13-Conflitos no time, falta de engajamento, desmotivação, são alguns fatores que “jogam contra” a evolução e crescimento de um negócio. De que maneira é possível melhorar o relacionamento interpessoal e trabalho em equipe? Quais medidas a liderança e gestão podem adotar neste sentido?
R: Temos que desenvolver os líderes atuais e potenciais na trilha do Líder Completo, conforme detalhamos nos 3 papéis de líder inspirador, gestor e regedor.
O desenvolvimento formal é uma parte, porém, enfrentar o desafio da liderança exige prática, reflexão, humildade e o compromisso de fazer a diferença. É um desafio pessoal e diário de elevar o autoconhecimento e para conhecer os outros. Nesse desafio, buscar aumentar a sua credibilidade é fundamental. As pessoas têm de acreditar que a palavra do líder merece confiança. Para passar confiança para a equipe, o líder precisa confiar em si mesmo, nas suas palavras e ações, é preciso dar o exemplo: dizer e fazer. Os liderados precisam crer que os líderes sabem para onde vão, que têm uma visão de curto e longo prazo. Precisam acreditar em quem apresenta a visão. Se você não acredita no mensageiro, também não acreditará na mensagem.
Quando acreditam no líder, as pessoas sentem orgulho da instituição e, ao contrário, procuram outro lugar para trabalhar. O atributo “confiável” é outorgado quando os feitos são compatíveis com as juras. O líder necessita avaliar se contém as características esperadas pelas pessoas. No quadro a seguir estão as quatro primeiras posições, com mais de 70% de citação, entre 20 atributos citados na pesquisa, como características dos líderes admirados, aplicada em mais de 100 mil pessoas, de 1987 a 2012.
Os três papéis se complementam e criam uma base sólida para tratar todas as dimensões do modelo de gestão. A partir da agregação desses três papéis, vemos claramente uma persona, uma marca pessoal que caracterizamos e denominamos – LÍDER COMPLETO, um líder que tem bons e sólidos valores pessoais e gera valor para o negócio, alcançando os objetivos e mantendo-se fiel aos princípios e valores. Eles:
- impulsionam, energizam e mobilizam as pessoas, mesmo em momentos difíceis;
- proporcionam um ambiente de trabalho humanizado e de realização profissional e pessoal;
- fazem as organizações sobreviverem e prosperarem, enfrentando as crises;
- sabem trabalhar a melhoria dos processos com ferramentas e soluções adequadas;
- criam soluções para os clientes e prospectam novos mercados, ampliando o valor da organização;
- apontam e movem a empresa para novos rumos; e
- mobilizam a equipe para encontrar novas soluções e sobreviver.
14-Com tantas atividades e distrações dividindo as atenções, ser produtivo é para muitas pessoas, um dos maiores desafios do mundo atual. Como você observa essa dor e quais estratégias podemos adotar para ter uma vida pessoal e profissional mais produtiva e com mais qualidade?
R: Os líderes devem buscar ideais comuns, conectar-se com aquilo que é mais significativo para as pessoas, na visão compartilhada, e aumentar o nível de motivação e moral dos colaboradores, mostrando-lhes que podem fazer a diferença no mundo.
O líder precisa ter paixão, mas paixão e atenção andam de mãos dadas. Pergunte-se: “O que me tira da cama de manhã?” O propósito precisa vir de dentro e a paixão deve ser por algo além da fama, poder e dinheiro.
O entusiasmo e a disposição do líder contaminam a equipe para superar restrições e abrir motivantes possibilidades futuras.
A maneira de falar dos líderes transforma a rotina e os resultados da equipe em sentimento de orgulho e pertencimento, somados à visão partilhada que deve ser descrita, registrada e transformada em uma declaração que simbolize a sua essência.
As pessoas buscam possibilidades de fazer a diferença significativa na vida da sua família, dos amigos, colegas, clientes e comunidades. Querem sentir que desempenham um papel crucial, independentemente do título do cargo. Em meus cursos eu conto esta história sobre os dois trabalhadores e suas visões sobre a rotina pesada:
“Estou assentando tijolos ou fazendo uma catedral?” Qual é o nosso sonho compartilhado? “I Have a Dream”, conforme discurso de M. Luther King.
Os eventos corporativos de desenvolvimento e alinhamento, devem inspirar a equipe a refletir sobre o que queremos ser, quais os objetivos que vamos alcançar juntos.
Criar imagens, símbolos, slogans, mapas positivos do futuro, que geram engajamento e comprometimento. Comunicar de forma educacional usando uma linguagem que desperte o sentimento de comunidade, pois as visões são imagens mentais – impressões e representações que se tornam reais, à medida que os líderes as expressam em termos concretos.
Todo líder tem capacidade de fazer essa ponte com as imagens. Um exemplo é quando voltamos de férias e mostramos as fotos para os amigos – todos querem ir algum dia para lá também.
É preciso ser uma comunicação positiva, confiante, entusiástica e capacitadora, que vai ampliar a criatividade das pessoas, pois elas seguem quem está abertamente empolgado pelo objetivo e pelo ideal.
Outra questão é a saúde física e mental. Visto que mente e corpo estão interligados, se a mente adoece, o corpo adoece e vice-versa.
Estamos falando do aumento significativo de vários transtornos como TOC, TDAH, depressão, pânico, ansiedade, que estão presentes na sociedade e as pessoas não valorizam o tratamento mental e a saúde neural, pois nem todo mundo vê, ainda, como uma doença. Estamos evoluindo, porém muito devagar.
Com a internet e a proliferação das redes sociais, dos buscadores, da IA, muitas fronteiras de conhecimento e lugares foram abertas, o mundo deixou de ser uma surpresa e perdemos aos poucos a capacidade de contemplar e imaginar, pois não existe mais o desconhecido.
Estamos perdendo o encanto das coisas novas e ganhando, por outro lado, a agilidade das informações e novos conhecimentos.
O que acontece é que hoje somos ainda mais chamados à alta produtividade e não interessa muito como, pois as informações chegam em tempo real, as reuniões ao vivo acontecem de qualquer lugar, em qualquer aplicativo e nos “obrigam” a produzir, a TER mais, ficando sem tempo para evoluir no SER mais.
Não responder imediatamente quase não se pode mais, elevando a demanda que esgota todo mundo e vai além das nossas possibilidades, sendo todos cobrados, até por nós mesmos, a todo instante.
Parece que precisamos ler muito, escrever muito, entender além da profissão e trabalho, ser magros e fitness, ser felizes, ser viajados, entender de vídeos, mostrar que somos antenados, é preciso saber de quase tudo. Muitos, quando chegam em casa do trabalho, não conseguem desligar, ou excedem o tempo no home office, aumentando a ansiedade e ampliando as próprias cobranças.
Vivemos um momento em que tudo tem de ser respondido, inclusive de madrugada, nas refeições, finais de semana.
Assim, estamos vendo mais pessoas adoecerem e se cansarem, ainda muito novas. Precisamos criar mais momentos para parar, pensar e analisar: onde eu quero chegar? Com essa autocobrança exagerada vou chegar a algum lugar? Os líderes e os programas de apoio precisam dizer: não adoeça, procure ajuda, converse mais e contemple as coisas ao seu redor, tenha autodisciplina e planejamento do seu tempo, para ser produtivo e saudável. Planeje seus objetivos e amplie o autocuidado.
15-Qual seria uma boa estratégia a ser adotada pelos gestores que se importam com a saúde mental dos colaboradores?
R: O cenário mais próximo da realidade é o seguinte: “Vivemos em uma ditadura das possibilidades, com uma cobrança de alto desempenho em tudo, com o vazio da exaustão virando troféu, que emergimos em uma sociedade do espetáculo e precisamos mostrar que somos felizes a toda hora para sermos aceitos”.
É um infarto psíquico batendo à porta. Os jovens são os mais afetados e bombardeados por essa década disforme, amorfa e instável, recebendo mensagens de “você tudo pode”, você é responsável por seu destino, que amplificam a cobrança interna e possíveis paranoias sobre culpa quando não alcançam um objetivo de imediato. As exigências são desumanas porque parece que nada é impossível.
Essa onda vai sugando e nos faz entregar mais pela obsessão de evoluir no ter e nos auto exploramos, nos tornando prisioneiros dessas micro relações de poder que geram insatisfação com tudo. É a onda de hiperatividade com tédio e o narcisismo de vivemos para sermos admirados e curtidos nas redes sociais.
Mas quando não acontece, reagimos impulsivamente e agressivamente, ampliando as desavenças nos grupos de que participamos. O líder regedor precisa prestar atenção especial nos mais jovens e ajudar. Criar junto com a área de gestão de pessoas, programas de apoio e desenvolvimento, mostrando que existe um oposto a tudo isso, mas que necessita de uma nova compreensão e uma mudança na filosofia de vida.
Muitos jovens que conseguem perceber esse caminho mais equilibrado e harmônico, adquirem competências múltiplas e conseguem alto desempenho em tudo que fazem, pois, trabalhar faz parte de nossa vida, porém podemos fazer com mais nobreza, mais sabor, foco e tempo para os detalhes e a criatividade.
Esse é o momento do resgate do saber contemplar o que está acontecendo ao nosso redor, ver com atenção, ouvir genuinamente, pensar nas relações, naquele momento da interação, conversar desfrutando mais do momento, celebrando as conquistas e as relações humanas. Precisamos fazer essa mudança de filosofia de vida e humanizar mais o trabalho, as relações, o convívio familiar, com amigos e na sociedade, para obtermos como efeito positivo a realização e a felicidade das pessoas, daí ganhamos todos: empresas, sociedade, poder público e, principalmente, as nossas famílias.
Uma pesquisa recente comprovou que empresas humanizadas resistem melhor às crises. A base é a pesquisa realizada com 36 mil pessoas e 226 empresas, que comparou a performance financeira de empresas que trabalham melhor a relação com os múltiplos stakeholders, concluindo que historicamente mais geram valor a todos os stakeholders e resistem melhor às crises, são aquelas que possuem uma liderança consciente, que olham mais para o capital humano e têm uma cultura capaz de se adaptar e olhar para o longo prazo.
16-Diante da sua visão o que é mais importante para o sucesso: disciplina ou motivação? Como obter as duas?
R: As duas são importantes, porém desempenham aspectos diferentes e complementares.
A disciplina é a capacidade de ficar focado e comprometido com uma tarefa ou meta, mesmo não estando motivado. É fazer o que precisa ser feito mesmo sem vontade. Ajuda no cumprimento da rotina, no ritmo do trabalho e nos hábitos positivos que produzem sucesso a longo prazo.
A motivação tem a força de nos mover para algo novo, novas metas, novos desafios. Nos faz persistir diante dos desafios e incertezas e trazer a alegria da conquista. Ela pode vir de dentro ou por influência externa, e em ambos, ajudam a manter a energia e a paixão pelo que trabalhamos. Para atingir os objetivos com sucesso, precisamos equilibrar ambos.
Para obter a disciplina, o papel do líder gestor pode ajudar muito, pois proporciona para a equipe a utilização de métodos, ferramentas, planos, gestão de metas e rotinas. Precisa também eliminar distrações, que no mundo conectado atual é fundamental.
No caso da motivação, o papel do líder inspirador e regedor traz elementos fundamentais, como a visão de um propósito, a paixão e interesses alinhados com os objetivos, a inspiração que novos conhecimentos trazem, as paradas para contemplação e recarregar as baterias, e uma atitude positiva perante a vida e perante a sua pessoa, buscando o autoconhecimento, acreditando e confiando que alcançará o sucesso pessoal e profissional.
17-Um fato recorrente no mercado de trabalho diz respeito a muitos profissionais não se sentirem reconhecidos e valorizados na empresa, além de não avançarem para posições de liderança. Quais dicas você daria para alguém que se reconhece nesse cenário? Como identificar se de fato, a empresa e a gestão é que não dão o devido valor e espaço ao profissional, ou, por outro lado, se é o indivíduo que não consegue se posicionar?
R: Eu sempre falo para as minhas filhas universitárias e seus colegas, e também para as pessoas que ainda estão em funções executivas das empresas e não foram promovidas:
- Procure entender o plano estratégico, tático e operacional e o modelo de gestão de sua área, e encontre as lacunas, que com certeza existem;
- Estude, busque inspiração, mentoria, para elaborar propostas viáveis, para diminuir as lacunas e gerar valor. Utilizem a árvore de GV, que está no livro, para encontrar onde a mudança vai afetar e gerar mais valor;
- Busquem pessoas confiáveis para apresentar e obter feedback;
- Busquem o momento e local certo para apresentar a proposta ou oportunidade;
- Adote uma atitude profissional e positiva, procurando estar bem alinhados aos valores e missão da empresa;
- Estude sempre, aprimore-se e participe de eventos para network;
- Se sentir que a empresa não dá a atenção necessária e não te leva a sério, procure outro lugar onde os valores, missão e práticas possam estar mais alinhados com o que você busca;
- Mas antes de tomar a decisão, persista e não tenha medo de solicitar follow-up e contatar outros líderes da empresa, para ter certeza que não é uma pessoa que está te barrando.
Tenha a mentalidade de aprender e crescer sempre, um aprendizado contínuo, que vira um estilo de vida. Pergunte a si mesmo diariamente o que aprendeu de novo, sobre o que acontece à sua volta e com você, pode ser técnico ou comportamental. Para ser um profissional melhor precisa aprimorar constantemente as habilidades e quando não evoluir, entender onde está preso.
18- Um dos temas mais comentados quando falamos em carreira, negócios e gestão, é inteligência emocional, considerada por muitos como uma das soft skills do momento. Contudo, muitos empresários, líderes e colaboradores, nutrem a falsa ideia de que inteligência emocional é apenas ficar em silêncio diante de uma diálogo complicado e conflitos. O que você pensa a respeito e como a inteligência emocional influencia sua carreira e negócios? Quais dicas você daria para alguém que encontra dificuldades em fechar um negócio e realizar uma negociação produtiva?
R: Para conduzir uma equipe, o líder deve considerar o impacto do fator emocional e utiliza-se de citação de Aristóteles para afirmar: “Qualquer um pode ficar furioso. Isso é fácil. Mas, ficar furioso com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pela razão certa e da maneira certa, isso não é fácil”.
A aplicação da inteligência emocional iniciou-se na década de 1990, e, para as organizações, esta foi uma época propícia à adoção de novas formas de entender e gerir o Capital Humano. Foi, então, que se começou a considerar que, para além dos fatores cognitivos, os aspectos afetivos também afetam as atitudes em relação ao trabalho e aos comportamentos a ele relacionados. Enfim, evidenciou-se a influência das emoções sobre os pensamentos e comportamentos dos indivíduos.
Nossa estrutura de competência emocional nos faz ver como lidamos com os relacionamentos e com nós mesmos para equilibrar os resultados.
As principais dimensões que influenciam o estado emocional e impactam no processo de tomada de decisão, motivação e conflitos pessoais são a autoconsciência, autodisciplina, empatia, motivação e habilidades sociais.
A autoconsciência é o conhecimento emocional, a autoavaliação precisa e autoconfiança, é conhecer o nosso estado interior, as preferências e intuições; a autodisciplina é o autocontrole, a consciência do momento para controlar seu estado interno e impulsos; a motivação é a vontade de permanecer otimista mesmo diante do fracasso e propensão a perseguir objetivos com energia e persistência, com uma grande paixão pelo trabalho por razões outras, que não dinheiro e status; a empatia é ter consciência das necessidades, preocupações e sentimentos alheios, é procurar entender os outros para poder orientá-los e desenvolvê-los, compreender e incentivar a diversidade e consciência política; e, por último, as habilidades sociais possibilitam influenciar reações desejáveis nos outros, com comunicação adequada, gestão de conflitos, colaboração e cooperação, capacidade de catalisar mudanças criando laços e equipes.
O segredo dos gestores das organizações modernas é conseguir raciocinar inteligentemente sobre a gestão das emoções. Gerir diferenças é estar atento aos próprios sentimentos e aos dos outros. Esse conhecimento permite ao líder uma melhora pessoal e favorece suas interações com os outros. Saber usar as emoções facilita o uso da razão.
Existia uma controvérsia em torno do famoso QI (quociente de inteligência), que defendia uma tendência para uma sociedade moderna estratificada pela definição de inteligência. No entanto, afirmava-se que indicadores de inteligência como o QI não explicam completamente a capacidade cognitiva do indivíduo e destacava-se que as relações interpessoais, a capacidade de trabalho em grupo, a capacidade de ouvir e de se colocar na posição de outros e a capacidade de ouvir a própria consciência tornaram-se fundamentais em um mundo, cada vez mais, ligado por redes e em que o trabalho é tarefa de uma equipe.
Dessa forma, para se ter sucesso, além de inteligência intelectual, é necessário ter também inteligência emocional.
As decisões duras não poderiam ser tomadas sem um distanciamento afetivo. Porém, o conceito de “inteligência emocional” veio a afirmar-se através da ideia-base de que são as emoções que desempenham o papel crucial no processo de tomada de decisão. Determinam-se as decisões nos balizadores somáticos, sinais intuitivos que alertam tanto para perigos potenciais como para as oportunidades que surgem na vida, e a chave para tomar boas decisões é ouvir os sentimentos.
A autoconsciência – reconhecer um sentimento enquanto ele decorre – é a chave da inteligência emocional e seu objetivo é o equilíbrio e não a supressão das emoções. Tanto para o ser humano como para as organizações, é fundamental perceber que todas as emoções possuem um valor e um significado.
Observando-se o mercado, identificam-se novos estilos de vida e percebe-se, claramente, quais são as marcas e as empresas que têm a melhor e a mais coerente relação afetiva com os clientes internos e externos: são aquelas que apresentam mais sucesso na retenção dos clientes e das pessoas que trabalham na empresa.
19-Comunicação é essencial em todas as relações, especialmente nas comerciais. Dialogar com o público certo é fator determinante para um negócio ser bem-sucedido. Dessa forma, revela pra nós, como primeiramente encontrar o público ideal e de que forma se comunicar com ele de forma assertiva? Quais estratégias, iniciativas e ferramentas devemos adotar?
R: Hoje em dia dispomos de várias ferramentas e soluções para a busca e identificação detalhados dos clientes e consumidores potenciais. A partir da definição de personas, podemos fazer buscas muito precisas e chegar aos múltiplos dados sobre as pessoas que se encaixam no perfil.
Para se comunicar com o público encontrado, precisamos conhecer bem, ir além dos dados coletados pelas ferramentas, captando seus interesses, dores e necessidades. Depois, podemos ser bem claros e objetivos, facilitando o entendimento da mensagem com uma mensagem simples.
O tom da conversa também precisa modulado conforme essas características do cliente.
Agora, a relação de confiança pode ser construída, utilizando argumentos sólidos, fatos e dados bem embasados, sem exageros para não saturar. Ouvir atentamente também é fundamental para obter um feedback aberto a críticas e sugestões, que ajudam a melhorar a relação e a comunicação.
20-Quem tem um negócio deve estar preparado para lidar com uma gestão de crise. Contudo, na maior parte das vezes, quando a crise ocorre, ninguém está lá muito preparado para lidar com ela. Quais são os principais tipos de crise que um empreendedor pode enfrentar durante a trajetória de um negócio e de que forma ele pode se precaver para realizar uma gestão de crise menos tensa e dramática?
R: O grande desafio e uma oportunidade é procurar os não clientes e os segmentos ainda não atendidos, as novas formas de atendimento diante dos novos hábitos de consumo, o MERCADO INEXPLORADO, com demanda em ascensão, alta lucratividade, de inovação com valor e expansão das fronteiras setoriais. A implementação daquilo que for priorizado no Conselho, dentro da hierarquia cabe ao CEO e o seu sucesso vai depender de um equilíbrio nas atividades de formulação e execução das estratégias definidas. É o papel do LÍDER GESTOR, que se torna fundamental para esse equilíbrio, pela escolha da equipe, pelo uso das ferramentas adequadas, dos processos e da estrutura necessária.
Quando a empresa enfrenta um momento de grande crise, o líder gestor precisa priorizar o equilíbrio do fluxo de caixa, pois nos períodos de crise, a parte financeira é a mais afetada e quem lidera a empresa, tem que tratar desse assunto como um gestor financeiro, lidando com todas as causas do problema de fluxo de caixa.
Conversando com vários CFOs identifiquei algumas melhores práticas, medidas pertinentes e eficazes para enfrentar esse momento, começando por gerenciar o risco de abastecimento da cadeia de suprimentos junto aos fornecedores, com foco no inventário, para não faltarem nem sobrarem estoques.
É necessário assegurar também a viabilidade de captação de novos financiamentos da empresa, procurando parceiros financeiros e outros cenários que possam ser viáveis.
Alinhar o planejamento com as medidas de ordem fiscal e linhas de crédito que, normalmente, surgem nas crises. Focar mais no ciclo financeiro de conversão cash-to-cash, com maior abordagem para o capital de giro e as contas a receber.
Desenhar cenários considerando as mudanças de contexto e as métricas de giro de pessoas, digitalização de processos, custos de oportunidade, produtividade e desempenho, recebíveis, receita em risco e caixa atrasado.
Repensar e até postergar investimentos fixos e aprimorar os custos variáveis. Reduzir as saídas de caixa adiando grandes investimentos e tornando alguns custos fixos em variáveis. Restringir despesas com novas políticas internas e acordos com entidades.
Gerenciar os recebíveis para garantir os recebimentos de clientes nos valores e prazos faturados. Analisar o processo de contas a pagar e ampliar ao máximo prazos com fornecedores e governo.
Negociar tudo que for possível, preservando as relações futuras, considerando a melhoria futura para um novo ciclo positivo. O líder gestor precisa ter uma visão sistêmica para tratar com todo o ecossistema e os diversos stakeholder do negócio, acionando as parcerias- chave para superar a crise.
Provavelmente, algumas mudanças irão gerar alterações permanentes na forma como pensamos as organizações até hoje.
21-Não sei se você concorda, mas nunca se falou tanto sobre a importância de melhorar a qualidade de vida no trabalho, reduzir o nível de estresse, aumentar a qualidade de vida. Fatores que, se atingidos com sucesso, certamente resultam numa melhor performance do profissional. Quais medidas uma empresa pode adotar, neste sentido, para ajudar seus colaboradores nessas questões, promovendo a melhora da saúde mental e bem-estar da equipe num todo?
R: Sim, concordo, e além do que já falei anteriormente, gostaria de falar mais um pouco sobre a importância dos programas de saúde física e mental.
O programa deve ser elaborado após alinhamentos entre os líderes e a área de gente e gestão, considerando os fatos e dados identificados e situações reais que ocorrem no chão de fábrica ou chão de loja.
Na realidade, devem ouvir mais as pessoas e prestar atenção nas atitudes e falas da equipe, para captar o nível de satisfação e engajamento.
Dispor de profissionais da área da psicologia é um ótimo caminho, para que atendam seguindo as premissas e códigos da profissão, preservando a integridade das pessoas e adotando medidas comprovadas. A questão física também é muito importante, com ações de ginástica laboral, convênios com academias, eventos ao ar livre e atividades esportivas.
Acredito que se houver real preocupação e adoção de um programa efetivo, muitas ideias vão surgir e serão aprimoradas no andar da execução das ações.
22- Como você enxerga a importância do Feedback e Feedforward na empresa? Quais cuidados são necessários para executá-los de maneira assertiva?
R: Todo o tipo de retorno pessoal deve ser tratado individualmente e com muitos cuidados. Eles precisam acontecer, mas não podem constranger e nem gerar mais problemas para os envolvidos.
Sempre tratar os assuntos com fatos e dados concretos, nunca com base em suposições, para que a conversa seja assertiva, sem rodeios nem julgamentos.
O líder precisa estar comprometido com a evolução do seu liderado e mostrar caminhos para a evolução. Isso é muito sério.
23-Quais são os comportamentos que mais geram demissão e os comportamentos mais valorizados pelas empresas?
R: Os comportamentos que mais geram demissão são o desrespeito aos colegas de trabalho ou aos clientes, a falta de ética ou de integridade, o baixo desempenho ou produtividade, a falta de comprometimento com as metas e objetivos da empresa, o comportamento agressivo, violento ou ameaçador, a falta de pontualidade ou ausência frequente sem justificativa (absenteísmo), o mau uso de recursos da empresa, como o uso excessivo de internet para fins pessoais, a falta de capacidade de trabalhar em equipe ou de colaborar com outros funcionários e também a atitude de mentir ou esconder informações importantes da empresa e até o fato de expor indevidamente.
Os comportamentos mais valorizados pelas empresas são a capacidade de trabalhar em equipe e colaborar com os colegas, a comunicação clara e eficiente, o foco em resultados e metas com iniciativa e proatividade, a adaptabilidade a mudanças, a capacidade de aprender e se desenvolver constantemente, o respeito às normas e à cultura da empresa, atuando com ética e integridade e a capacidade de enfrentar e solucionar problemas de forma eficaz.
Esses comportamentos podem variar de acordo com a cultura e os valores da empresa e os funcionários precisam estar cientes das expectativas da empresa em relação ao seu comportamento, com normas e regulamentos bem claros, para que desenvolvam suas atividades e se relacionem, alinhados ao atendimento dessas expectativas e acordos.
24- Mais uma vez, agradecemos a gentileza em nos ceder um pouco do seu tempo e pela nobreza por dividir seu conhecimento. O espaço a seguir é seu para deixar uma mensagem aqueles que ficaram até o final dessa entrevista.
R: Gosto muito da frase: “uma trajetória se move através da gratidão em reconhecer que na vida não caminhamos sozinhos”, pois entendo que para eu conseguir chegar neste momento de ter lançado o meu livro e realizado muitas palestras e consultorias, inúmeras pessoas acreditaram em mim e me inspiraram ao longo da trajetória, nas diversas cidades por onde passei e nas escolas que estudei, desde que saí de casa aos 13 anos de idade, para buscar novos conhecimentos e oportunidades. A elas todas sou muito grato.
Acredito também que devemos aproveitar os múltiplos conhecimentos que a vida nos proporciona.
Em algumas escolas por onde passei, pude começar a desenvolver melhor as habilidades comportamentais e o humanismo, através da arte, da literatura e do teatro.
Tive professores poetas, que também ensinavam declamação. Outros ensinavam a tocar instrumentos musicais, a cantar e a pintar. Alguns ensinavam psicologia, filosofia, teologia e antropologia.
São conhecimentos importantes que devemos aproveitar mais, pois são base para a liderança, comunicação, resiliência, trabalho em equipe, criatividade, proatividade, empatia, ética e motivação.
Competências essas essenciais para o alcance dos objetivos profissionais e pessoais. Quando somados aos conhecimentos técnicos e de exatas, trazem o equilíbrio, ampliando nossa capacidade de escolha e busca da vocação acertada, na realização dos objetivos que concretizam os projetos de vida, mas com a maior felicidade proporcionada por essa harmonia.
Sempre acreditei em realizar uma missão e deixar um legado, mas busquei primeiro os valores pessoais, como a busca incessante do conhecimento, com honestidade, humildade, determinação, criatividade, justiça e solidariedade, entre outros.
Acredito que o patamar dos cargos e responsabilidades que cheguei, foram consequência da prática destes valores e dos objetivos e resultados alcançados através deles.
Algumas correções de rotas foram necessárias e importantes, principalmente em alguns momentos de dificuldades que passamos, mas que oportunizaram uma maior evolução pessoal e profissional, pois estavam sustentados por esses valores que nos acompanham e formam o nosso caráter.
Penso que um cargo na hierarquia é passageiro, pontual, mas as realizações agregadoras de valor positivo, realizadas com as pessoas, são eternas.
“O meu livro “APRENDENDO A SER UM LÍDER COMPLETO” é parte da expressão de minha missão de vida, de ajudar na evolução das pessoas e das empresas, produzindo e expressando por escrito e verbalmente conteúdos agregadores de valor, implementando soluções inovadoras, propiciando experiências de sucesso, de vivências positivas, humanizadas e resultados sustentáveis.”
Um beijo no coração de todos e que Deus nos ilumine sempre.
Ricardo Angnes
