palestra, Team Building ou Workshop é o meu trabalho. A “forma” como escolho apresentar esse conteúdo é o grande diferencial, porque para prender a atenção não basta ter a parte racional. É preciso emoção.

É preciso “tocar”, “despertar”. Falo de coisas sérias, mas de forma leve, humana. 

Não adianta ter teoria sem a possibilidade de prática. E não adianta repassar toda teoria se não fizer sentido aquele aprendizado. A pessoa só aceita mudar quando realmente desperta para essa necessidade. Por isso, alio razão e emoção. 

3- Você menciona que não acredita em soluções genéricas, tanto que cada palestra que você ministra é personalizada. Pensando em temas como vendas, atendimento ao cliente e empreendedorismo em geral, como personalizar os atendimentos, vendas e os negócios para adequá-los às necessidades exclusivas de cada cliente, pessoa e mesmo organização?

Antes de criar uma palestra, eu estudo a empresa e a sua cultura. Considero importantíssimo compreender o objetivo que o cliente deseja com a minha atuação e as mensagens que ele quer que sejam reforçadas/ compartilhadas. A partir dessa conversa, crio um storytelling específico – o que faz com que o resultado seja reconhecido como algo original, atual e útil.

Para mim, cada cliente é um cliente, e as necessidades são diferentes. Criar uma palestra baseada nas experiências de cada empresa dá mais trabalho – mas o resultado é diferenciado. Constato isso quando o cliente diz: “era exatamente isso que as pessoas precisavam escutar!” 

4- Como o foco no lado humano dos líderes pode impactar positivamente os resultados das empresas? Você poderia compartilhar um exemplo de como isso se traduziu em sucesso para alguma das empresas atendidas por você? 

A liderança acontece pelo exemplo. Quando um líder muda, as pessoas percebem, sentem, e aí sentem a necessidade de mudar por elas mesmas também, se comprometem.

Tive o caso de um CEO de empresa que reagia de forma explosiva e tóxica com todo o time, tanto presencialmente quanto nas mensagens que escrevia para as pessoas. Fiz um trabalho de Mentoria com ele e também com o time. Já no segundo encontro, ele reconheceu o impacto negativo que estava causando na empresa e se comprometeu a mudar.

Mudou mesmo! Isso aconteceu há mais de 5 anos, e até hoje escuto por lá que o “impossível aconteceu”. Resultado: as pessoas ficaram muito mais próximas, engajadas e seguras. A rotatividade diminuiu, e a comunicação agora flui. 

Por isso falo tanto sobre “despertar para evoluir”. A pessoa muda, o time muda e a empresa como um todo se transforma. É isso que acontece.

 

5- Em algumas palestras, você utiliza música para criar uma conexão emocional mais profunda. Como a música complementa suas apresentações e como ela é recebida pelo seu público?

Eu amo a música. Fui pianista desde criança, e sempre adorei cantar. A música é a forma leve que encontrei de compartilhar mensagens profundas de coração para coração.

A música tira as pessoas das suas armaduras, reduz a defensiva e deixa o público mais aberto para receber a mensagem que precisa ser dita. A música é a “cereja do bolo”, o momento inspirador e emocionante da palestra, e complementa bem os conteúdos que estou trazendo. As pessoas cantam junto, choram, batem palma, dançam. Tudo dependerá do “tom” que deve ser trazido para a palestra: reflexão, celebração ou outros.

6- Vamos falar sobre Inteligência Emocional e Liderança. Você aborda temas como inteligência emocional em suas palestras. Qual é a importância da inteligência emocional na liderança e como ela pode ser desenvolvida?

O líder deve ser o exemplo de ser humano na empresa. Ser humano não significa ser um “super-heroi”, mas uma pessoa como todas as outras que sente emoções e também tem as suas vulnerabilidades, que também está em busca de se tornar uma pessoa melhor.

Se o líder tem a consciência das suas emoções, saberá reconhecê-las e expressá-las da melhor forma.

O ponto de partida para a Inteligência Emocional é o Autoconhecimento e o pré-requisito é ter vontade de querer evoluir. Não basta dominar as técnicas, é preciso querer aplicá-las.

7- Você menciona que trabalha com empresas que buscam mais do que resultados numéricos, mas também crescimento sustentável e ético. Sabemos que não há uma “receita de bolo”, contudo, em linhas gerais, quais são as características de uma empresa que prioriza um crescimento sustentável e que não foca apenas em números? Quais ações esse tipo de organização costuma adotar e quais os benefícios que ela gera para seus colaboradores? 

São empresas que têm visão e valores claros, que querem crescer e ter resultados sustentáveis sim, mas sem sacrificar as pessoas com culturas tóxicas. Querem inovar, mas buscando uma estrutura adequada e profissional, com práticas de governança transparentes e responsáveis.

São empresas que se preocupam com o clima da empresa, em ter um ambiente com Segurança Psicológica, aberta ao aprendizado e ao diálogo. Que procuram manter um diálogo aberto e contínuo com todos os stakeholders, incluindo funcionários, clientes, fornecedores e comunidades, para entender suas necessidades e expectativas. São empresas que valorizam e investem no desenvolvimento de seus colaboradores, oferecendo treinamentos, oportunidades de crescimento e um ambiente de trabalho saudável, inclusivo e seguro. Com isso, as pessoas se engajam mais, se entregam mais e atuam de modo mais coletivo, contribuindo para o resultado cada vez melhor

Um bom clima de trabalho somado a oportunidades de desenvolvimento contínuo contribui também para a retenção de talentos, além de aumentar o engajamento e o senso de pertencimento. Quando as pessoas sentem orgulho de fazer parte, melhora também a reputação e imagem de marca. Eu realmente acredito que as empresas que focam no crescimento sustentável estão mais preparadas para enfrentar desafios e sobreviver.

8- Sua abordagem foge da “mesmice” e superficialidade. Quais são suas estratégias para manter suas palestras inovadoras e envolventes, evitando o clichê?

Como um empreendedor poderia lançar mão desta mesma linha de raciocínio e se posicionar no mercado como um profissional, empresa ou marca diferenciada? 

Procuro estar sempre atualizada, me mantendo informada com relação a notícias, mudanças e ferramentas. O superficial, o fácil todo mundo entrega. O diferente dá trabalho, porque demanda estudo e horas de pesquisa, análise. 

Há 15 anos defendi minha dissertação de Mestrado e aprendi a pesquisar. De lá para cá, foram anos de sala de aula e auditório, treinando mais de 40 mil pessoas no formato presencial. A cada atuação, me reinvento. Não gosto de repetir o que já fiz antes porque acredito que a excelência está em sempre melhorar o que já fazemos bem, e adaptar ao desafio. 

Acredito que cada pessoa tem a sua história, as suas experiências e o seu propósito, o que a torna única. Saber explorar isso com originalidade é o primeiro passo para se posicionar e vencer. 

9 – Além das palestras, você também realiza Treinamentos/ Workshops e Team Building. Quais são algumas das atividades ou exercícios que você utiliza para promover a colaboração e a coesão nas equipes?

Para cada trabalho, crio vivências, experiências que “despertem” a pessoa para a necessidade de mudança ou aprendizado. A partir do impacto de cada atividade, as pessoas relacionam a vivência com o dia a dia na empresa e refletem sobre o que precisa ser mudado.

Aí é que eu entro com as ferramentas e práticas. Isso pode ser feito no formato de Team Building, fora do ambiente de trabalho, dentro e fora de sala. É realmente transformador. 

10- Você é coautora do livro “Liderança Integral: A evolução do ser humano e das organizações”. Como a filosofia da liderança integral se traduz em suas palestras e como ela pode ser aplicada no contexto corporativo?

A base da abordagem do livro é que o melhor líder é o melhor ser humano. Nas minhas atuações, falo sobre contexto, mudanças e como despertar para novos níveis de consciência e evoluir.

A base para isso tudo é o autoconhecimento, o equilíbrio entre corpo, mente, emoções, relacionamentos e sombras. Somado a esses pontos de desenvolvimento do indivíduo, temos também algumas “atitudes do líder integral”, que são: propósito, accountability, honestidade, integridade e humildade.

Essa abordagem transformou a minha vida e é uma bússola para todos que passam a conhecê-la.

11-  Seu público-alvo inclui empresas que buscam um ambiente de trabalho saudável. Quais são algumas das práticas recomendadas para criar e manter um ambiente saudável e produtivo?

Criar e manter um ambiente saudável e produtivo envolve várias práticas essenciais, como:

–  Ter uma cultura de respeito entre líder e liderados, bem como entre colegas de trabalho; 

– Ter uma comunicação eficaz, transparente e com feedback contínuo;

– Reconhecer e recompensar conquistas regularmente; 

– Oferecer um ambiente inclusivo e diversificado, com políticas de diversidade;

– Equilibrar a vida profissional e pessoal com horários flexíveis;

– Investir no desenvolvimento profissional e oferecer treinamentos / planos de carreira;

– Fornecer tecnologia adequada para aumentar a eficiência. 

Essas práticas resultam em maior produtividade, retenção de talentos, inovação, e uma melhor reputação para a empresa.

(Continua na parte 2…)

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Luciane Botto

Despertar para evoluir !

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