12-Por que tantos líderes ainda confundem inovação com simples modernização de processos?
Porque na prática é a mesma coisa em alguns aspectos. A modernização de processos pode se configurar como uma Inovação Incremental ou ainda uma Inovação Disruptiva do tipo Radical (se envolver novas tecnologias ou competências).
A Matriz de Inovação que apresento em minhas palestras conceitua todos os tipos de inovação e convida a fazer não apenas esta, mas todas.
13- O que fazer quando a diretoria exige resultados rápidos, mas a cultura interna ainda não favorece a inovação?
A forma mais rápida de trazer resultado, pelo menos financeiro, através da inovação é com leis de incentivo. A Lei do Bem funciona perfeitamente para isso. É uma forma de equilibrar o início do processo de fomento de uma cultura de inovação até que os resultados de inovação propriamente dito apareçam.
14- Como os líderes podem transformar o medo de errar em um motor para a experimentação consciente?
Existem muitos cases reais de erros gigantescos que viraram sucessos ainda maiores. O Fire Phone da Amazon parece ser o mais recente. A tecnologia usada no celular virou a base da Alexa.
Voltamos aqui, portanto, ao apetite de risco. Se estivermos errando dentro de um budget definido para isso e dentro do tempo definido para isso, não deve haver medo de errar.
O erro deve ser inclusive celebrado. Eventos como o Fuck Up Nights existem para celebrar a cultura do erro com aprendizado.
15- É possível gerar retorno financeiro a curto prazo com inovação? Que caminhos você ensina para alcançar isso?
Além da Lei do Bem, escolha e priorize problemas que são “fáceis” de resolver e que tenham o maior impacto possível.
Quando comecei a atuar em um Banco, descobri que o segundo maior motivo de ligações para o Call Center era para contestar um valor na fatura e, isso acontecia em muitos casos, porque a fatura traz impressa nela a Razão Social de onde foi feito o gasto.
“Arcos Dourados” pode despertar dúvidas se vier impresso na sua fatura.
Ao trazer uma Startup que fazia o processo de Merchant Data Cleansing, a fatura passou a apresentar “McDonnalds” e o problema desapareceu.
16- Quais os maiores mitos que você encontra sobre inovação sustentável nos negócios?
Essa pergunta pode ser respondida por dois prismas.
O primeiro tem a ver com a sustentabilidade em si. Inovação para a sustentabilidade precisa vir para resolver um problema real da sociedade ou do meio ambiente.
Em um programa de inovação que conduzi, tomamos a decisão de fazer uma batch de fundadores pretos. Foi a partir daí que um empreendedor, preto, de favela apresentou uma realidade que eu não conhecia: Quase 30 milhões de pessoas, moradoras de favela, não tem CEP.
O CEP é um campo com “*” em todo site de e-commerce. Portanto estamos falando de um mercado à margem da economia digital.
Com ele, desenvolvemos uma solução de CEP digital e chegamos às favelas!
Já sobre a sustentabilidade da inovação, é sobre ROI. Tudo em ambiente corporativo precisa trazer ROI e a inovação também precisa apresentar retorno. A sua sustentabilidade, do ponto de vista de Governança vem disto!
17- Como envolver colaboradores que estão sobrecarregados ou céticos diante de mudanças tecnológicas?
A inovação não é um processo que possa ser empurrado. Também não funciona de forma Top-Down. O único jeito de envolver mais gente é demonstrando resultado. Causando uma “inveja positiva” e mostrando-se sempre acessível.
18-Quais áreas normalmente ficam esquecidas nas estratégias de inovação e que merecem mais atenção?
As funções corporativas são sempre as últimas a serem envolvidas. Contabilidade, Fiscal, RH, Jurídico.
O risco é focar exclusivamente em inovações diretas ao consumidor e não cuidar do BackOffice.
19-Quais competências você acredita que serão indispensáveis para quem deseja liderar projetos de inovação nos próximos anos?
É preciso muita disciplina e persistência. Não é fácil começar e transformar uma empresa que, bem ou mal, se existe e dá lucro, funciona, em uma empresa com DNA de inovação.
A inovação está chegando não para trazer o resultado do hoje, mas para construir o resultado do futuro e o curto prazismo, especialmente em cenários externos difíceis, coloca uma pressão adicional nestes líderes.
20- Como preparar líderes para atuarem em ambientes de ambiguidade, velocidade e pressão constante por resultados?
Se a gente sabe que o ambiente é volátil e incerto porque a gente vai continuar acreditando que o futuro das organizações cabe em uma fórmula de Excel?
Só existe um jeito de se preparar para este mundo novo. Desafogar-se da operação e abrir espaço intencional na agenda para conhecer coisas diferentes.
21- Iniciativas como hackathons e squads multidisciplinares funcionam em qualquer empresa? Quais os cuidados necessários?
Sim, desde que se saiba EXATAMENTE o que fazer no outro dia 8am.
Um Hackathon deve provocar a apresentação de um grande número de ideias. Temos orçamento para quantas serem tocadas no outro dia? Por quem? De que forma? Qual o prazo que a ideia tem para se tornar agora um MVP? Sem que estas perguntas estejam resolvidas, não vale a pena começar.
Squads multidisciplinares é quase um capítulo à parte. Se a empresa tiver tamanho suficiente para se estruturar em função da jornada do Cliente, sim, vai funcionar. Mas, é importante que o time seja autônomo e que tenha claro, exatamente, o que deve fazer em termos de KPI’s daquela etapa de jornada.
22- Que mensagem você deixaria para líderes e profissionais que desejam fazer da inovação uma realidade diária – e não apenas um slogan bonito na parede?
Inovação não é moda. Inovação não é tendência.
Inovação é o que permite que empresas se tornem seculares. A Samsung começou fazendo máquinas de costura. A Nintendo tem mais de 1 século e foi concebida em uma época onde não havia nem televisão.
Inovação tem processo. Tem método.
Se bem aplicada pode levar as empresas a outro patamar de resultados, conquistado em mercados e segmentos que eventualmente só se abriram por inovação.
Não crie espuma de inovação com um evento que não se sustenta depois. Lembre-se que o que acontece no outro dia 8am é o que vai de fato mudar o jogo da companhia!
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