13. Performance com propósito é um conceito central no seu trabalho. Como alinhar metas organizacionais a propósitos individuais sem perder o foco nos resultados?
Primeiro, é preciso entender que propósito não é “autoajuda corporativa”. Ele é um vetor de alinhamento entre o que a pessoa quer construir no mundo e o que a empresa deseja alcançar. Quando líderes conseguem conectar o impacto da função à transformação gerada pelo trabalho, os profissionais deixam de trabalhar apenas por obrigação. Isso aumenta engajamento, autonomia e entrega de valor. O resultado aparece como consequência de um sentido compartilhado.
14. Quais indicadores mostram que uma equipe está performando com propósito e não apenas por obrigação?
Alguns sinais são visíveis no dia a dia: proatividade espontânea, baixa resistência a mudanças, clima emocional saudável, relatos de pertencimento e orgulho em representar a marca. Além disso, times com propósito tendem a gerar inovação interna e a sustentar a performance mesmo diante de pressão externa. O que os move não é o bônus, é o significado.
15. Em um cenário de transformação digital e ascensão da IA, o que você chama de “inteligência ampliada” e como isso se aplica à comunicação?
A inteligência ampliada é a integração entre o raciocínio humano, a sensibilidade relacional e o poder analítico da IA. Na comunicação, isso se traduz em tomadas de decisão mais embasadas, diagnósticos mais precisos de público e personalização em escala. Mas essa ampliação só funciona se mantivermos o elemento humano no centro. A máquina processa, mas o humano compreende. A IA oferece atalhos. O líder dá sentido.
16. Como integrar inteligência humana e artificial para potencializar resultados sem perder o elemento humano nas relações?
O segredo está em delimitar os papéis: a IA como aceleradora de processos e a inteligência humana como curadora de significados. Isso exige ética, empatia e um novo letramento digital. Líderes precisam aprender a fazer boas perguntas para a IA, interpretar resultados com senso crítico e manter o foco na experiência relacional. A tecnologia deve ser uma extensão da inteligência, não um substituto da sensibilidade.
17. Você busca inspiração na filosofia clássica e contemporânea. Como essa base filosófica pode ajudar líderes a tomar decisões mais conscientes e estratégicas?
A filosofia ensina a pensar sobre o pensamento, a lidar com paradoxos e a sustentar decisões complexas sem cair em dicotomias simplistas. Platão, por exemplo, já nos falava da importância de enxergar além das sombras na parede. Kant, da autonomia como base moral. Nas decisões estratégicas, recorrer a essa base ajuda a articular valores, prever consequências e agir com coerência — especialmente quando não há respostas prontas.
18. Existe algum conceito filosófico que você aplica recorrentemente em suas palestras e mentorias? Pode nos dar um exemplo prático?
Sim. Um conceito que uso com frequência é o “ethos” de Aristóteles, que fala do caráter como base da credibilidade. Em treinamentos de liderança, por exemplo, mostro como a autoridade verdadeira não vem do cargo, mas da integridade percebida na fala e na conduta. Um líder que comunica com ethos não precisa levantar a voz — ele sustenta a confiança com presença, coerência e visão.
19. Muitas empresas ainda comunicam sem considerar o perfil neurocomunicativo do público. Quais dicas você dá para personalizar a mensagem sem perder a essência?
A primeira dica é: mapeie os perfis neurocomunicativos da sua equipe ou audiência. Existem pessoas mais visuais, outras mais analíticas, outras mais emocionais. A segunda é: adapte o formato, sem corromper o conteúdo. Uma mesma mensagem pode ser contada por meio de dados, histórias, metáforas ou frameworks visuais. O segredo está em conectar a essência da mensagem com o canal certo de recepção. Personalizar não é agradar a todos — é garantir que todos compreendam.
20. Você fala sobre clareza, conexão e transformação. Como medir se uma comunicação gerou de fato transformação no público?
Transformação se mede por mudança de comportamento, mudança de linguagem e mudança de percepção. Quando uma comunicação realmente impacta, o público começa a usar novos termos, faz perguntas mais profundas, toma decisões diferentes. Além disso, feedbacks espontâneos, ações pós-evento e engajamento ampliado são indicadores de que a mensagem não só foi ouvida — ela foi incorporada.
21. Quando se fala em comunicação estratégica, muita gente pensa apenas no “o que dizer”. Mas e o “como” e o “por que”? Como você trabalha esses três níveis?
Esses três níveis fazem parte do que chamo de comunicação intencional. O “por que” define o propósito; o “o que” traduz a ideia; o “como” constrói a experiência. Em meus treinamentos e palestras, guio os líderes a começar pela intenção (IMPACTE), organizar a mensagem com lógica e emoção, e ajustar o “como” de acordo com o público, o canal e o contexto. Comunicação estratégica não é improviso com palavras bonitas. É engenharia emocional com resultado.
22. Em sua visão, quais são os principais “ruídos” na comunicação entre liderança e equipe, e como superá-los com neurocomunicação?
Os principais ruídos são: pressa sem presença, excesso de jargão, falta de escuta real e desalinhamento entre o que se diz e o que se faz. A neurocomunicação ajuda a resolver isso ao trazer consciência sobre como o cérebro do outro recebe, processa e interpreta estímulos. Quando um líder entende que o corpo do outro responde antes da razão, ele começa a usar pausas, tons, gestos e palavras com mais inteligência. Isso reduz ruído e aumenta confiança.
23. Como transformar a comunicação interna de uma empresa em uma ferramenta de engajamento, e não apenas de transmissão de informações?
Comunicação interna precisa inspirar, não apenas informar. Para isso, é preciso incluir narrativas reais de colaboradores, reforçar o propósito da empresa em cada mensagem, usar linguagem humana e criar canais de diálogo bidirecional. Quando a equipe sente que faz parte da construção da cultura, ela se engaja. Comunicação interna que engaja é aquela que escuta antes de falar e conecta antes de pedir entrega.
24. Em processos de mudança organizacional, como usar a comunicação estratégica para diminuir resistências e gerar adesão real das equipes?
Toda mudança traz medo. Por isso, o primeiro passo da comunicação é validar as emoções que surgem. Depois, é preciso apresentar o novo cenário com transparência, mostrar os ganhos possíveis e envolver as pessoas na construção do caminho. O modelo IMPACTE, por exemplo, ajuda líderes a organizar essas etapas: primeiro gerar intenção clara, depois ajustar a mensagem, considerar o ambiente emocional, criar conexão e finalmente promover transformação com estrutura.
25. Por fim, Jotta, que mensagem final você deixaria aos profissionais e líderes que desejam transformar sua comunicação em um diferencial competitivo e humano?
A comunicação é o maior ativo invisível de uma liderança. Quando feita com intenção, ela não apenas move equipes — ela molda culturas, influencia decisões e transforma ambientes. A minha mensagem é simples: assuma o protagonismo da sua comunicação. Seja estratégico, seja humano, seja claro. O que você diz pode mudar o que os outros acreditam ser possível.
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