14- Com tanta comunicação mediada por tecnologia, como preservar a profundidade das relações e o diálogo verdadeiro?
Nada substitui as relações humanas, ainda somos nós que operamos por detrás da tecnologia… Preservar as relações é primordial para que possamos fazer bom uso tecnológico de forma a liderar e não se tornar presa de algo artificial. O Ser humano é real!
Podemos aprender com a natureza, em espaços preparados para diálogos, escuta, observação e presença, compreendemos que por exemplo, embaixo do solo, tudo está interligado em um padrão de conexões iguais ou muito mais avançados que encontramos no sistema de um computador, nas redes de conexões, etc…
O bebê necessita da conexão com os pais para sobreviver e se desenvolver, da mesma forma que um adulto se reconhece e evolui em conexão com as relações humanas…
Para preservar a profundidade dessas relações, o contato com a natureza traz de volta à realidade, faz naturalmente essa conexão.
No mundo da tecnologia e Inteligência Artificial, trago uma Inteligência RegenerATIVA – onde alinhada aos recursos naturais e na natureza, faz surgir um novo relacionamento entre a inteligência humana e tecnológica.
Não digo que será fácil, mas asseguro que ao experimentar, haverá transformação.
15- Seu trabalho em São Sebastião após a catástrofe mostrou que regenerar vai além de reconstruir. Que elementos tornam esse processo mais efetivo e humano? Como usar as lições deste feito no cenário corporativo em geral?
Regeneração é sobre vida! Abrange a capacidade de restaurar, renovar e revitalizar a saúde dos ecossistemas, incluindo as comunidades humanas, facilitada pela adoção de práticas sustentáveis, essenciais para a preservação da biodiversidade.
Vai muito além de reconstruir, pois como a natureza nos ensina, há ciclos, há interdependência e continuidade… Construímos e reconstruímos como uma espiral da vida em movimento. A natureza tem a capacidade de se regenerar por si só, e assim são também os seres humanos.
O projeto “RegenerAção em São Sebastião” iniciou pós catástrofe ambiental em 2023 e não parou por aí, o movimento, as ações e a continuidade asseguram a sustentabilidade. O prazo para uma planta brotar, não é imediato, é longo e requer cuidados de cultivio.
Para o mercado corporativo o cenário é o mesmo, integrar as culturas e práticas regenerativas dentro do sistema vai além de construir, deve haver o movimento “vivo” e contínuo de reparação. Assim como em uma construção de uma casa, onde há sempre momentos de reformas.
16- Quais práticas você orienta aplicar nas empresas, capazes de contribuir no alinhamento de propósito, bem-estar e produtividade?
Oriento praticas com Teoria U que alinham a liderança de forma ecossistêmica e metodologias como design thinking, teoria da mudança entre outras.
Oferecer dinâmicas e cases reais para serem solucionados, trabalhados e compartilhados a nível individual, coletivo e até mesmo planetário.
Projetos que possam ser cocriados e realizados em parcerias onde os colaboradores coloquem as “mãos à massa” , se envolvam em um trabalho voluntário por exemplo, que evidenciem, trazendo ao nível tangível o que foi cocriado.
A metodologia P.I.C.N.I.C (Participação Integrada e de Convívio entre a Natureza, o Indivíduo e o Coletivo) criada por mim, oferece tudo isso para as empresas, além do bem-estar promovido nesses encontros na natureza.
Já é sabido que o contato com a natureza oferece bem- estar, aumenta a produtividade e o nível de satisfação dos funcionários além de promover ações que possam impactar positivamente o meio ambiente.
17- Qual o segredo para criar histórias que permanecem vivas na memória e no comportamento das pessoas?
As histórias necessitam ter bases reais, mesmo fábulas, ou metáforas traz momentos ou situações baseadas em algo que conecta com a pessoa, a forma de contar aproxima esse contato e vivenciar alguma dinâmica com o grupo ou entregar algum “mimo” que faça sentido com o tema proposto faz a história permanecer viva na memória e no comportamento da pessoa.
Preparar o campo e o espaço tornando-o aconchegante e acolhedor, também é um diferencial que toca o coração de todos.
18- Ao participar de conselhos e mesas estratégicas, como apresentar pautas socioambientais de forma que sejam compreendidas como prioridade?
Ao levar pautas regenerativas, é essencial adequar a linguagem de negócio ao contexto do evento. Apresentar cases de sucesso que estimulem a atenção de todos com dados e evidências reais de impacto como mitigação de riscos, fortalecimento comunitário, resiliência… vinculados com a cultura da empresa juntamente com os valores e responsabilidades socioambientais.
Mostrar como essas ações geram retorno tangível e vantagem competitiva, alinhadas às tendências regulatórias e expectativas de stakeholders, mesmo a longo prazo, ajuda a transformar o tema de “agenda paralela” para “estratégia central” na tomada de decisão.
*sempre com cuidado e postura íntegra e correta para não se tornar invasivo e nem ser taxado de “ecochato” ou “abraçador de árvores”.
A linguagem e a comunicação fará toda a diferença trazendo a importância dessa pauta nas conversas e naturalmente ganhará espaço e credibilidade dentro do evento.
19- Em suas vivências, como estimular as pessoas a enxergar possibilidades mesmo em cenários incertos?
Por meio de dinâmicas e analogias (metáforas por exemplo) e apresentação de cases reais de superação, sucesso e como ocorreu a trajetória.
Isso aproxima a realidade das pessoas e as motivam a seguir em frente, além de oferecer que há diversas possibilidades de escolha de caminhos e saídas.
Trazer o funcionamento da natureza, a nível real e simbólico também desperta para novas formas de agir.
20- No dia a dia, todos enfrentamos decisões que podem mudar o rumo da nossa vida ou carreira. Que práticas você utiliza para tomar decisões conscientes mesmo em cenários de incerteza?
Uso praticas aprendidas com experiências de vida (já passei por muitos cenários incertos), com a natureza e cursos que fiz…
Primeiro lugar a aceitação. Compreendo a situação que me “colocou naquele lugar” de incerteza, avalio o quanto contribui ou não, para o cenário acontecer.
Observo, escuto e analiso, as perdas e ganhos. Aceitação não é apatia, mas aceitar com a certeza de que é algo que deveria passar, ou aprender.
A clareza abre nossos olhares para enxergarmos os pontos cegos…
Me organizo e mantenho em movimento, fazendo a minha parte para o que esta por vir, o novo. As vezes espero, “não faço nada” até que compreenda qual o próximo passo, medida ou caminho devo tomar, assim me entrego, abro espaço, com a certeza de que o melhor ou nova oportunidade se abrirá.
Dessa forma as decisões e escolhas passam a ser mais conscientes comigo assumindo a responsabilidade de 100% das minhas ações ou forma de responder quando a situação acontece fora do meu controle.
A responsabilidade traz comprometimento e dessa forma a consciência, coerência e consistência das decisões.
As mudanças simbolizam o fim de algo, mas também novos inícios de outra fase ou situação que esta emergindo…Que venham os novos inícios!
21- Na sua visão, quais fatores dão confiança para que uma ideia ou projeto seja apoiado e reconhecido por empresas e instituições?
Um projeto bem estruturado e fundamentado, em metodologias já testadas e aprovadas, com indicadores de impacto claros e coerentes previamente acordados, uma trajetória íntegra de reputação e realização dos projetos, premiações ou reconhecimentos, evidências e transparência compartilhada em tempo real, indicações por pessoas/ empresas, equipe comprometida e qualificada, qualidade e empenho além de apresentar e executar planos de continuidades, abrindo espaço para novos ciclos e projetos.
22- Como garantir que o conhecimento transmitido em suas palestras seja aplicado e replicado por quem participou?
Não há como garantir 100% de aplicação ou replicação do conhecimento ou metodologia após as palestras. Eu planto sementes, (ideias, ferramentas, conceitos e metodologias) mas cada um será responsável por cultivá-las em seu próprio contexto, a responsabilidade das ações promove o comprometimento.
Em algumas palestras, posso acordar anteriormente com a empresa contratante essa possibilidade e oferecer uma solução, assim como faço para medir o impacto em meus projetos e apresentar o resultado aos investidores.
Tenho uma plataforma digital de conexão que posso criar uma “micro comunidade” com o nome da empresa e os membros poderão reportar ali os conhecimentos e conteúdos adquiridos..
De qualquer forma, após a palestra deixo sempre meus contatos e também a possibilidade do participante ingressar como membro em uma plataforma digital para acompanhamento do seu processo e aquisição de mais conteúdos.
23- Qual a importância da criatividade na hora de enfrentar adversidades e propor soluções? Como desenvolvê-la?
A criatividade permite enxergar além das soluções óbvias, “fora da caixa”, novas possibilidades de agir, combinando perspectivas diversas para gerar alternativas inovadoras e adaptáveis a cenários de incertezas. Amplia a capacidade de transformar limitações e barreiras em oportunidades inovadoras.
Para desenvolvê-la, é importante cultivar a curiosidade, estar aberto à observação, praticar a escuta ativa, estimular o pensamento crítico e criar espaços seguros para experimentação, onde erros sejam tratados como parte natural do processo de aprendizado.
Suspender a voz do julgamento, do ceticismo e dos medos e vergonhas, abre espaço para a criatividade emergir de forma autêntica e espontânea.
Há técnicas apropriadas para desenvolvê-las, a conexão com a nossa própria natureza, com a nossa Fonte criativa por meio da nossa criança interior, é uma delas e desperta o espírito criativo que há em todos nós!
24- Quando se fala em empreender com impacto, muitas vezes as pessoas pensam em grandes investimentos. Na sua experiência, quais são os elementos essenciais para começar um negócio transformador mesmo com poucos recursos?
Uma semente disponível na natureza é pequena, mas contém toda a potência de uma grande árvore, quando plantada primeiro crescem suas raízes para depois brotar na superfície o que podemos “enxergar”.
Vamos regando, podando, adubando, fertilizando e aos poucos essa árvore começa a ganhar corpo, galhos, folhas e cada parte com a sua função específica, em um movimento contínuo, floresce e dá frutos.
Também é assim que acontece ao empreender com impacto com poucos recursos, exige clareza de propósito, compreensão profunda do problema que se quer resolver e um modelo enxuto que valide a solução no mundo real antes de escalar.
Elementos essenciais incluem: foco em uma dor real e mensurável; aproveitamento de recursos já disponíveis (parcerias, redes, tecnologias acessíveis); capacidade de contar a história do impacto de forma inspiradora para engajar aliados.
Particularmente consegui empreender inicialmente com muito com pouco recurso, trazendo voluntários que acreditam assim como eu, no propósito, vermos a transformação acontecer após a implementação da solução.
Sugiro também ter disciplina para testar, aprender e ajustar rapidamente. Muitas iniciativas transformadoras começam pequenas, mas com consistência e alinhamento de valores, ganham força e relevância ao longo do tempo. Começar pequeno tem suas vantagens, pois ajustamos rapidamente o que é necessário para crescer com força e estrutura para enfim frutificar.
25- Que estratégias ajudam um empreendedor a manter a autenticidade e o alinhamento aos próprios valores à medida que o negócio cresce e surgem novas pressões?
Não perder de vista o propósito inicial que a sua solução foi criada. Assim como na história da Chapeuzinho Vermelho, a casa da vovó simboliza o objetivo que desejamos alcançar (afinal nada é mais gostoso do que um lanchinho na casa da vó!).
A cesta representa a nossa contribuição pessoal, há em nosso caminho inúmeras tentações que mesmo devidamente “alertadas”, desviamos por ser mais perto, mais rápido e mais fácil… Mas há lobos pelo caminho…
Retomo a pergunta esclarecendo que não devemos nos distrair, nos “apertar” com as pressões pois isso nos desvia do caminho, do propósito e o objetivo poderá ser “engolido” com a gente junto.
Traduzindo para o mundo corporativo, um empreendedor deverá ter seu propósito claro e definido, alinhado com seus valores e demandas bem acordadas, transparência e comprometimento para que não sofra com as pressões impostas pelo mercado.
26- Gratidão extrema pela sua gentileza e atenção! Para encerrar, pensando em quem deseja transformar sua realidade com mais consciência e propósito, qual seria o primeiro passo que você recomendaria?
Que vocês me apresentassem com propósito, com prioridade e com a mesma verdade que trouxe ao responder cada pergunta acima, nossas energias alinhadas só podem gerar prosperidade.
Estou aberta a conversar, entender novos contextos e ouvir sugestões caso tenham para agregar.
Que juntos possamos semear inúmeras sementes em forma de palestras, eventos, workshops etc…
Contem comigo como parceiros assim como estou confiando à vocês a minha imagem e propósito em forma de comunicação.
Agradeço desde já por tudo o que está por vir!
Boa sorte para nós!
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