1- Primeiramente, gostaríamos de agradecer imensamente pela sua disposição em compartilhar sua vasta experiência conosco. A mediação de conflitos é um dos seus principais campos de atuação. Poderia compartilhar algumas estratégias ou técnicas eficazes que costuma aplicar em suas mediações e que gestores, líderes e colaboradores podem replicar em suas interações na esfera corporativa?
O primeiro passo é sempre ouvir os colaboradores, entendendo suas necessidades e anseios. Nem sempre é possível atender totalmente seus pedidos, mas é surpreendente como a sensação de “ter voz”, de ser valorizado e reconhecido pelo simples fato de ser ouvido, causa satisfação.
2- Você menciona a importância do autoconhecimento em suas palestras. Quais dicas você daria para alguém começar a jornada do autoconhecimento? Como os profissionais podem integrar práticas de autoconhecimento no seu dia a dia corporativo?
A busca do autoconhecimento é pessoal, mas pode ser incentivada por meio de palestras e cursos, especialmente aqueles que visam capacitar os colaboradores na auto motivação e na responsabilidade pelo bem-estar da equipe e na resolução de conflitos.
3- A comunicação não violenta é um pilar em seu trabalho. Como você sugere que as pessoas comecem a praticá-la no cotidiano, seja nas relações sociais, seja no âmbito do trabalho em equipe?
Primeiro é preciso conhecê-la. As pessoas ficam surpresas com as técnicas. Eu costumo começar meus cursos dizendo que se vocês vieram aqui para aprender a falar de forma branda sobre “paz e amor” podem ir embora logo. A CNV é totalmente assertiva e objetiva. É preciso ter coragem para aprender e mais ainda para aplicar porque quebra muitos paradigmas. Muda a pessoa, mudam os relacionamentos e uma coisa é certa, o resultado é extremamente satisfatório.
4- Em suas palestras, você aborda a necessidade de uma perspectiva renovada sobre os conflitos. Poderia nos dar um exemplo prático de como mudar nossa percepção sobre os conflitos?
O conflito é inerente ao ser humano, entramos em conflito até conosco mesmo quando, por exemplo, queremos algo, mas sabemos que não devemos. Nos relacionamentos isso se multiplica porque as pessoas pensam diferentes, têm ideias diferentes, o que nem sempre significa que estejam erradas. Isso gera conflitos que bem gerenciados podem ser positivos, mas, ao contrário, acabam por trazer graves complicações para os relacionamentos. Na equipe isso se reverte no rendimento que, invariavelmente, cai vertiginosamente. Quando o colaborador entende que o conflito não precisa se transformar em confronto, o ambiente se harmoniza e o rendimento aumenta surpreendentemente.
5- O empoderamento feminino é outro tema recorrente em seu trabalho. Como você acredita que as palestras podem contribuir para o fortalecimento das mulheres na sociedade atual?
O conhecimento de si mesmo é fundamental para a autovalorização. Não se trata de acreditar ser algo que não se é, mas sim de reconhecer os próprios valores e limites. A partir desse reconhecimento, vem o empoderamento, pois é quando se compreende o que realmente importa para a própria vida.
Na sociedade machista esse é um processo educativo no mundo feminino que vem contribuir sobremaneira para a edificação de uma sociedade mais justa e equitativa. Meu objetivo não é colocar a mulher em plano superior ou insuflar competições desnecessárias, não acredito nisso. Acredito numa sociedade em que cada ser humano cumpra o seu papel e viva com respeito e dignidade. Sei que isso pode ser aprendido e, como educadora, me dedico a ensinar tudo o que tenho aprendido com mestres incríveis.
6- A gestão de conflitos nas empresas é uma área que você inegavelmente domina. Quais os principais desafios encontrados nesse ambiente e como superá-los?
Os principais desafios encontrados estão em estabelecer uma comunicação eficaz que abranja a escuta ativa, empatia e a busca por soluções colaborativas.
Para superá-los é importante ter habilidades de negociação, imparcialidade, controle emocional e capacidade de tomar decisões assertivas. Nesse sentido é fundamental promover um ambiente de trabalho saudável, estabelecer regras claras, incentivar o diálogo aberto e investir em treinamentos sobre resolução de conflitos.
7- Seus livros, como “Uma fênix em Praga” e “Mediando Conflitos no Relacionamento a Dois”, oferecem insights valiosos. Revela só pros leitores do Blog da Sucesso quais os principais ensinamentos encontrados nessas obras. O que a inspirou a escrevê-los e qual impacto você espera gerar nos leitores?
“Uma fênix em Praga” é um romance que navega no universo feminino trazendo muito dos questionamentos que considero fundamentais para a mulher que deseja superar seus medos e lançar-se em busca do novo, do desconhecido. Esse é um passo difícil, muitas preferem viver a realidade conhecida mesmo sendo de humilhações, desrespeito e violências de todas as formas. É preciso muito coragem e é aí que entra a autoestima e o apoio de várias formas, inclusive de obras como essas.
Em “Mediando Conflitos no Relacionamento à dois” trago alguns casos fictícios que se aproximam dos problemas mais comuns que observo nos casais que atendo. Um apanhado de experiências que visam espelhar dificuldades no sentido de provocar reflexões que possam ajudar pessoas a encontrar respostas aos seus questionamentos e maior segurança em suas decisões.
8- A Cultura da Paz é um tema central em sua abordagem. Na sua visão, quais são os primeiros passos para implementá-la nas organizações?
O primeiro passo para implantar uma cultura mais pacífica nas organizações é promover a conscientização e o comprometimento da liderança. Isso envolve educar os líderes sobre a importância da paz no ambiente de trabalho, incentivando a comunicação aberta, a resolução de conflitos de forma construtiva e o estabelecimento de relações baseadas no respeito mútuo. A liderança deve servir como exemplo, demonstrando comportamentos pacíficos e promovendo uma cultura de colaboração e empatia entre os colaboradores. Para tanto, é essencial investir em programas de treinamento e desenvolvimento que promovam habilidades de comunicação não violenta, resolução de conflitos e gestão emocional. A construção de uma cultura mais pacífica requer tempo, esforço e comprometimento de todos os membros da organização, mas os benefícios são inúmeros, incluindo um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e harmonioso.
9- Você é reconhecida por promover ambientes saudáveis e produtivos. Poderia compartilhar uma história de sucesso onde sua intervenção gerou uma transformação significativa?
São muitas, mas vou contar uma singular. Um dos pedidos dos colaboradores de uma equipe era a ampliação do espaço do trabalho da equipe, a opção era tirar a divisória de uma sala que quase não era usada e que eu estava usando temporariamente. Havia uma questão importante de logística que impedia essa ação e esse era o argumento usado pela liderança. Depois de muitas tratativas sem êxito, um dia cheguei no local, abri a porta daquela sala que eu usava e para a minha surpresa tinham tirado a divisória e me esperavam com palmas. Fui despejada sem aviso prévio, mas foi muito emocionante. Parece uma coisa simples, mas isso produziu grande transformação na satisfação e no desempenho da equipe.
10- A liderança eficaz é crucial para o sucesso das organizações. Quais características você considera essenciais para um líder no cenário atual? E como ele pode aprimorá-las em sua trajetória?
Sem dúvida as características são visão, comunicação, empatia, integridade e capacidade de tomada de decisão. Para aprimorá-las, é importante buscar feedback, desenvolver habilidades de comunicação, praticar a empatia, agir com integridade e buscar oportunidades para tomar decisões.
11- No contexto do trabalho em equipe, como você sugere abordar e resolver divergências de forma construtiva?
Sempre o diálogo de forma assertiva com o uso da Comunicação não Violenta. Por isso o entendimento desses métodos são tão importantes.
12- Você aborda o tema da resiliência em suas palestras. Qual conselho você daria para alguém que está enfrentando um período particularmente difícil?
Eu costumo dizer algo assim:
A vida é feita de altos e baixos, de desafios e superações. Em momentos difíceis, é importante lembrar que a resiliência é uma qualidade que todos possuímos. Mesmo diante das adversidades, é possível encontrar força interior para seguir em frente. Acredite em si mesmo, mantenha a esperança viva e busque apoio daqueles que te amam. Lembre-se de que toda tempestade passa e que, no final, sairemos mais fortes e mais sábios. Tenha fé no seu potencial e confie que você é capaz de superar qualquer obstáculo que surgir no seu caminho.
13- Em relação à inovação, como você acredita que as empresas podem fomentar um ambiente que incentive a criatividade e a inovação entre seus colaboradores?
Para fomentar um ambiente que incentive a criatividade e a inovação entre seus colaboradores, as empresas precisam adotar práticas que valorizem a diversidade de ideias e experiências. Isso pode ser feito através de programas de mentoria, workshops e treinamentos que estimulem a criatividade e o pensamento inovador. Além disso, é essencial promover a colaboração entre os membros da equipe, criando espaços para troca de ideias e feedback construtivo. Outra estratégia importante é oferecer liberdade e espaço para experimentação, permitindo que os colaboradores testem novas abordagens e soluções sem medo de fracassar. Ao criar um ambiente que valorize a criatividade e a inovação, as empresas podem impulsionar o desenvolvimento de novas ideias e soluções que contribuam para o crescimento e sucesso do negócio.
(Continua na parte 2…)
Gostou do artigo? Imagine ter este palestrante em seu evento ou empresa! Clique no botão e peça uma cotação!