Você tem medo de dar errado. Mas e se o maior risco for não viver a vida que você quer?

7 lições de Karina Oliani para quem precisa decidir antes de se sentir pronto

O medo costuma chegar antes das decisões importantes. Ele aparece quando alguém considera mudar de direção, assumir uma responsabilidade maior, apresentar uma ideia, iniciar um projeto, colocar um limite ou abandonar uma situação que já deixou de fazer sentido.

A pergunta quase automática é: e se der errado?

Ela é legítima. Algumas decisões realmente podem dar errado, e ignorar essa possibilidade dificilmente seria coragem. Seria imprudência.

A trajetória de Karina Oliani ajuda justamente a separar essas duas coisas.

Médica, montanhista, apresentadora e palestrante, Karina construiu boa parte da vida profissional em ambientes nos quais avaliar risco é uma necessidade concreta. Sua palestra “Qual é o seu Everest?” trabalha temas como coragem, comprometimento, planejamento estratégico, trabalho em equipe, gerenciamento de riscos e perseverança. Palestras de Sucesso

Por isso, talvez a parte mais interessante de suas falas não esteja simplesmente em incentivar alguém a avançar.

Está em mostrar como escolher aquilo pelo qual vale a pena avançar e como se preparar para isso.

ANTES DE DECIDIR
Perguntar o que pode dar errado é necessário. O problema começa quando essa pergunta ocupa tanto espaço que nunca sobra tempo para perguntar quanto pode custar não tentar.

1. O maior medo pode não estar no risco. Pode estar no arrependimento

Karina já resumiu essa ideia de maneira muito direta ao dizer que seu maior medo é não viver a vida que deseja.

A força dessa reflexão está justamente em inverter a lógica habitual.

Quando pensamos em uma mudança, costumamos calcular o risco de agir. Quanto posso perder? E se eu me arrepender? E se a oportunidade não funcionar? E se a decisão se mostrar equivocada?

Raramente fazemos com a mesma profundidade o cálculo da permanência.

Quanto pode custar continuar cinco anos em uma situação que hoje já provoca desconforto? Quantas oportunidades são perdidas enquanto esperamos condições perfeitas? Qual é o preço de adiar indefinidamente uma conversa, uma mudança ou um projeto porque ainda existe medo?

Permanecer também produz consequências.

A primeira lição de Karina, portanto, não é abandonar tudo diante de uma insatisfação. É mais exigente: colocar os dois riscos na mesma balança.

O risco de mudar merece análise. O risco de nunca mudar também.

2. Coragem melhora quando você conhece o perigo

Existe uma diferença enorme entre coragem e ausência de percepção de risco.

Karina defende justamente que o medo pode funcionar como uma informação útil. Em ambientes extremos, ignorá-lo não torna alguém mais forte. Pode torná-lo menos preparado.

Essa lógica é bastante aplicável às empresas.

Um gestor não se torna corajoso porque toma decisões rapidamente sem conhecer os dados. Uma equipe não demonstra ousadia simplesmente porque aceita qualquer meta. Um empreendedor não aumenta suas chances porque se convence de que “vai dar tudo certo”.

Coragem começa quando o risco é reconhecido, estudado e incorporado à decisão.

Isso inclui conhecer cenários, desenvolver alternativas, reunir informação, preparar pessoas e saber quais condições tornariam necessário recuar.

Talvez por isso a trajetória de Karina funcione tão bem fora do montanhismo. O que parece uma história sobre enfrentar o medo acaba sendo também uma história sobre preparação para aquilo que não controlamos.

3. Escolher um caminho próprio pode dar mais trabalho, não menos

Existe uma narrativa muito atraente segundo a qual abandonar o caminho convencional significa imediatamente encontrar liberdade.

A experiência de Karina oferece uma leitura menos romântica.

Caminhos diferentes podem exigir mais esforço, mais explicações, mais preparação e maior disposição para conviver com incertezas.

Isso vale para quem muda de profissão, empreende, assume uma posição pouco convencional dentro de uma empresa ou tenta construir algo que ainda não possui referências claras.

 

O ponto é importante porque ajuda a substituir uma pergunta superficial, “qual caminho parece mais emocionante?”, por outra muito melhor:

Qual caminho faz sentido o suficiente para que eu esteja disposto a pagar o preço que ele exige?

Seguir uma escolha própria não elimina dificuldade.

O que muda é a relação com o esforço.

Quando existe clareza sobre aquilo que queremos construir, determinados sacrifícios deixam de parecer simplesmente obstáculos e passam a fazer parte de uma decisão assumida conscientemente.

4. O cume começa muito antes da montanha

Talvez uma das lições mais úteis da trajetória de Karina para empresas esteja justamente naquilo que quase nunca aparece nas fotografias.

Antes do Everest existe logística.

Existem equipamentos, preparação física, patrocínio, equipe, treinamento, estratégia e inúmeros problemas que precisam ser resolvidos para que alguém sequer tenha a possibilidade de tentar chegar ao topo.

Essa realidade se parece muito mais com a rotina de uma empresa do que a fotografia final da conquista.

Projetos costumam ser apresentados pelo resultado esperado: crescer, vender mais, conquistar um cliente, abrir uma unidade, lançar um produto ou alcançar determinada posição.

O objetivo cabe em uma frase.

A construção das condições para alcançá-lo pode levar meses ou anos.

Isso muda a forma de enxergar metas.

Uma meta ambiciosa sem preparação não é necessariamente coragem. Em alguns casos, é apenas uma expectativa grande apoiada em uma estrutura pequena.

O aprendizado de Karina é bastante concreto: antes de pensar no cume, construa as condições que permitirão chegar perto dele.

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5. Você não precisa viver permanentemente no cume para saber que está avançando

A cultura profissional gosta muito de resultados visíveis.

Promoções, contratos, recordes, faturamento, títulos e premiações oferecem sinais objetivos de avanço. O problema surge quando esses poucos momentos se tornam a única parte da trajetória considerada digna de satisfação.

Karina utiliza a própria montanha para lembrar que ninguém vive permanentemente no topo.

O cume dura pouco. A maior parte da expedição acontece antes dele, e uma parcela importante acontece depois.

Isso muda a maneira de enxergar carreira e projetos. Se a satisfação estiver sempre condicionada ao próximo resultado, grande parte da vida será passada em estado de espera. Por exemplo:

  • Quando eu conseguir a promoção.
  • Quando a empresa crescer.
  • Quando batermos a meta.
  • Quando eu tiver reconhecimento.
  • Quando finalmente chegar lá.

O próximo objetivo pode ser importante, mas a vida profissional acontece principalmente entre um objetivo e outro.

Talvez uma boa carreira não seja aquela que consegue permanecer sempre no cume, algo impossível, mas aquela na qual o caminho continua fazendo sentido mesmo quando ainda existe muita montanha pela frente.

6. Saber quanto você vale também exige reconhecer onde não vale mais permanecer

Coragem não aparece apenas quando alguém decide começar.

Em determinados momentos, ela aparece quando alguém estabelece um limite.

Karina já falou publicamente sobre situações de desmerecimento e sobre a importância de estar em ambientes nos quais existe valor e respeito.

Essa discussão possui uma aplicação corporativa bastante concreta.

Pessoas permanecem durante anos tentando provar competência para ambientes que já decidiram não reconhecê-las. Assumem mais responsabilidades esperando reconhecimento futuro, toleram relações deterioradas e acreditam que uma próxima entrega finalmente mudará a forma como são vistas.

Nem sempre isso acontece. Evidentemente, decisões profissionais possuem consequências financeiras, familiares e pessoais que não podem ser ignoradas. Estabelecer limites não significa agir sem planejamento.

Significa apenas aceitar que perseverança e permanência não são sinônimos.

Às vezes, insistir demonstra determinação. Em outras situações, insistir apenas prolonga uma relação que já mostrou repetidamente aquilo que pode oferecer.

Saber diferenciar as duas coisas também é uma forma de coragem.

7. Viver de verdade exige muito mais preparação do que impulso

Uma das frases mais fortes associadas a Karina é sua reflexão de que poucas pessoas vivem de fato a vida que desejam.

Seria fácil transformar isso em um slogan sobre largar tudo, seguir o coração e correr atrás dos sonhos.

A trajetória dela mostra justamente o contrário.

Karina consegue assumir riscos grandes porque leva preparação muito a sério.

O que parece ousadia visto de fora é sustentado por treinamento, conhecimento técnico, avaliação de cenários, equipe, planejamento e capacidade de interromper uma tentativa quando seguir deixa de ser razoável.

Essa talvez seja a lição que une todas as outras.

Viver a vida que desejamos não significa agir como se nada pudesse dar errado. Significa considerar determinada vida importante o suficiente para nos prepararmos seriamente para construí-la.

É uma diferença enorme. Impulso pergunta apenas: “eu quero?” Escolha madura acrescenta: “o que isso exige de mim?”

Afinal, qual risco merece mais atenção?

O medo tem uma característica curiosa: costuma tornar extremamente visível aquilo que podemos perder ao mudar e quase invisível aquilo que já estamos perdendo enquanto permanecemos.

Karina Oliani ajuda a olhar para os dois lados.

Existe risco ao tentar. Existem decisões que falham, caminhos que precisam ser revistos e momentos em que recuar será a melhor escolha.

Mas também existe risco em passar anos esperando segurança total.

Nenhuma montanha, carreira, projeto ou decisão oferece essa garantia, o que podemos fazer é aumentar nossa preparação, compreender melhor nossos motivos, estudar os riscos e decidir quais deles vale a pena assumir.

Talvez seja por isso que a pergunta inicial seja tão poderosa.

Você tem medo de dar errado. Mas e se o maior risco for chegar ao futuro e perceber que passou tempo demais evitando justamente a vida que gostaria de ter vivido?

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Karina Oliani integra o casting da Palestras de Sucesso e utiliza experiências extremas para conversar com empresas sobre coragem, planejamento estratégico, trabalho em equipe, gerenciamento de riscos, comprometimento, ousadia e perseverança. Sua palestra “Qual é o seu Everest?” já foi apresentada para dezenas de organizações e teve destaque no CONARH.

KARINA OLIANI
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