No centro da discussão, a humanização no trabalho surge como prática indispensável para que empresas olhem para seus colaboradores como pessoas reais, com história, emoções e potencial para contribuir muito além das tarefas.
Em tempos de burnout em massa, demissões silenciosas e debates acalorados sobre inteligência artificial substituindo gente, uma pergunta precisa ser feita: o que significa, de verdade, tratar um profissional como ser humano?
Quem responde com profundidade é Edson De Paula, psicanalista, professor e palestrante especialista em comportamento organizacional.
Em uma enriquecedora entrevista ao programa Humanideia, da TV Cultura, ele trouxe uma reflexão que vai direto ao ponto:
“O mundo precisa de seres humanos, cada vez mais”.
Para ele, humanizar é reconhecer que, por trás de cada crachá, existe uma vida com história, valores, limites e esperanças. E é justamente essa perspectiva que ainda falta em muitas organizações. Continue lendo para entender melhor.
Do discurso à prática: o que é humanização no trabalho?
O termo “humanização” tem sido repetido à exaustão em eventos corporativos, manuais de RH e campanhas de employer branding.
Mas, segundo Edson, a prática é muitas vezes rasa.
“Humanizar não é criar um happy hour mensal ou permitir que a equipe trabalhe de bermuda na sexta-feira. É algo muito mais profundo. Trata-se de cultura organizacional, de escuta ativa, de reconhecer a singularidade de cada indivíduo”, destaca.
Essa abordagem parte da psicologia organizacional e da saúde emocional no trabalho. Envolve a compreensão de que o colaborador leva sua vida pessoal para o trabalho, e vice-versa.
Ou seja, não é possível separar completamente as dores e alegrias da vida privada do ambiente corporativo. “Essa ideia de que podemos ligar e desligar uma chave, como se fôssemos apenas o profissional das 9h às 18h, é uma ilusão”, pontua Edson.
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Cultura organizacional e o papel da liderança humanizada
Humanização no trabalho começa no topo. É uma cascata que parte da cultura organizacional, atravessa as lideranças e alcança o indivíduo.
E para que essa cascata flua, é preciso que os gestores estejam preparados para lidar com pessoas de verdade, com todas as suas complexidades.
“Uma liderança humanizada entende que vulnerabilidade não é fraqueza. Pelo contrário: é um dos maiores pontos de conexão entre os seres humanos. Quando um líder se mostra humano, ele autoriza sua equipe a fazer o mesmo”, afirma o especialista.
Nessa perspectiva, a escuta empática, a comunicação não violenta e o feedback construtivo deixam de ser técnicas e passam a ser posturas diárias. São atitudes que criam segurança psicológica, elemento essencial para que uma equipe floresça.
Para além dos KPIs: por que investir em humanização?
Os números também confirmam: ambientes de trabalho mais humanos têm melhores resultados.
Equipes com maior bem-estar emocional apresentam maior produtividade, menor rotatividade e mais engajamento.
E isso não é só discurso inspiracional, é estratégia de negócio.
Edson lembra que, nos últimos anos, o mundo corporativo presenciou fenômenos como o “Great Resignation”, com milhões de pessoas deixando seus empregos por não se sentirem mais conectadas com os valores da empresa ou por não abrirem mão de sua saúde emocional.
“Os jovens, principalmente, estão recusando trocar uma hora de vida por uma hora de salário se isso custar sua paz.”
Desafios reais: por que ainda é tão difícil humanizar?
Apesar de todos os dados e argumentos, a humanização ainda engatinha em muitas empresas.
O motivo? Medo da mudança, pressão por resultados rápidos e lideranças despreparadas.
“Muitas vezes, a comunicação interna é linda no papel, mas não condiz com a realidade vivida pelos colaboradores. O que se vê é uma cultura de silenciamento, medo e distanciamento. Isso adoece as pessoas e compromete os resultados a longo prazo”, alerta Edson.
Para mudar esse cenário, é preciso coragem. Coragem para olhar de frente para o que não está funcionando. Coragem para fazer perguntas incômodas. Coragem para colocar o humano no centro das decisões.
Um convite à reflexão (e à ação)
Humanizar o trabalho é, no fim das contas, lembrar que estamos todos atravessando a vida tentando dar conta do que sentimos, pensamos e somos.
Empresas que reconhecem isso são mais do que competitivas: são lugares onde as pessoas querem ficar.
Se você lidera uma equipe, que tal começar com uma pergunta simples: como você está? Às vezes, essa pequena abertura é o início de uma grande transformação.
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Edson De Paula é doutor em Psicologia Organizacional, especialista em Saúde Ocupacional e membro certificado da John Maxwell Team.
Com mais de 30 anos de experiência no mundo corporativo e acadêmico, ele oferece palestras que vão além da motivação superficial: são provocações profundas, humanas e transformadoras.
Suas abordagens têm impactado milhares de líderes em empresas nacionais e internacionais, com temas como liderança humanizada, comunicação eficaz, cultura organizacional e bem-estar emocional.
Uma palestra de Edson é um convite à mudança cultural real, que gera resultado com sentido.
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