Violência na fala: como o desrespeito se infiltra nas conversas do dia a dia – Com Edson De Paula

O consultor Edson de Paula, sorrindo e de braços cruzados, aparece em primeiro plano, sobreposto a um ringue de boxe. No ringue iluminado por fortes holofotes, várias pessoas, homens e mulheres de diferentes etnias, usando luvas e trajes de boxe, estão em posição de luta ou aquecimento. Ao fundo, um público lota as arquibancadas escuras.

A violência verbal nas organizações está se tornando um dos principais fatores de desgaste emocional nas equipes.

O psicanalista e especialista em comunicação organizacional Edson De Paula explica como identificar sinais de desrespeito antes que se transformem em crises.

“Toda a violência humana é uma manifestação trágica de uma necessidade que não foi atendida.” — Edson De Paula

Violência verbal nas organizações: quando as palavras ferem mais que gestos

Vivemos tempos em que a voz ganhou megafone,  nas redes, nas empresas e nas relações. Mas, junto com ela, veio o aumento do ruído. 

O desrespeito disfarçado de opinião, o “tom de voz” que corrói a confiança, e a incapacidade de escutar o outro com empatia.

Em entrevista ao programa Ação Nacional da TV Século 21, o palestrante e psicanalista Edson De Paula, especialista em comunicação organizacional, afirmou que a fala agressiva é apenas a ponta do iceberg:

“A violência não precisa ser física. Toda a violência humana é uma manifestação trágica de uma necessidade que não foi atendida.”

Para ele, o problema começa muito antes das discussões acaloradas, nasce quando as necessidades humanas no mundo corporativo, como reconhecimento, pertencimento e segurança, são ignoradas.

A raiz invisível da violência verbal nas empresas

A violência verbal nas organizações pode ser silenciosa. Aparece em interrupções constantes, ironias disfarçadas, olhares de desprezo e microagressões que desmotivam equipes inteiras.

De Paula explica que o conflito nasce quando “o outro” é visto como adversário, e não como parte do mesmo propósito. 

“O diálogo se perde quando cada um quer impor sua razão. Falta dialética, o encontro de ideias diferentes que gera algo novo”, afirma.

Essa análise reflete o ambiente corporativo atual, em que a pressa e a polarização, alimentadas por redes sociais e disputas internas, substituem a escuta ativa nas empresas.

O resultado é um aumento de estresse, turnover e afastamentos por questões emocionais.

Escuta ativa: o antídoto para o desrespeito

Em suas palestras, Edson De Paula reforça que o primeiro passo para evitar o conflito é ouvir genuinamente

“Muitos querem falar para impor, não para compreender”, diz.

A escuta ativa é uma competência-chave das soft skills mais valorizadas hoje. Ela permite identificar o que está por trás das reações emocionais, insegurança, necessidade de reconhecimento ou medo de não ser ouvido.

Um colaborador que sente que sua voz não importa tende a expressar frustração de forma defensiva. E líderes que não sabem escutar reforçam esse ciclo de tensão. Treinar gestores para ouvir é, portanto, um investimento direto em saúde mental corporativa.

O custo emocional do desrespeito no trabalho

O custo emocional do desrespeito no trabalho (versão revisada)

Ambientes marcados por violência verbal e hostilidade têm sido associados, de forma consistente, a maiores níveis de burnout e queda no engajamento. 

Evidências com trabalhadores da saúde mostram que exposição a abuso emocional, ameaças e assédio verbal aumenta significativamente a probabilidade de burnout, reforçando que a agressão psicológica corrói a segurança psicológica e desempenho. (BMJ Open)

Revisões e estudos correlatos indicam ainda que a violência no trabalho (com predominância de agressões verbais) está ligada a exaustão emocional e despersonalização, marcadores clássicos de burnout que impactam produtividade e clima. (PMC)

No panorama mais amplo, dados recentes da American Psychological Association (APA) mostram que 19% dos trabalhadores classificam seu local como tóxico.

Leia também: Aprenda a desenvolver a escuta ativa em 3 passos- Por Edson De Paula

E quem reporta toxicidade tem mais do que o triplo de chance de relatar dano à saúde mental no trabalho quando comparado a ambientes saudáveis (52% vs. 15%). 

Esses achados ajudam a explicar por que culturas permissivas ao desrespeito verbal tendem a registrar mais absenteísmo e engajamento menor. (APA)

Estudos adicionais também relacionam violência verbal a redução de satisfação no trabalho e pior vínculo organizacional, efeitos que, na prática, alimentam o ciclo de conflitos no trabalho e desgaste emocional.

Necessidades humanas e a linguagem que conecta

De Paula cita Marshall Rosenberg, criador da Comunicação Não Violenta (CNV), ao destacar que toda ação agressiva é um pedido mal formulado. 

A CNV propõe traduzir julgamentos em necessidades humanas: segurança, amor, reconhecimento e autonomia.

“Quando alguém grita, o que ele está dizendo é ‘me veja, me ouça, me reconheça’”, resume De Paula.

Essa mudança de lente é essencial no mundo corporativo moderno, onde a performance ainda é confundida com frieza. Reconhecer as emoções, sem censura, é o primeiro passo para uma cultura de empatia e resultados sustentáveis.

O perigo da cultura do cancelamento

Durante a entrevista, Edson também alertou para a extensão da violência verbal nas redes sociais e seu reflexo no comportamento organizacional. 

“Vivemos a era do cancelamento. As pessoas não querem compreender, querem eliminar o que não gostam”, observa.

A cultura do cancelamento enfraquece o debate e reforça o medo de errar — o que paralisa times criativos e sufoca a inovação. 

Segundo o especialista, o desafio das empresas é criar espaços seguros para divergências respeitosas, onde a discordância não seja interpretada como ataque.

Empatia no mundo dos negócios

No ambiente corporativo, a empatia no mundo dos negócios é mais do que um discurso motivacional,  é uma vantagem competitiva. Líderes empáticos conseguem resolver conflitos antes que se tornem crises e criam times mais colaborativos e leais.

O palestrante destaca que “respeitar não é aceitar tudo; é entender o outro como alguém que também tem uma história e necessidades legítimas”. Essa visão transforma a gestão de pessoas em um processo humano e estratégico.

O diálogo que cura

Quando a empresa investe em treinamentos de comunicação não violenta, não apenas reduz o número de conflitos, mas também aumenta a confiança interna. 

A conversa deixa de ser um campo de batalha e se torna um território de aprendizado.

Como resume Edson De Paula: “O diálogo não precisa ser um duelo. Quando ouvimos com o coração e respondemos com intenção, a palavra volta a ser ponte — não arma.”

Participe da conversa

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Com mais de 25 anos de experiência em psicanálise aplicada à comunicação e comportamento organizacional, Edson De Paula é um dos principais nomes do país quando o tema é inteligência emocional e comunicação não violenta.

Suas palestras são procuradas por empresas que desejam fortalecer suas lideranças, aprimorar a escuta e reduzir o impacto da agressividade verbal nas equipes.

Edson transforma conceitos psicológicos em práticas reais, com exemplos, humor e profundidade. Sua presença em eventos corporativos é uma experiência transformadora, capaz de gerar empatia, consciência e resultados.

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Edson De Paula Ph.D.

Especialista em liderança, comunicação e comportamento organizacional.

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