10 Hábitos que Afastam Pessoas na Velhice: Reflexões de Ana Beatriz Barbosa

Envelhecer é um processo inevitável, mas a forma como vivemos essa fase pode determinar se seremos cercados de pessoas queridas ou se acabaremos isolados. A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, com mais de 30 anos de experiência clínica, revela que existem comportamentos que se infiltram silenciosamente na personalidade conforme envelhecemos e funcionam como verdadeiros “repelentes sociais”.

Neste artigo, vamos explorar alguns desses hábitos e entender como evitá-los para envelhecer com mais leveza, elegância e boas relações.

1. Viver no passado

É natural sentir nostalgia, mas transformar toda conversa em um túnel do tempo pode afastar os outros. Quando cada assunto vira pretexto para contar histórias antigas, a mensagem subliminar é: “Meu passado é mais importante que seu presente.” Isso gera desconexão e frustração, especialmente entre os mais jovens.

Exercício prático: reflita sobre sua última conversa significativa. Quantas vezes você trouxe o passado à tona? Se foram mais de três vezes em meia hora, atenção: esse hábito já está instalado.

2. Reclamações constantes

Ana Beatriz chama esse comportamento de “síndrome do disco arranhado”. Reclamar diariamente da saúde, do clima, dos vizinhos ou dos preços cria um ambiente pesado. Reclamação crônica, além de afastar pessoas, altera a química cerebral, reforçando padrões negativos.

Dica: registre suas reclamações por uma semana. Se passar de cinco por dia, é hora de mudar.

3. Obsessão por doenças

Após os 50 ou 60 anos, é comum que o corpo dê sinais. O problema surge quando a saúde vira o centro da vida. Conversas que se transformam em relatórios médicos afastam familiares e amigos.

Reflexão: existe uma diferença entre ter uma doença e ser a doença. Sua identidade não pode se dissolver em um diagnóstico.

4. Aconselhar sem ser pedido

A experiência acumulada é valiosa, mas impor conselhos não solicitados é invasivo. O mundo mudou, e receitas antigas nem sempre funcionam para problemas atuais.

Lembre-se: ajuda não pedida tem outro nome — invasão.

5. Competição com mulheres mais jovens

A pressão social pela juventude pode levar à comparação destrutiva. Comentários como “Ela é bonita, mas espere chegar aos 50” revelam insegurança e corroem relações.

Libertação: não existe troféu para quem envelhece melhor. Cada mulher está em sua própria jornada.

6. Guardar mágoas como troféus

Relembrar injustiças antigas e usar ressentimentos como munição em discussões mantém a dor viva. O perdão, segundo Ana Beatriz, não é sobre quem nos feriu, mas sobre nós mesmos. É um ato de amor próprio.

7. Síndrome do “eu sacrifiquei minha vida por você”

Transformar sacrifícios em moeda de troca cria uma dívida impagável nos filhos e transforma o amor em transação. Essa postura sufoca relações e gera afastamento.

Conclusão

Envelhecer com elegância não significa apenas aceitar rugas ou cabelos grisalhos. Significa cultivar flexibilidade emocional, autoconsciência e empatia. Os hábitos descritos por Ana Beatriz Barbosa são comuns, mas podem ser transformados.

A chave está em reconhecer padrões, praticar novos comportamentos e entender que a verdade, por mais dura que seja, sempre empodera mais do que a mentira gentil.

Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva

Professora, escritora e psiquiatra especializada em transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes.

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