O que Fábio Porchat ensina sobre erro, experimentação e a obsessão profissional por parecer pronto
Com Fábio Porchat
Há uma parte da carreira que quase ninguém gosta de mostrar: o período em que você ainda não é tão bom naquilo que decidiu fazer. É quando a ideia não funciona, a apresentação fica abaixo do esperado, o projeto recebe críticas e o resultado ainda está longe daquilo que imaginamos. Num ambiente profissional cada vez mais preocupado em exibir desempenho, esse estágio costuma ser tratado quase como um defeito.
Fábio Porchat propõe uma leitura diferente. Em uma conversa sobre liderança e criatividade promovida pela McKinsey, ele resumiu sua experiência em uma frase:
“Você precisa ser ruim primeiro, para depois ser um pouquinho melhor.”
Não é uma defesa do trabalho malfeito. É o reconhecimento de que competência precisa de algum lugar para começar.
O problema de querer estrear já parecendo veterano
Hoje vemos o resultado final de uma trajetória que reúne televisão, teatro, cinema, publicidade, produção, apresentação e criação digital. O perfil de Fábio Porchat na Palestras de Sucesso registra sua passagem pela redação do Zorra Total, pelo stand-up e pela criação do Porta dos Fundos, além da atuação em comunicação, marketing e conteúdo digital.
O que desaparece quando uma carreira é resumida dessa maneira é justamente a quantidade de tentativas que existiu entre um ponto e outro.
Na conversa com a McKinsey, Porchat relembrou peças que quase ninguém assistiu, projetos que fracassaram e oportunidades que não se concretizaram. Um desses fracassos teve uma consequência especialmente importante: depois que um projeto de humor para televisão não avançou, parte daquele grupo decidiu experimentar outro caminho. Dessa movimentação surgiria o Porta dos Fundos.
A história é interessante porque o fracasso não apresentou imediatamente uma solução. Ele criou uma necessidade de tentar outra coisa.
É bem diferente.
Errar não ensina automaticamente
Há uma romantização perigosa do erro no mundo dos negócios. Frases como “erre rápido” ficaram tão comuns que às vezes parecem sugerir que basta fracassar para aprender alguma coisa.
A ciência é mais cuidadosa.
Uma pesquisa publicada na Psychological Science mostrou que pessoas podem, na verdade, aprender menos com seus próprios fracassos quando o erro ameaça o ego e faz com que elas evitem prestar atenção no que aconteceu.
Por outro lado, uma análise sobre treinamento com gerenciamento de erros encontrou resultados positivos quando as pessoas eram estimuladas a explorar, errar e, principalmente, utilizar esses erros no processo de aprendizagem. O benefício apareceu com força na capacidade de transferir o aprendizado para situações novas.
Portanto, não é o erro que desenvolve alguém. É aquilo que a pessoa consegue fazer depois dele.
O perfeccionismo pode impedir justamente a prática necessária para melhorar
Quem precisa parecer competente o tempo inteiro começa a evitar situações em que ainda não domina completamente o jogo. Não apresenta a ideia porque ela ainda está crua, não aceita um desafio porque talvez não entregue brilhantemente e não experimenta um formato novo porque existe chance de parecer iniciante.
O problema é que permanecer apenas naquilo que já fazemos bem também limita a aprendizagem.
Uma revisão científica sobre aprendizagem a partir dos erros mostra que cometer erros acompanhado de feedback corretivo pode favorecer o aprendizado. O ponto não é buscar o erro propositalmente em qualquer situação, mas permitir que ele exista onde ainda estamos desenvolvendo competência.
Essa lógica combina bastante com o percurso de Porchat. Sua carreira passou por funções diferentes: roteirista, ator, comediante, apresentador, entrevistador e empreendedor. Não é uma trajetória baseada em encontrar uma habilidade e protegê-la para sempre, mas em continuar se colocando em lugares onde alguma coisa ainda precisa ser aprendida.
Sua experiência pode se transformar em uma palestra
A Assessoria Palestras de Sucesso ajuda profissionais a estruturar seus temas, fortalecer posicionamento e construir uma atuação consistente no mercado corporativo.
Trabalhar com gente melhor também significa aceitar não ser o melhor da sala
Existe outra fala de Porchat particularmente útil para empresas. Na mesma conversa com a McKinsey, ele recomenda se aproximar de pessoas que sejam melhores, mais inteligentes ou trabalhem mais do que você. A ideia está ligada à maneira como ele enxerga colaboração e liderança.
Isso exige alguma segurança.
Se a prioridade é parecer sempre a pessoa mais competente da sala, profissionais muito bons viram ameaça. Quando a prioridade é produzir algo melhor, eles viram recurso.
O Porta dos Fundos ajuda a ilustrar isso. O projeto nasceu coletivamente e transformou diferentes competências de atores, roteiristas, diretores e produtores em uma linguagem que ganhou enorme alcance digital.
Talento individual importa. O ambiente em que esse talento é confrontado, corrigido e complementado também.
Conclusão: ninguém fica bom sem atravessar a fase em que ainda não está bom
A frase de Porchat incomoda porque desmonta uma fantasia profissional bastante conveniente: a de que pessoas muito competentes simplesmente descobriram seu talento e começaram a acertar.
Normalmente, existe uma parte anterior menos bonita.
Há tentativa que não funciona, projeto esquecido, plateia que não reage, ideia rejeitada e trabalho que hoje o próprio autor faria de outra maneira. O objetivo não é celebrar esses momentos nem transformar fracasso em virtude automática. É utilizá-los.
Talvez uma carreira saudável não seja aquela em que erramos cada vez menos. Pode ser aquela em que continuamos nos permitindo fazer coisas novas o suficiente para ainda encontrar erros que não cometíamos antes.
Porque, quando alguém só faz aquilo em que já sabe parecer bom, talvez tenha deixado justamente de descobrir no que ainda poderia ficar melhor.
Perguntas frequentes
É possível aprender com todos os erros?
Não automaticamente. Estudos mostram que fracassos podem ameaçar o ego e até reduzir a aprendizagem quando a pessoa evita analisar o ocorrido. Feedback, reflexão e oportunidade de corrigir fazem diferença.
Por que errar pode ajudar no desenvolvimento profissional?
Quando ocorre num ambiente em que existe possibilidade de analisar e corrigir, o erro revela lacunas entre aquilo que imaginávamos saber e aquilo que realmente conseguimos executar. Pesquisas sobre gerenciamento de erros encontraram benefícios especialmente para adaptação a situações novas.
O que Fábio Porchat diz sobre fracasso?
Porchat trata os fracassos iniciais como parte do desenvolvimento criativo e resumiu essa visão dizendo que é necessário ser ruim primeiro para conseguir melhorar depois.
Fábio Porchat participa de eventos corporativos?
Sim. Seu perfil na Palestras de Sucesso relaciona sua atuação a comunicação, marketing, criação de conteúdo digital, apresentações de eventos e formatos como stand-up.
Quer levar Fábio Porchat para o seu próximo evento?
Humor, criatividade, comunicação e uma trajetória construída entre televisão, teatro, conteúdo digital e empreendedorismo para criar uma experiência marcante para o seu público.

