“O maior problema não é quando o trabalhador se afasta, mas quando ele está presente e já não está mais ali.”
O presenteísmo, diferentemente do absenteísmo, tem se revelado um dos principais desafios silenciosos enfrentados por empresas no Brasil e no mundo.
O colaborador está presente fisicamente, participa de reuniões, registra seu ponto de entrada e saída, mas encontra-se emocionalmente distante, cognitivamente disperso e fisicamente esgotado.
Essa é a análise de Edson De Paula, doutor em Psicologia Organizacional e um dos principais especialistas em cultura corporativa e saúde mental no trabalho.
Segundo ele:
“O maior problema não é quando esse trabalhador é afastado do trabalho. O problema é quando ele está presente, com o corpo presente dentro do ambiente de trabalho ocupando o seu espaço, mas a sua mente, o seu campo mental, o seu campo físico e principalmente o seu campo emocional das emoções, já não se encontra mais dentro do ambiente de trabalho.”
Presentes de corpo, ausentes de alma
Diferente do absenteísmo, que é mensurável e documentado por atestados e licenças, o presenteísmo passa despercebido.
Edson De Paula alerta para um comportamento comum: “o colaborador ocupa um posto, gera custo, mas a entrega efetiva está comprometida por fadiga, esgotamento emocional ou baixa motivação”.
De acordo com levantamento publicado pela revista Você S/A, cerca de 31% dos colaboradores em empresas brasileiras apresentam comportamento de presenteísmo, gerando prejuízos silenciosos, mas profundos.
Estudos na área sugerem que os custos do presenteísmo são, inclusive, mais altos do que os do absenteísmo.
Causas do presenteísmo
Os fatores que alimentam esse fenômeno incluem ambientes de trabalho altamente exigentes, culturas organizacionais que valorizam a permanência física independentemente do desempenho real, medo de demissão e quadros de esgotamento emocional.
Segundo especialistas, esses fatores são exacerbados em momentos de crise econômica ou mudanças internas abruptas.
Edson De Paula observa que esse comportamento também é impulsionado por sensações de ansiedade, principalmente nos domingos à noite.
“Já vinha aquele pensamento: nossa, amanhã é segunda-feira. Já começava a dar aquela palpitação, sabe? Aquela respiração um pouco mais ofegante, aquela sensação de ansiedade, de desespero, de ter que ir trabalhar.”
Impacto sobre a produtividade e o clima organizacional
O presenteísmo tem efeitos diretos sobre a produtividade individual e coletiva. No plano pessoal, o trabalhador apresenta queda de rendimento, menor atenção aos detalhes e maior propensão a erros.
No coletivo, compromete o clima organizacional e contamina o moral da equipe.
Estudos publicados pela Revista Brasileira de Medicina do Trabalho apontam que o presenteísmo atinge até 43,8% de profissionais em setores como a enfermagem, gerando perdas de produtividade na ordem de 8,8%.
Essas perdas são muitas vezes invisíveis na contabilidade formal das empresas, mas afetam diretamente os resultados.
O papel estratégico da liderança e do RH
A atuação de líderes e profissionais de Recursos Humanos é essencial para mitigar o presenteísmo.
De acordo com Edson De Paula, a primeira etapa é a sensibilização das lideranças.
É necessário que gestores aprendam a identificar sinais sutis de desengajamento: baixa energia, desatenção recorrente, queda de performance e até expressões físicas de ansiedade.
Entre as ações recomendadas, destacam-se:
- Realizar pesquisas internas sobre bem-estar e clima organizacional;
- Criar espaços seguros para diálogos abertos e feedbacks contínuos;
- Integrar práticas de saúde ocupacional e suporte psicológico às estratégias corporativas;
- Valorizar a entrega de qualidade, em detrimento da simples permanência física;
- Incentivar pausas estruturadas e programas de bem-estar.
Como combater o presenteísmo na prática
Para empresas que desejam construir ambientes saudáveis e produtivos, o combate ao presenteísmo requer uma abordagem multidisciplinar.
Edson De Paula defende a presença consciente como um novo paradigma de produtividade.
A seguir, cinco medidas práticas sugeridas pelo especialista:
- Mapear comportamentos que indicam desconexão emocional;
- Realizar check-ins regulares sobre o estado emocional dos colaboradores;
- Construir uma cultura que valorize o equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
- Estimular senso de propósito e pertencimento ao trabalho;
- Monitorar indicadores qualitativos e quantitativos de engajamento.
Essas estratégias não apenas reduzem os índices de presenteísmo, como também contribuem para uma cultura organizacional mais forte e engajada.
Convite à reflexão e ação
O presenteísmo é um problema real, invisível e potencialmente devastador para as organizações. Sua superação exige mais do que métricas de desempenho: exige empatia, escuta ativa e um olhar estratégico sobre o bem-estar corporativo.
Empresas que ignoram o presenteísmo correm o risco de operar com equipes inteiras em modo automático, enquanto acreditam estar plenamente funcionais.
Quero uma palestra de Edson De Paula
Edson De Paula é palestrante, professor e escritor, com mais de 30 anos de experiência na área de Psicologia Organizacional.
Suas palestras abordam temas como saúde mental no trabalho, liderança humanizada, comunicação eficaz e cultura organizacional.
Com formações pela PUC, USP e certificação internacional pela John Maxwell Team, Edson transforma conhecimento acadêmico em ferramentas práticas para líderes e equipes.
Sua abordagem já impactou milhares de profissionais no Brasil e em empresas internacionais.
Para organizações que desejam promover uma cultura corporativa mais saudável e engajada, as palestras de Edson De Paula oferecem não apenas reflexões profundas, mas caminhos reais para a transformação.
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