Palestras de Sucesso Entrevista Cris Pàz – Parte 2

10- Profissionais em luto pessoal muitas vezes não sabem como lidar com essas emoções. Em um momento tão sensível, o que é possível fazer para ressignificá-lo e seguir em frente? 

Eu aprendi que em relação à morte a gente não pode fazer absolutamente nada. Mas temos alguma escolha sobre a nossa forma de vivenciar o luto. Devo adiantar: ele precisa ser vivenciado, não pode ser varrido para baixo do tapete. 

A morte é uma verdade difícil de assimilar. Um silêncio que não atenua, ele vem para sempre. Nos primeiros dias, o mundo está à nossa volta, nos confortando.

Quando todos voltam à vida, aí é que a realidade sem a outra pessoa vai se mostrando, e a dor não atenua, é ingenuidade pensar isso. Essa falta eterna não vai suavizar, só vai se tornar ainda maior, mais longa e mais silenciosa.

É um momento muito doloroso, em que vamos precisar reafirmar aquilo para nós mesmos até que a morte dentro de nós se torne um fato, uma notícia real, uma realidade consumada. A aceitação demora. Antes de nos habituarmos à falta daquela pessoa que se foi, é preciso “matar” a sua existência dentro da nossa mente.

Mas uma pessoa enlutada passa a ser indesejada. Ela causa constrangimento, porque está vivenciando um sentimento absolutamente solitário.

E é justamente nesse momento, em que ela precisa falar incessantemente sobre o assunto, para conseguir acreditar que aquela pessoa se foi e nunca mais vai voltar (essa é a parte mais difícil de internalizar), que as pessoas do seu entorno (que não estão enlutadas) não dão conta de ouvir. 

Eu acredito que o luto saudável começa quando uma parte de nós, aquela que havia “morrido” com a pessoa que se foi, resolve viver novamente.

Mas vai ser preciso nascer de novo, porque não serei a mesma sem a pessoa que se foi. Preciso olhar para o mundo de novo e me reconhecer diante dele.

Vejo o mundo lá fora, percebo que a vida continua seu curso, e que se eu não cuidar da minha dor, se eu não quiser uma vida além dela, vou me tornar um fardo, uma ilha de solidão.

Acho que ambos os lados podem aprender nesse processo. O luto do outro fala sobre a finitude — a minha, a do outro, a de quem eu amo. Eu também tenho muito a aprender sobre a vida com essa morte.

Sempre. A morte de alguém é sempre um despertador para a vida, não importa a relação que tenhamos com quem se foi. Respeitar quem está passando pelo luto é o que vai ajudar essa pessoa a vivenciar melhor esse momento. Aprender a ouvir e não se sentir na obrigação de dizer qualquer coisa.

No máximo um “imagino”, “estou aqui para você”. Se for possível, é bom se reportar aos seus próprios lutos para compreender o luto do outro.

Mas nem todo mundo vivenciou um luto importante. Alguns têm a sorte de vivenciar isso bem tarde na vida. Então o que podemos fazer é respeitar. Silenciosamente, mas sem deixar de estar presentes. Não julgar o outro, dar a ele o seu tempo.

Lutos não podem ser reprimidos, como também não é normal que sejam eternos. Eternos, no sentido de serem extremamente dolorosos para sempre. A verdade é que levamos nossos lutos para o resto da vida, eles são de fato eternos.

Mas vão se transformando ao longo do tempo. A pessoa que perdeu alguém aprende a conviver com seu luto, a acomodá-lo em sua vida, como uma bala encapsulada dentro do corpo.

Está lá, mas vai ficando mais confortável e menos doída. De vez em quando volta a doer, como uma cicatriz que apresenta um queloide (espécie de inflamação do ferimento, mesmo após a cicatriz).

Lateja por um tempo, movida por memórias ou outros gatilhos. Mas a gente se acostuma a conviver com essa “presença da ausência”. O luto é uma “aquisição”. Uma dor que não será resolvida, mas com a qual vamos aprender a conviver de maneira pacífica. 

11- Comente sobre quais são os Instrumentos que nos ajudam a forjar uma trajetória vencedora, a partir do contato da valorização de uma imagem genuína, verdadeira e espontânea.

Vivemos a era da imagem. A gente acorda e abre as redes sociais, onde vemos avatares das pessoas simulando uma vida. Não são propriamente imagens falsas, mas são recortes.

Pedaços incompletos de uma vida que também tem o lado sombrio. Nas redes sociais vemos as conquistas, os aniversários de casamento, as viagens, as famílias felizes, as promoções ou mudanças de emprego, os “novos desafios”. O perigo dessa edição sofisticada é acreditarmos que a vida do outro é como um filme.

Do lado de cá, não tenho como editar as lembranças ruins, os traumas, os momentos em que não me senti pertencente. Ninguém viveu o meu filme em meu lugar. Conheço cada cena dele, e costumo ter memória de elefante para as cenas tristes.

As redes sociais (incluindo o Linkedin) nos tornaram reféns das vidas de revista — que muitas vezes nós mesmos construímos — e nas quais gostamos de acreditar.

Todo mundo é fotógrafo, repórter, editor e personagem de uma história incrível. O culto à perfeição não tem limites. O resultado disso é mais ansiedade, comparação, infelicidade e depressão.

Enquanto isso, do lado de cá da tela, a vida é sem filtro. Com o tempo, essas vidas editadas não nos acrescentam mais. Queremos encontrar do outro lado alguém que nos faça sentir parte. Imagens idealizadas não me representam, e começam a me fazer mal.

Tudo o que é apenas imagem pode desmoronar em algum momento. Cedo ou tarde, o real se mostra. Se usamos as redes para ser um simulacro de quem somos, a decepção será grande.

Construir uma imagem de credibilidade é passar verdade genuína no que fazemos. Admitir erros, falar também sobre imperfeições, medos, insucessos, dificuldades de aprendizado. Assim se estabelece uma conexão genuína.

Vou dar um exemplo relativamente recente que me impacta muito. Há alguns anos, o Fábio Assunção teve seu nome incluído numa letra de música.

A menção era jocosa, para não dizer de mau gosto, porque usava o nome do ator para falar sobre uma pessoa sob efeito do álcool.

Um hábito aceito socialmente e sobre cujos efeitos costumamos falar de maneira bem-humorada, mas sabemos que podem ser nocivos na vida de muitas famílias, tanto física quanto psicologicamente.

O ator teria todos os motivos para exigir que o nome dele fosse tirado da música e até para processar o compositor. E então veio o golpe de mestre.

Ele foi às redes sociais e se admitiu como dependente químico. Falou sobre a música que estava fazendo sucesso e sugeriu que parte da renda da audiência da canção fosse revertida para instituições que tratam de dependentes químicos.

Em lugar de “abafar o caso” ou se esconder, Fábio trouxe a sua verdade e usou sua história para ajudar outras pessoas. Admitiu sua vulnerabilidade (o que exige coragem e a inteligência da humildade) e assim saiu muito maior do episódio. Esse exemplo mostra que a verdade é maciça, por isso é muito mais forte.

Ela não tem um tapume à sua frente, não é um simulacro, a verdade é o que é. Não é construída, é revelada. Não há nada mais forte do que ela.

Posso dizer que meu maior ativo construído nas redes é a minha credibilidade. Sou uma pessoa naturalmente espontânea e transparente, e é isso que conecta as pessoas a mim. Nas redes sociais, isso acaba sendo uma qualidade rara.

Credibilidade não é algo palpável, mas é muito valioso, que aumenta a nossa responsabilidade. Porque se perco a minha credibilidade, dinheiro algum é capaz de comprá-la de volta.

12- Sobre empreendedorismo digital, quais são as Ações e posicionamentos que você destaca no sentido de construir uma imagem sólida e de credibilidade, seja na web, ou fora dela? 

Minha experiência me ensinou que empreender no digital é uma jornada em que vamos fazendo e aprendendo. Desde que tenhamos resguardados os nossos valores, é preciso se arriscar, sem medo de cometer pequenos erros. É consertar o avião em pleno voo. 

Já vi muitos projetos que ficavam tanto tempo sendo preparados, para serem colocados no ar somente quando estivessem perfeitos, que acabaram perdendo o timing.

As coisas se transformam muito rapidamente no meio digital. É um território em que vale a tentativa e o erro. Desde que resguardando, claro, nosso maior ativo, que é a credibilidade. E a credibilidade tem a ver com continuar respeitando a sua essência.

Eu me tornei empreendedora digital sem planejar, e fazia isso de uma maneira muito orgânica. Então entendi que o meu jeito de falar com meu público tem uma lógica própria.

Esse traço quase incidental para fazer as coisas marcou a minha presença nas redes, de tal maneira que, se eu começo a me portar de uma maneira mais ensaiada, o público percebe.

Então isso é muito importante: entender o que faz a sua trajetória ser vencedora e resguardar os ativos que constroem esse sucesso. E cada perfil tem suas particularidades.

Quem me lê poderá dizer que existem técnicas e fórmulas para conseguir muito sucesso nas redes — engajamento e vendas. Claro que existem.

Quem opta por esse caminho pode ganhar muito dinheiro rapidamente, mas fica refém de uma fórmula, um jeito de fazer que com o passar do tempo é desumano.

Muitos e muitos influenciadores com milhões de seguidores acabam com depressão e burnout quando confundem suas vidas com suas atividades virtuais. É preciso um bocado de saúde mental para se respeitar e não se deixar engolir pelos algoritmos. 

Engraçado é que há sempre alguém ditando uma regra “imutável” sobre uma rede que está constantemente se transformando. 

Ouvimos muito que o Instagram é uma rede de pouca profundidade, em que os vídeos precisam ser curtos, de 1 minuto e meio, no máximo.

Com meu público isso não acontece. Meu vídeo que mais teve audiência no Instagram até hoje tem 11 minutos de duração. Aprendi a observar e conhecer minha audiência e sei que ela espera de mim mais profundidade. Se eu for obedecer às fórmulas, vou jogar por terra o que me constitui.

Credibilidade é um caminho perene. O meio é digital, mas as histórias precisam ser reais, fazer sentido. 

Então você precisa fazer uma opção. Ou entende como é o seu perfil, sua forma de estar nas redes, e segue fiel ao que é sua essência, buscando criar formas novas de fazer isso, ou se perde nas referências e comparações externas.

Não estou dizendo que empreendo nas redes de olhos fechados, sem olhar o entorno, e sim que eu não me perco olhando tanto para fora. Entendo o contexto, aprendo com o que um ou outro está fazendo, claro. Mas não posso me perder de mim. 

Eu lido com críticas nas redes desde as primeiras postagens no meu blog de moda, em 2007. E sempre respondi com inteligência, humor e delicadeza às críticas de haters, muitas vezes chamando à reflexão.

Porque as críticas também geram engajamento, mas eu não escolho uma linha editorial de sensacionalismo, alertas que deixam o seguidor estressado, muito menos linguagem chula ou violenta.

Acredito que podemos fazer redes sociais com delicadeza, humor, muita verdade e respeito. Uso meu conteúdo também como veículo de opinião, mas tomo cuidado com a linguagem e procuro respeitar quem pensa diferente de mim. S

e dou minha opinião, ela não vem em tom de cancelamento, e sim de chamada para a reflexão. E tomo muito cuidado com cada palavra que coloco nas redes. Penso no tamanho da minha responsabilidade ao postar conteúdo ali, e sempre penso em trazer um conteúdo que não seja mais um gatilho para ansiedade e sentimentos de inferioridade.

Acredito que o grande valor que vai me diferenciar nas redes é a imperfeição. É o que me faz factível, possível, palpável. Quero surpreender pela humanidade, e não pela perfeição. Outra coisa importante: discurso é uma coisa, conversa é outra.

Entendo que a rede pede interação e procuro responder a comentários e mensagens diretas sempre que possível. Não consigo delegar essa parte. Faço isso pessoalmente, mesmo tendo 200 mil seguidores. Já tive uma pessoa que respondia por mim e me incomodava, não era o meu tom de voz.

Pra concluir, eu acredito que para empreender — dentro ou fora das redes — é fundamental amar o que faço. E isso também vale para nossas atitudes fora da web. A caminhada que nos garante uma imagem sólida é composta de verdade, mais do que de sucesso.

É essa verdade que se torna o grande patrimônio. Se faço alguma coisa que vai contra essa verdade, perco tudo o que construí ao longo do caminho. 

13- Quais são as principais soft skills que podem surgir com a maternidade e como elas podem ser aplicadas em ambientes profissionais? E aproveitando o gancho da sua experiência pessoal, como as adversidades enfrentadas durante a maternidade podem se transformar em uma fonte de força e resiliência para as mulheres?

Eu posso dizer que só descobri algumas das minhas habilidades por ter me tornado mãe no momento em que eu estava mais sozinha e triste. Ter um filho sob minha única responsabilidade fez nascer em mim um espírito de sobrevivência que eu desconhecia, e um espírito empreendedor que eu não imaginava haver em mim. 

Mães aprendem a deixar as suas prioridades para depois. O sono muda para sempre e essa mulher se torna eternamente alerta. Um dia o menino sai andando e a mãe sai correndo atrás dele. Passa pela fase guarda-costas, depois vira uma espécie de professora. Quando o diálogo se torna equilibrado entre mãe e filho, para sempre ela será sua conselheira.  

Sem contar que se tornar mãe faz a gente olhar para o mundo de novo, com um olhar de primeira vez, mas sob um outro prisma. A gente faz descobertas, nota coisas que não tinha visto antes. Eu diria que ser mãe é rejuvenescedor também. Se isso não for pensar fora da caixa, o que mais seria? 

Você já viu alguém estrear um espetáculo sem ensaiar? Mãe faz isso. Ela não recebe o roteiro antes, nem conhece direito um dos personagens principais. Mas faz.

E esse personagem vai mudando com o tempo, então ela precisa aprender sempre, se atualizar, quebrar paradigmas, abandonar os antigos. Trabalhar em equipe é um aprendizado natural da maternidade, que exige construir e manter uma rede de apoio. Porque toda mãe precisa de uma mínima rede de apoio.

Tomar decisões rápidas é uma habilidade necessária todos os dias, 24 horas por dia, a partir do momento em que aquele bebê passa a existir. Ela precisa aprender a proteger seu filho de riscos sempre iminentes.

O cérebro fica alerta e não desliga mais. E como a fome de uma criança não espera — nem a febre, a cólica, a dor de garganta — e as outras coisas da vida também não esperam, a mulher faz um verdadeiro treinamento intensivo sobre logística e administração do tempo.

Na repetição diária de tarefas que é a criação de um bebê, ela aprende sobre perseverança. Contando a mesma história para um filho, de um jeito diferente a cada noite, faz praticamente um curso de oratória. E as pirraças?

A gente é obrigada a desenvolver técnicas de negociação. Administrar casa, comida, agenda dos filhos, hora de levar e buscar e o que surge de imprevisto nesse meio tempo: o que é essa rotina senão uma aula de planejamento?

Sabe a clássica cena da criança fazendo pirraça no shopping? E o que mais é preciso nesse momento do que habilidade de negociação? Ser mãe é um curso intensivo de jogo de cintura.

Ser mãe está longe de ser um obstáculo à vida profissional. Pelo contrário, é um impulso. Movida pela responsabilidade de guiar um outro ser humano, aquela mulher passa a “gestar” compulsivamente.

Está sempre grávida de novas ideias, projetos, soluções. Porque ela quer melhorar o mundo para seu filho. Porque ela passa a ter preocupações que antes não tinha. 

E isso começa antes de o bebê nascer. A gente sabe de pesquisas mostrando que durante a gravidez a área do cérebro responsável pela empatia simplesmente cresce de tamanho. 

Quando a criança vai crescendo, a mãe vai se torna uma espécie de coach, porque precisa ensinar ao filho o que talvez ela mesma não tenha aprendido até então: que a vida também é feita de fracassos.

E se essa mãe não é rica, tem que aprender a equilibrar ainda melhor as contas do mês. Também conhecida como administração de recursos. 

No fim das contas essa mulher está mais apta para gerir pessoas, compras, o tempo e até logística. Aprende sobre nutrição, um pouco de enfermagem e, claro, psicologia também. Na prática.

Se existe alguém que aprende inteligência emocional na marra, é a mulher que se torna mãe. E para essa mesma mulher, o trabalho é um descanso da maternidade, um lugar onde ela busca a realização pessoal, onde ela volta a pensar em si.

A maternidade é um divisor de águas na vida de uma mulher. Em lugar de obstáculo à vida profissional, é um impulso.

Mas, apenas lembrando: tudo isso também está à disposição do pai que se dispuser a compartilhar realmente as tarefas com a mãe do seu filho.

Não são aprendizados “tipicamente femininos”. Com exceção da amamentação, toda a tarefa do cuidado pode ser feita pelo homem. Que, de quebra, também vai desenvolver todas essas “soft skills” que passam a ser diferenciadores na profissão. Basta querer.

Uma mulher que se torna mãe passa por um treinamento de choque como nenhum outro, e depois disso sai absolutamente transformada. Conduzir um pequeno ser pela vida é uma responsabilidade gigantesca que a transforma para sempre.

Mas, é claro, ela vai precisar de algum tempo para isso. As empresas que já compreenderam a dimensão dessas transformações sabem ser parceiras dessas profissionais, e esse é um investimento que rende longevidade na relação entre a organização e suas funcionárias.

14- Como a temática do protagonismo feminino e da longevidade pode ser conectada de maneira eficaz para fortalecer a diversidade dentro das organizações?

Preconceito adora andar em bando, já reparou? Machismo e etarismo parecem ser grandes amigos, assim como machismo e racismo, racismo e lgtbfobia, etc.

O preconceito baseado na idade é ainda mais cruel quando se trata das mulheres. Na longevidade, o etarismo é uma espécie de prolongamento do machismo. Basta observarmos como as mulheres são criticadas quando namoram um homem mais novo, quando o contrário não acontece.

Como a idade de uma mulher de sucesso costuma roubar a pauta e ocultar o que ela tem de melhor, em matérias na imprensa, enquanto raramente a idade do homem é ressaltada ou se torna pauta. CEOs de 60 ou 70 anos não são uma aberração, desde que sejam homens. Mulheres são constantemente criticadas por sua forma de vestir, seja ela qual for.

Por sua aparência, seu corpo — muito velha, muito gorda, muito magra. Mulheres são consideradas desleixadas quando usam o cabelo branco ou quando não fazem procedimentos estéticos.

Ou são chamadas de exageradas quando fazem. Enquanto isso, homens só precisam ser homens para não serem criticados.

Mas os tempos estão mudando, os movimentos feministas estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia, e as pessoas que buscam conhecimento e informação de qualidade (homens, inclusive) sabem que o feminismo não é uma ameaça aos homens, pelo contrário, é a busca pelo equilíbrio, por direitos iguais, pelo compartilhamento equilibrado das tarefas e responsabilidades de maneira igualitária.

Não por acaso, o combate ao etarismo é uma bandeira que tem sido levantada principalmente por mulheres. Há muito mais mulheres do que homens falando sobre isso nas redes sociais.

Todos esses fatores, somados ao fato de que as mulheres são as que se ocupam das tarefas do cuidado, mostram que elas costumam ter mais empatia e compaixão, costumam voltar o olhar para grupos minorizados, costumam ter um olhar para o todo.

Ter mulheres na equipe, incluindo mulheres acima de 50, é ponto para as empresas, e motivo de muitas transformações potentes no futuro.

15-Como podemos fazer do ato de escolher uma roupa uma oportunidade para resgatar a autoestima e nos reconectar com quem somos verdadeiramente?

Não é um passe de mágica, mas uma construção. O vestir é uma atividade que todos nós praticamos diariamente, de maneira voluntária ou não. Simplesmente precisamos nos vestir para existir no mundo.

Mas quem não se considera um fã da moda acredita que não entende nada de vestir, mas isso não é verdade. Somos grandes entendedores de nossos corpos e conhecedores das nossas sensações diante de uma ou outra peça de roupa, tipo de tecido, cor, etc. Mas é preciso tomar consciência disso.

Minha experiência do vestir como forma de expressão, e também como forma de celebrar cada dia, me ensinou que podemos fazer da roupa parte de um ritual para uma vida com mais sentido.

No vestir exercitei minha alegria, minha tristeza, com o vestir expressei dias difíceis do meu luto. Usando as possibilidades do meu guarda-roupa para me olhar de outra forma me senti mais forte para enfrentar sentimentos difíceis, cultivei doses de bem-estar, e assim a roupa foi se tornando minha aliada para tornar a vida mais leve, e até para brincar comigo mesma.

Depois de aprender isso, tive vontade de transmitir minha visão para mais pessoas. Porque essa intimidade com o vestir me fez gostar mais de ser eu mesma, e isso fica ainda mais forte com o passar do tempo e a maturidade.

A roupa pode ser nossa grande aliada. Ela oferece opções de formas, cores e toques que nos trazem sensações diferentes, e experimentar essas sensações pode ser um  novo prazer na vida.

Quando usamos essa “obrigação do dia a dia” como recurso para “colorir” a vida, passamos a fazer dessa obrigação um prazer, eu diria até que uma espécie de oração para um dia melhor.

Mudar nossa forma de encarar o vestir, e eu digo isso para homens e mulheres, pode fazer uma grande diferença no nosso estado de espírito.

A gente tem essa mania de colocar a roupa na seara da superficialidade, o que é muito equivocado. Seguir a moda, se sentir na obrigação de “obedecer” às tendências pode ser, sim, uma atitude superficial e meramente consumista. Mas olhar o vestir como uma expressão da nossa identidade é revolucionário.

Quanto tempo do dia passamos vestidos, em nossos papéis sociais diante do mundo? Quanto uma roupa comunica sobre nós? Que consequência tem em nosso dia usar uma roupa que não seja confortável?

Que efeitos advêm do uso de uma produção que faça você se sentir inadequado, e que efeitos totalmente diferentes vêm de uma roupa em que você se sinta bem e bem representado? 

Roupa é bem-estar, identidade, autoestima, expressão de quem somos, forma de estar no mundo. Roupa é recurso, é escrita, é exercício de criatividade e espontaneidade.

Roupa é comunicação e relacionamento, expressão de visão de mundo, de respeito com o outro — porque há lugares e ocasiões em que, sim, há códigos do vestir que devemos respeitar, porque isso faz parte da cultura e da coletividade. Roupa pode ser cura e um jeito de fazer as pazes com quem somos.

16-Em um mundo onde somos bombardeados por padrões e expectativas, como podemos encontrar coragem para ser fiéis à nossa própria história e nos expressarmos sem medo de julgamentos?

Também não é uma resposta simples. Mas acredito que começa com o processo de autoconhecimento. Quando nos conhecemos bem, estamos mais ligados ao que vem de dentro e passamos a nos observar mais.

Quando sabemos o que de fato queremos, o que nos faz felizes, a opinião do outro passa a ficar pequena. Acho que o amadurecimento é estar cada vez mais ligado a quem somos e mais conscientes do que queremos, e isso automaticamente nos ajuda a colocar o olhar do outro na dimensão que ele de fato tem. 

Não podemos dizer que a opinião do outro não importa, isso é muito teórico. O problema testá em levar em consideração a opinião do outro a ponto de aniquilar a nossa própria. Quanto estamos dispostos a pagar para satisfazer à opinião alheia? 

E se a gente parar pra pensar, imaginar que a opinião do outro tem tanto peso talvez seja uma prepotência. Eu não sou importante assim para o outro, a ponto de ele se incomodar tanto com o que eu faço e penso.

A questão é que a maior parte das pessoas se conhece muito pouco, não investe no autoconhecimento, esse processo que nos faz enxergar nossas sombras, nossas vulnerabilidades e também nossas potencialidades.

As redes sociais são um exemplo claro disso. As pessoas parecem estar o tempo todo buscando uma falha, um desfile, um escorregão.

E despejam suas inseguranças e insatisfações em comentários descuidados, que muitas vezes apenas denotam uma pessoa em busca de atenção.

Acho que me habituei a ser criticada desde muito cedo, e precisei aprender a conviver com esses tribunais, voltando o meu olhar para mim mesma. Me acostumei com os olhares de estranhamento e fiz as pazes comigo de maneira irreversível.

Isso não quer dizer que eu esteja imune à opinião dos outros ou aos comentários maldosos. Apenas aprendi a me conhecer e me conectar mais com essa segurança interna, de conhecer minhas forças e fraquezas, e não me haver com as inseguranças do outro.

Com o tempo a gente descobre que aquela opinião é só uma dentre milhões de pensamentos que a outra pessoa vai ter ao longo do dia.

E se formos mudar nossa vida para que essa pessoa não pense nada errado sobre nós, vamos dispender uma energia descomunal para tentar mudar alguma coisa que nem é importante para ela. A gente é que acha que é.

17-Como a diversidade de histórias e vivências dentro de uma equipe pode fortalecer uma organização e melhorar o clima organizacional?

Simples. Quanto mais repertório uma pessoa tem, melhor ela pode lidar com as diversas situações da vida. Uma equipe diversa, com idades, características, gêneros, pensamentos e visões de mundo diferentes tem mais repertórios somados.

Essa reunião de experiências e visões de mundo se torna mais uma potência da empresa. Se essa visão estratégica vier das lideranças, melhor esses potenciais poderão ser usados.

18-Em um cenário onde fórmulas de sucesso são frequentemente apresentadas, como você aconselha profissionais a criarem sua própria voz e trajetória?

Ouvir a voz de dentro, mais do que a de fora. O mundo de hoje nos chama para fora o tempo todo. É uma eterna distração.

Se não soubermos criar um ambiente seguro e confortável dentro de nós, seremos capturados por um mundo para o qual nunca seremos o bastante. O grande desafio é estar informado e atento ao mundo lá fora, atualizar-se, mas de maneira equilibrada, de modo a não a conexão consigo mesmo.

Cris, obrigado pela sua gentileza e atenção mais uma vez, e principalmente, obrigado pelo seu trabalho tão genuíno, único e inspirador. É um presente termos essa oportunidade de aprender com você. O espaço a seguir é seu para deixar uma mensagem para todos os leitores que nos acompanharam até aqui.

Agradeço pelas perguntas, elas sempre me fazem pensar. Gosto de perguntas que ficam, mesmo depois de eu tê-las respondido. As interrogações permanecem aqui dentro e me instigam. Estou à disposição para mais perguntas, construções e aprendizados. Contem comigo.

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Cris Pàz

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